Reprodução/ChatGPT

Emissoras acusam Samsung, Google e Amazon de monopolizar o streaming em TVs

Cristino Melo
5 min de leitura

    Um grupo das maiores emissoras de televisão da Europa acusa Samsung, Google e Amazon de concentrar poder excessivo sobre o mercado de streaming e televisão conectada. A denúncia foi formalizada em uma carta enviada à Comissão Europeia em março de 2026. A coalização quer que os sistemas operacionais das smart TVs sejam enquadrados no principal regulamento antitruste digital da União Europeia, o Digital Markets Act (DMA).

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    A entidade responsável pelo movimento é a Association of Commercial Television and Video on Demand Services in Europe (ACT). A carta foi endereçada à chefe antitruste da UE, Teresa Ribera, e pede a designação formal das plataformas de TV conectada como “gatekeepers”, termo que na legislação europeia identifica empresas com poder de mercado suficiente para distorcer a concorrência.

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    QUEM ESTÁ POR TRÁS DA DENÚNCIA

    A ACT reúne algumas das maiores produtoras e distribuidoras de conteúdo do mundo. Os signatários da carta incluem:

    • Canal+
    • Disney
    • ITV
    • NBCUniversal
    • Paramount+
    • RTL
    • Sky
    • TF1 Groupe
    • Warner Bros. Discovery

    Além dessas emissoras, a carta também foi assinada por associações do setor, como a European Broadcasting Union (EBU), a Association of European Radios (AER) e entidades de rádio e TV comercial de países como Áustria, Itália e Espanha.

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    DOMÍNIO DE MERCADO EM EVIDÊNCIA

    Os números sustentam a preocupação das emissoras. Juntas, as três principais plataformas de smart TV controlam cerca de 60% do mercado europeu de sistemas operacionais para televisores:

    PlataformaEmpresaMarket Share
    Tizen OSSamsung24%
    Android TVGoogle23%
    Fire TV OSAmazon13%

    A Samsung é líder global no mercado de TVs há mais de 20 anos consecutivos. Com o Tizen OS presente em dezenas de milhões de aparelhos, a empresa não apenas vende hardware: ela controla o ambiente digital onde os usuários descobrem e consomem conteúdo.

    CONFLITO DE INTERESSES NO STREAMING

    O ponto central da reclamação das emissoras é o potencial conflito de interesses dessas plataformas. Todas têm seus próprios serviços de streaming, pré-instalados nos respectivos dispositivos:

    • Amazon: Prime Video
    • Google: YouTube e YouTube TV
    • Samsung: Samsung TV Plus

    A preocupação é que essas empresas possam dar preferência aos próprios serviços nas recomendações, nos resultados de busca e nas telas iniciais, prejudicando concorrentes independentes.

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    O temor não é apenas teórico. Em novembro de 2025, uma disputa entre Disney e YouTube TV nos Estados Unidos resultou em um apagão de três semanas para assinantes, que ficaram sem acesso aos canais da Disney na plataforma do Google. O episódio expôs o quanto conflitos entre distribuidores e produtores de conteúdo podem prejudicar diretamente o consumidor final.

    O QUE É O DMA E POR QUE IMPORTA

    Digital Markets Act está em vigor desde 2023 e estabelece obrigações para empresas classificadas como gatekeepers. Na prática, quem recebe essa designação precisa seguir regras como:

    1. Não forçar usuários a usar seus próprios produtos ou serviços
    2. Permitir a migração para plataformas concorrentes de forma livre
    3. Garantir interoperabilidade com terceiros
    4. Apresentar resultados de busca sem favorecer os próprios serviços

    Violações podem gerar multas de até 10% do faturamento global anual. Até agora, o DMA já classificou como gatekeepers a Alphabet (Google), Amazon, Apple, ByteDance (TikTok), Meta e Microsoft, mas nenhuma plataforma de TV conectada ou assistente virtual foi incluída. A ACT argumenta que isso cria uma lacuna regulatória perigosa, especialmente porque assistentes de voz como Alexa e Siri já funcionam como intermediários na descoberta de conteúdo.

    IMPACTO PARA O MERCADO BRASILEIRO

    Embora a disputa seja europeia, o debate tem reflexos globais, inclusive no Brasil. O país é um dos mercados mais relevantes para Samsung, Amazon e Google em termos de TVs conectadas e consumo de streaming. Plataformas como Samsung TV Plus já operam no país, e qualquer regulamentação aprovada na Europa tende a influenciar práticas comerciais adotadas globalmente pelas fabricantes.

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