
A Unifique Telecom, com sede em Santa Catarina, oficializou a compra dos direitos de uso de uma faixa de frequência 5G no Paraná, que até então estava sob controle da Ligga Telecom.
O movimento é mais um que consolida a operadora entre os principais players regionais com estrutura própria para serviços móveis.
O acordo envolve um espectro de 80 MHz na faixa de 3,5 GHz, a mais cobiçada para aplicações em 5G, e prevê um desembolso de R$ 20 milhões. O valor será pago em três etapas, sendo a primeira imediata e as demais condicionadas à aprovação da Anatel e à formalização das condições contratuais.
Mas não se trata apenas da transferência de um ativo. Ao assumir o espectro, a Unifique herda também todos os compromissos firmados no leilão do 5G de 2021, o que inclui obrigações pesadas de cobertura em municípios de menor porte.
Municípios pequenos, compromisso grande
De acordo com os termos herdados do consórcio original, a Unifique deverá implantar 745 antenas até o fim da década. Essas estruturas vão atender 336 cidades paranaenses com menos de 30 mil moradores. O prazo estipulado vai de 2026 a 2030, e a tecnologia exigida é o 5G NR ou superior.
Além do montante acertado com a Ligga, a Unifique também ficará responsável por quitar o saldo da outorga com a Anatel, algo em torno de R$ 1,76 milhão, dividido em 20 pagamentos anuais.
Ganhos em escala e cobertura integrada
A aquisição da faixa paranaense completa o quebra-cabeça da Unifique no Sul do país. A empresa já operava com licenças nos estados vizinhos, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, mas ainda não tinha presença espectral no Paraná. Com isso, passa a reunir cobertura potencial sobre 1.191 municípios e pode alcançar, em tese, uma base de até 30 milhões de pessoas.
A companhia destacou que a expansão permitirá reforçar o uso de infraestrutura própria no atendimento móvel, o que reduz dependências operacionais e eleva a competitividade frente às grandes operadoras.
Para a Ligga, um alívio regulatório
Se por um lado a Unifique avança, a Ligga ajusta sua estratégia. Com dificuldades para atender as metas do edital, a empresa decidiu abrir mão da frequência no Paraná.
A venda representa, na prática, uma saída honrosa de uma frente que exigiria investimentos de peso em curto prazo.
A operadora ainda negocia a transferência de outros ativos, incluindo espectros em São Paulo e regiões do Norte, o que demonstra um processo mais amplo de reestruturação.





