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Smartphone com IA não convence consumidores

Cristino Melo
5 min de leitura

A indústria de smartphone investiu pesado em inteligência artificial como argumento de venda ao longo de 2025, mas uma pesquisa com mais de 104 mil consumidores norte-americanos revelou que a estratégia não se converteu em decisões reais de compra. Segundo levantamento da Recon Analytics, monitorado entre maio e dezembro de 2025, a falha de hardware foi o principal motivo de troca em todas as marcas rastreadas, todos os meses.

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O estudo acompanhou o comportamento de compra em marcas como Apple, Samsung, Google Pixel e Motorola. As operadoras e fabricantes estruturaram campanhas em torno de câmeras inteligentes e assistentes conversacionais, mas os dados mostram que o consumidor comum troca de celular quando o aparelho para de funcionar, não quando uma novidade chega ao mercado.

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IA NÃO MOVE VENDAS: OS NÚMEROS FALAM

A prioridade por recursos de inteligência artificial ficou consistentemente abaixo das expectativas da indústria. Confira os picos registrados em dezembro de 2025:

  • Motorola: 5,1% dos usuários priorizaram IA
  • Samsung (não-flagship): 5,0%
  • Apple: 4,5%
  • Samsung Flagship: 2,8%

Em contraste, desempenho e duração de bateria combinados representaram de 27% a 30% das prioridades durante todo o período. O lançamento de novos modelos também se mostrou irrelevante: a opção “novo modelo disponível” respondeu por apenas 1,1% a 4,6% das decisões de compra, sendo o menor driver em todo o conjunto de dados.

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HARDWARE BARATO DURA MENOS

Os dados revelam uma inversão importante: aparelhos mais baratos não apenas custam menos, como se desgastam mais rápido. Veja a comparação por marca:

MarcaTempo médio de usoTaxa de falha
Samsung Flagship2,62 anos8,1%
Apple2,24 anos7,9%
Google1,97 anos9,4%
Samsung (não-flagship)1,96 anos10,8%
Motorola1,88 anos10,7%

A alta taxa de novas aquisições da Motorola, de 9,2% (a maior entre as marcas), não reflete demanda orgânica forte. É consequência de um ciclo de substituição que se reinicia mais cedo devido à degradação mais rápida do hardware de entrada.

O CALENDÁRIO DAS OPERADORAS GOVERNA O MERCADO

Se a falha de hardware determina quem troca de smartphone, é o calendário promocional das operadoras que determina quando essa troca acontece. O estudo identificou um padrão sazonal consistente em todas as cinco marcas rastreadas: picos em julho (volta às aulas), queda em agosto e recuperação em novembro e dezembro no período da Black Friday. Cinco marcas com produtos, preços e estratégias totalmente diferentes, todas seguindo o mesmo ritmo sazonal.

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Para as operadoras, esse padrão tem implicações diretas: consumidores em situação de substituição forçada não podem adiar a compra e aceitam a melhor oferta disponível no momento da necessidade. Tratar esse público como se fosse sensível a promoções comuns é um erro estratégico que pode deixar margem na mesa.

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O QUE ESPERAR EM 2026

O pipeline de demanda para 2026 é moldado pela degradação de hardware e pelo tempo de uso acumulado. A Samsung Flagship entra no ano com 64,4% de sua base instalada na janela de dois ou mais anos de uso. A Apple, com 51,8% elegíveis para troca, representa o maior volume absoluto de consumidores prontos para substituição no mercado.

A conclusão do estudo é direta: câmera, armazenamento e desempenho lideram as prioridades em todas as marcas, todos os meses. A IA, após 12 meses de marketing intenso, ainda fica abaixo até da qualidade do display nas preferências dos consumidores. Para fabricantes e operadoras que atuam no Brasil, onde o ciclo de troca também é fortemente influenciado por datas sazonais, os dados americanos servem de alerta: vender smartphone como solução de IA para um público que precisa apenas de um aparelho que funcione é, por enquanto, uma batalha que o marketing ainda está perdendo.

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