02/02/2026

Acordo entre Brasil e UE cria ‘zona livre e segura’ para troca de dados

A decisão, anunciada por autoridades dos dois lados, reconhece que o país adota regras compatíveis com os padrões europeus de proteção da informação e cria um novo cenário para negócios digitais.

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Imagem: Shutterstock/Reprodução

O Brasil passou a integrar um grupo restrito de países autorizados a trocar dados pessoais com a União Europeia sem exigências adicionais. A decisão, anunciada por autoridades dos dois lados, reconhece que o país adota regras compatíveis com os padrões europeus de proteção da informação e cria um novo cenário para negócios digitais.

Na prática, o entendimento permite que dados circulem entre empresas brasileiras e europeias de forma contínua, sem a necessidade de cláusulas contratuais extras ou autorizações específicas. Trata-se de um passo relevante para setores que dependem do processamento internacional de informações, como telecomunicações, tecnologia e serviços digitais.

O reconhecimento se baseia na avaliação da legislação brasileira, especialmente no conjunto de normas que regulam o tratamento de dados pessoais, contidos na Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). O processo analisou garantias aos titulares, mecanismos de fiscalização e a atuação das autoridades responsáveis pela aplicação da lei.

Efeito econômico e ambiente digital

Para o mercado, o impacto desse novo acordo tende a ser imediato. Empresas que operam entre Brasil e Europa ganham previsibilidade jurídica e reduzem custos ligados à conformidade regulatória. 

No setor de telecomunicações, a expectativa é de maior fluidez em projetos que envolvem armazenamento em nuvem, centros de dados e soluções corporativas distribuídas.

Especialistas em economia digital avaliam que a decisão fortalece a posição do Brasil como destino de investimentos. A segurança jurídica na transferência de dados é vista como um fator decisivo para empresas globais que buscam ampliar operações na América Latina.

Além disso, o acordo amplia a competitividade de companhias brasileiras que prestam serviços a clientes europeus. Com menos barreiras legais, essas empresas passam a disputar espaço em condições mais equilibradas.

Reflexos no Mercosul

Embora o entendimento seja bilateral, ele repercute no Mercosul. O avanço brasileiro tende a influenciar discussões regionais sobre integração digital e harmonização regulatória, temas cada vez mais presentes nas negociações do bloco.

Analistas observam que o movimento pode pressionar outros países a revisar seus próprios marcos legais, caso queiram manter competitividade em um ambiente global cada vez mais orientado por dados.

Recentemente publicamos uma matéria onde foi destacado como acordos recentes entre Mercosul e União Europeia podem transformar o setor de telecom na América do Sul.

O que esperar agora?

Autoridades ressaltam que o acordo de “liberdade de dados” entre Brasil e UE não encerra o debate. A aplicação prática das regras e a fiscalização contínua serão determinantes para manter a confiança no sistema. 

O consenso é que o avanço abre oportunidades, mas exige responsabilidade de empresas e reguladores no uso das informações.

* Com informações do Telecom Review

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