O serviço Starlink Mobile, da SpaceX, projeta alcançar 25 milhões de usuários mensais ativos globalmente até o fim de 2026. O anúncio foi feito na segunda-feira (2) pela presidente e COO da SpaceX, Gwynne Shotwell, e pelo vice-presidente sênior Michael Nicolls, no Mobile World Congress 2026 (MWC26), em Barcelona.
Atualmente, a plataforma conta com 10 milhões de usuários mensais ativos, resultado acumulado em 18 meses de operação do serviço de comunicação direta entre celulares e satélites (D2C).
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COMO FUNCIONA O STARLINK MOBILE
O Starlink Mobile funciona com qualquer aparelho 4G das operadoras parceiras, dispensando antenas parabólicas. Na prática, os satélites atuam como torres 4G em órbita baixa (LEO), cobrindo regiões sem cobertura terrestre. Nicolls destacou que o serviço já é a maior cobertura 4G por área geográfica do mundo, capaz de atender usuários em zonas sem sinal de qualquer operadora.
A primeira geração conta com 650 satélites e já conectou mais de 16 milhões de usuários únicos. As funcionalidades atuais incluem:
- Chamadas de vídeo e voz
- Troca de mensagens de texto
- Acesso a aplicativos selecionados
- Cobertura em zonas sem sinal terrestre (dead zones)
A limitação da geração atual é a velocidade, estimada em cerca de 4 Mbps, o que restringe usos mais intensivos de dados.

34 OPERADORAS PARCEIRAS, NENHUMA NO BRASIL
O serviço está disponível por meio de parcerias com 34 operadoras móveis em 32 países. Na América Latina, a chilena Entel foi pioneira. Shotwell adiantou no MWC26 que em breve serão anunciadas as primeiras parcerias no México e na Costa Rica — mas o Brasil segue sem operadora parceira confirmada.
Algumas das principais parcerias globais do Starlink Mobile:
| País | Operadora parceira |
|---|---|
| Estados Unidos | T-Mobile |
| Canadá | Rogers |
| Japão | KDDI |
| Chile | Entel |
| México | A confirmar |
| Costa Rica | A confirmar |
A ausência do Brasil chama atenção diante do tamanho do mercado nacional. O avanço depende de negociações entre a SpaceX e as teles brasileiras, além de definições regulatórias de espectro. No cenário atual, já existe ao menos uma operadora que lançou plano via satélite com a Starlink por R$ 20 ao mês.
O presidente da Anatel já declarou que o Brasil pode liderar o uso da Starlink direto em celulares na América Latina, mas as definições regulatórias de espectro ainda precisam avançar para que isso se concretize.
SEGUNDA GERAÇÃO: 5G DO ESPAÇO
A SpaceX está preparando a segunda geração de satélites para o Starlink Mobile, que operará em banda S e funcionará como torres 5G em órbita. As melhorias em relação à geração atual são expressivas:
| Característica | 1ª geração | 2ª geração |
|---|---|---|
| Tecnologia | 4G (banda operadora) | 5G (banda S própria) |
| Tamanho da antena | Padrão | 5x maior |
| Largura de banda por feixe | Padrão | 4x maior |
| Densidade de dados | Base | ~100x superior |
| Velocidade estimada | ~4 Mbps | até 150 Mbps |
| Feixes por satélite | Padrão | 16x mais |
Para funcionar com a segunda geração, os aparelhos precisarão ser compatíveis com o 3GPP Release 17, o que restringe o acesso a smartphones mais recentes. A expectativa é que, no lançamento em 2027, a maioria dos dispositivos nos EUA já seja compatível com o serviço.
STARSHIP E O PLANO DE EXPANSÃO
O plano de lançamento dos novos satélites depende diretamente do megafoguete reutilizável Starship, da SpaceX. Segundo Nicolls, cada missão será capaz de colocar em órbita mais de 50 satélites, com o primeiro lançamento previsto para maio de 2027.
“Com a Starship, poderemos implantar a constelação muito rapidamente. Nosso objetivo é implantar uma constelação capaz de fornecer cobertura global e contínua em até seis meses, com aproximadamente 1,2 mil satélites”, afirmou Nicolls durante o MWC26.

A longo prazo, a SpaceX planeja expandir a constelação D2C para até 15 mil satélites, de acordo com registros regulatórios da empresa. A taxa de transmissão total dos satélites de nova geração ultrapassará 100 Gbps em download e 50 Gbps em upload.
PARCERIA, NÃO CONCORRÊNCIA
Apesar da escala ambiciosa, a SpaceX reforçou no MWC26 que a visão do Starlink Mobile é ser complementar às redes terrestres, não concorrente. A proposta é integrar satélites e torres em uma rede híbrida, ampliando cobertura onde o sinal terrestre não alcança.
“O satélite não pode fornecer a densidade de dados que as redes terrestres têm. Mas pode complementá-las nos lugares onde não alcançam. Ou quando as redes terrestres precisam de capacidade adicional”, explicou Nicolls.
A estratégia de parceria é especialmente relevante no MWC, evento que reúne as principais operadoras do mundo e onde a SpaceX busca ampliar sua base de acordos comerciais. O rebrand de “Direct to Cell” para Starlink Mobile, oficializado no evento, também foi acompanhado do lançamento de um site dedicado ao serviço.












