A Poste Italiane, estatal italiana de correios e serviços financeiros, fez uma oferta de € 10,8 bilhões (US$ 12,5 bilhões) para adquirir o controle total da Telecom Italia, controladora da TIM no Brasil. O anúncio foi feito no domingo, 22 de março de 2026. Se aprovada, a operação devolveria à Telecom Italia o status de empresa estatal, condição que não ocorre há três décadas, desde sua privatização.
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A proposta da Poste é composta por dinheiro e ações. Para cada papel da Telecom Italia, a oferta prevê € 0,167 em dinheiro mais 0,0218 novas ações da Poste Italiane, totalizando uma avaliação de cerca de € 0,635 por ação. Um prêmio de aproximadamente 9% sobre o preço de fechamento da última sexta-feira.
O conselho da Telecom Italia convocou uma reunião extraordinária para começar a avaliar a proposta. Para que a oferta seja considerada válida, a Poste precisa alcançar ao menos 66,67% do capital da empresa. A companhia postal prevê concluir a transação até o fim de 2026, com impacto positivo sobre o lucro por ação a partir de 2027.

O QUE MUDA PARA A TIM NO BRASIL
A Telecom Italia SpA detém 100% da Telecom Italia Finance, que por sua vez controla 68% da TIM Brasil Serviços e Participações: os 32% restantes são de ações negociadas na Bolsa de Valores. Ou seja, a eventual troca de controle na Itália não altera diretamente a operação da TIM no Brasil no curto prazo, mas redefine quem são os donos indiretos da operadora brasileira.
A Poste Italiane já vinha ampliando sua participação na Telecom Italia nos últimos meses, movimento que foi acompanhado de perto pelo mercado. Uma eventual mudança de controle colocaria a TIM Brasil sob influência indireta de uma estatal italiana, cenário que ainda precisaria ser avaliado pela Anatel e por outros órgãos regulatórios brasileiros antes de produzir efeitos práticos no mercado nacional.
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O NEGÓCIO E A ESTRATÉGIA ITALIANA
A nova empresa resultante da fusão teria um porte significativo. Veja os números projetados pela Poste Italiane:
| Indicador | Projeção |
|---|---|
| Receita anual combinada | € 26,9 bi (US$ 31,1 bi) |
| Lucro operacional (EBIT) | € 4,8 bi (US$ 5,5 bi) |
| Sinergias anuais estimadas | € 700 milhões/ano |
| Número de funcionários | Mais de 150 mil |
| Economia com corte de custos | € 500 milhões/ano |
| Impacto positivo no lucro por ação | A partir de 2027 |
O movimento também se alinha à estratégia da primeira-ministra Giorgia Meloni de fortalecer o controle estatal sobre infraestruturas estratégicas. Governos da União Europeia têm buscado criar “campeões nacionais” no setor de telecomunicações, capazes de competir com as gigantes de tecnologia americanas e proteger a soberania de dados de cidadãos e empresas. A aquisição também afastaria o risco de a Telecom Italia ser comprada por um concorrente estrangeiro, como a francesa Iliad.
REESTRUTURAÇÃO PRÉVIA DA TELECOM ITALIA
Nos últimos anos, a Telecom Italia passou por uma profunda reestruturação liderada pelo CEO Pietro Labriola. Entre as principais ações realizadas pela gestão estão:
- Redução significativa da dívida da companhia e melhora dos resultados financeiros
- Venda da rede de cobre da empresa em 2024 para o fundo KKR
- Lançamento de joint venture com a Swisscom AG em março de 2026 para construção de torres de telefonia móvel
- Valorização acumulada de 14% das ações no ano até sexta-feira, com valor de mercado de quase € 13 bilhões
Com o anúncio da oferta, as ações da Telecom Italia chegaram a disparar até 8,1% na Bolsa de Milão. Já os papéis da Poste Italiane recuaram 2,4%, refletindo a cautela do mercado com os custos da aquisição. O desfecho da negociação ainda depende da aprovação do conselho da Telecom Italia e das autoridades regulatórias competentes.












