29/01/2026

WhatsApp é processado nos EUA; brasileiros acusam quebra de sigilo em mensagens

Denúncia questiona integridade da criptografia do app; Meta nega e promete se defender.

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Imagem: Midjourney/Reprodução

O WhatsApp está no centro de uma nova controvérsia internacional. Desta vez, a acusação parte de usuários, incluindo brasileiros, que alegam que o aplicativo violaria sua própria promessa de confidencialidade. 

A ação foi registrada na Justiça dos Estados Unidos, mais especificamente em um tribunal de San Francisco, e levanta suspeitas sobre o real alcance da criptografia de ponta a ponta oferecida pelo serviço.

O processo, aberto no fim de janeiro, sustenta que a empresa controladora do app, a Meta, teria acesso ao conteúdo de conversas privadas, o que, se confirmado, contrariaria a política de privacidade amplamente divulgada pela plataforma. Para os autores, essa suposta prática configuraria uma violação direta ao direito de privacidade digital.

O que dizem os denunciantes?

Segundo os autos, o WhatsApp manteria mecanismos capazes de burlar a criptografia aplicada nas mensagens. A alegação, embora grave, baseia-se em informações atribuídas a fontes internas, cuja identidade foi mantida em sigilo. 

Os relatos sugerem que a empresa arquivaria e analisaria interações entre usuários, mesmo com o sistema criptografado em funcionamento.

O documento judicial ainda argumenta que essas práticas ocorrem sem o consentimento dos usuários e em total desacordo com os compromissos públicos firmados pela companhia nos últimos anos.

Posição oficial da empresa

A Meta refutou com veemência as acusações. Em resposta, disse que a ação carece de fundamento e reforçou que a criptografia de ponta a ponta utilizada pelo WhatsApp segue padrões de segurança consagrados no setor, especialmente por adotar o protocolo Signal, o mesmo aplicado por outros apps de reputação sólida.

A empresa ainda sinalizou que poderá buscar medidas contra os responsáveis pela ação judicial, alegando tentativa de deturpar fatos técnicos e causar danos à imagem do serviço.

Entenda a criptografia envolvida

O sistema de proteção adotado pelo WhatsApp impede, em tese, que terceiros, incluindo a própria empresa, leiam o conteúdo das mensagens. O funcionamento desse modelo pressupõe que apenas os envolvidos em uma conversa têm acesso ao que é dito.

No entanto, especialistas alertam que o sistema pode ter vulnerabilidades, sobretudo quando o conteúdo é salvo em backups externos, como em nuvens sincronizadas. 

Esse tipo de brecha, ainda que não comprometa o processo de criptografia em si, levanta dúvidas sobre a real blindagem das informações.

Histórico de polêmicas

Esta não é a primeira vez que o WhatsApp é alvo de questionamentos sobre privacidade. No Brasil, o Ministério Público Federal e o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor moveram, em 2024, uma ação contra o mensageiro, pedindo indenização bilionária por supostas violações à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

Com o novo caso chegando à Justiça norte-americana, o debate sobre segurança e transparência digital se intensifica. O desfecho da ação poderá influenciar o modo como plataformas semelhantes lidam com dados e comunicação privada nos próximos anos.

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