Divulgação/AST SpaceMobile

A empresa que pode acabar com as zonas sem sinal garante US$ 1,2 bi em receita

Cristino Melo
5 min de leitura

A AST SpaceMobile, empresa americana de satélites em órbita baixa (LEO), anunciou em março de 2026 que acumulou mais de US$ 1,2 bilhão em compromissos de receita contratada junto a parceiros comerciais. A divulgação ocorreu junto ao balanço anual de 2025 e marca a primeira vez na história da companhia que ela registra receita efetiva — totalizando US$ 70,9 milhões no ano. Os resultados foram impulsionados por operadoras de telefonia móvel e contratos com o governo dos Estados Unidos.

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O resultado é especialmente relevante para o setor de telecomunicações global, uma vez que a AST SpaceMobile está desenvolvendo o que descreve como a primeira e única rede de banda larga celular baseada no espaço, capaz de conectar dispositivos móveis comuns diretamente a satélites, sem a necessidade de equipamentos especiais.

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PRINCIPAIS COMPROMISSOS DE RECEITA

Entre os US$ 1,2 bilhão em compromissos confirmados, os destaques são:

  • stc Group (Arábia Saudita): pré-pagamento de US$ 175 milhões em acordo regional de 10 anos
  • Space Development Agency (EUA): contrato de US$ 30 milhões para o programa HALO Europa Track 2, que utilizará a constelação BlueBird para comunicações táticas com dispositivos governamentais
  • Operadoras móveis globais: backlog de receita de parceiros MNO ainda sem valores individuais divulgados publicamente

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PARCERIAS COM OPERADORAS AO REDOR DO MUNDO

No Mobile World Congress 2026, em Barcelona, a AST SpaceMobile anunciou uma série de acordos e colaborações com grandes operadoras de telecomunicações. As principais novidades foram:

  • Telefónica e Orange: colaboração na Espanha, Alemanha, Romênia e outros mercados europeus, via joint venture Satellite Connect Europe com a Vodafone
  • CK Hutchison: testes previstos para o verão europeu na Áustria e na Itália, com perspectiva de expansão para Dinamarca, Irlanda e Suécia
  • Sunrise (Suíça): parceria para avaliar como o serviço D2D pode complementar as redes 4G e 5G terrestres da operadora
  • Taiwan Mobile: assinou Memorando de Cooperação Estratégica para integrar o direct-to-cell ao portfólio da operadora
  • Axian Telecom (África): acordo D2D anunciado durante o congresso
  • Vodafone: avanço em iniciativas na Romênia, Ucrânia e Irlanda, com testes já em andamento no país irlandês após obtenção de licença de testes

A canadense Telus também fechou um acordo comercial para lançar o serviço D2D a partir do final de 2026, com investimento em infraestrutura terrestre e participação acionária na AST SpaceMobile. Clientes da Telus poderão fazer chamadas, enviar mensagens e usar dados via satélite em regiões remotas do Canadá.

EXPANSÃO DA CONSTELAÇÃO BLUEBIRD

A empresa está acelerando a produção e os lançamentos de satélites para viabilizar os serviços comerciais ainda em 2026. O cronograma previsto é:

  • BlueBird 6: já em órbita, maior antena de comunicações comerciais já implantada em LEO, com velocidades de pico esperadas superiores a 120 Mbps
  • BlueBird 7: encapsulado em Cape Canaveral em fevereiro de 2026, com lançamento previsto para março
  • BlueBird 8 ao BlueBird 29: em diferentes estágios de produção, com conclusão de 40 unidades equivalentes prevista para o primeiro semestre de 2026
  • Meta anual: entre 45 e 60 satélites em órbita até o fim de 2026, com lançamentos a cada um ou dois meses em média

Para suportar esse ritmo, a AST SpaceMobile ampliou sua capacidade fabril para mais de 500 mil pés quadrados com a aquisição de uma quarta instalação no Texas.

BALANÇO FINANCEIRO

Apesar do marco histórico de geração de receita, a empresa ainda opera com prejuízo, reflexo dos altos investimentos em infraestrutura e produção. Veja os principais números de 2025:

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Indicador20252024
Receita totalUS$ 70,9 milhõesUS$ 4,4 milhões
Prejuízo líquidoUS$ 341,9 milhõesUS$ 300 milhões
Caixa e equivalentesUS$ 2,8 bilhõesUS$ 567,5 milhões
Total de ativosUS$ 5,0 bilhõesUS$ 954,6 milhões

Em fevereiro de 2026, a companhia captou mais US$ 1,075 bilhão por meio de notas conversíveis seniores, atingindo liquidez pró-forma superior a US$ 3,9 bilhões. A receita do quarto trimestre de 2025 sozinha foi de US$ 54,3 milhões, superando as projeções dos analistas.

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