A Brisanet planeja iniciar o serviço de telefonia móvel no Centro-Oeste em julho de 2026. O anúncio foi feito pelo CEO José Roberto Nogueira nesta quinta-feira, 19, em conferência com analistas. A estratégia prevê ativar redes 4G e 5G em 120 cidades da região, divididas igualmente entre Goiás e Mato Grosso do Sul, com foco em municípios de até 30 mil habitantes.
A ativação acontecerá em etapas. O primeiro lote de cidades deve entrar em operação em julho, com novas ativações nos meses seguintes. A previsão da companhia é concluir a expansão inicial no Centro-Oeste entre outubro e novembro deste ano.
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PLANO DE EXPANSÃO
| Aspecto | Detalhe |
|---|---|
| Início das operações comerciais | Julho de 2026 |
| Conclusão da primeira etapa | Outubro/novembro de 2026 |
| Total de cidades | 120 |
| Cidades em Goiás | 60 |
| Cidades em Mato Grosso do Sul | 60 |
| Perfil dos municípios | Até 30 mil habitantes |
| Obrigação mínima com a Anatel | 115 cidades |
O número de cidades planejadas supera levemente as obrigações formais da operadora junto à Anatel. A Brisanet ampliou a meta de 115 para 120 municípios por conta de aglomerados urbanos próximos. “É o compromisso de 115 cidades, mas a gente está fazendo 120, porque tem casos de uma cidade no meio de um aglomerado, e a gente já faz aquela célula completa”, explicou Nogueira.
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INFRAESTRUTURA PRÓPRIA
A implantação das torres no Centro-Oeste começa em abril. A Brisanet seguirá parcialmente o modelo adotado no Nordeste, onde constrói suas próprias estruturas. A diferença na nova região é que a operadora não vai construir backbone de fibra próprio, optando por contratar o serviço com redundância de fornecedores locais.
“Estamos construindo as próprias torres e o time de prospecção e locação já está a todo vapor nessa região. Em julho, já teremos um lote de cidades ativas e, nos meses seguintes, vamos concluindo”, afirmou o CEO. A empresa também revelou que boa parte dos equipamentos necessários já foi adquirida, restando apenas a implementação.

OTIMISMO COM A REGIÃO
Nogueira demonstrou otimismo com o mercado do Centro-Oeste. Segundo ele, a penetração de celulares 5G na região deve chegar a 20% já em julho, índice bem superior aos 10% registrados no Nordeste quando a Brisanet iniciou as operações móveis por lá. O executivo também indicou que a empresa trabalhará com um tíquete médio de entrada superior ao praticado no Nordeste.
Por outro lado, Nogueira reconhece que 2026 será um ano “mais de custos” na nova frente, sem receitas expressivas antes que a operação ganhe escala comercial.
VANTAGEM SOBRE AS GRANDES OPERADORAS
A estratégia da Brisanet aposta na ausência das grandes operadoras nas cidades menores. Em municípios pequenos, a empresa atua de forma mais próxima ao consumidor, com abordagem direta e estrutura enxuta.
“Em cidades pequenas, a Brisanet consegue abordar [os consumidores] com mais facilidade, fazer o trabalho corpo a corpo. Vai demorar para as grandes operadoras chegarem a esses municípios, elas não têm braço para isso. Vai passar uma década até chegarem lá com 5G”, disse o CEO.
A companhia também levará ao Centro-Oeste o aprendizado acumulado no Nordeste em plataformas, dispositivos e modelo comercial. A experiência já rendeu frutos: a Brisanet ultrapassou 800 mil chips móveis ativos na região e chegou a levar o 5G até localidades remotas, como no sertão da Bahia em parceria com o Ministério das Comunicações.
IMPACTO NO EBITDA E INVESTIMENTOS
A expansão pressionará a rentabilidade da Brisanet em 2026. Segundo Nogueira, o EBITDA do ano ficará em nível equivalente ao de 2024, sem repetir a melhora observada em 2025, justamente pelos custos pré-operacionais da nova frente.
- CAPEX 2026: estimado em R$ 700 milhões, em linha com 2025
- EBITDA 2026: deve ficar equivalente ao nível de 2024
- Causa do impacto: custos pré-operacionais antes da geração de receita em escala
- Equipamentos: maior parte já adquirida, aguardando implementação
“O pré-operacional é a contratação, tudo que você faz antes e não gera receita”, explicou o CEO, reforçando que o impacto é esperado e faz parte do plano de crescimento da operadora rumo à expansão nacional.












