
A infraestrutura de telecomunicações na região Norte ganhou um reforço importante neste início de ano. O Brasil recebeu 3.170 quilômetros de cabos de fibra óptica, que serão usados na expansão do programa Norte Conectado, iniciativa voltada a levar internet de alta capacidade para áreas remotas da Amazônia.
O material chegou ao país vindo da China e faz parte da construção de três novas infovias, que serão instaladas no leito de rios amazônicos.
A previsão do governo federal é que o trabalho de transferência e preparação leve cerca de um mês, com o início da instalação programado para maio de 2026.
Na prática, o que está em jogo é a ampliação da rede em um território onde a conectividade ainda depende de soluções limitadas, com instabilidade e baixa velocidade em vários municípios.
Infovias na Amazônia: internet pela rota dos rios
O projeto aposta em um caminho que, para a região, faz sentido por razões técnicas e geográficas: em vez de abrir longos trechos em terra firme, a instalação ocorre pelos rios. Isso reduz a necessidade de intervenções no solo e evita uma parte das dificuldades logísticas que costumam travar obras em áreas de floresta.
Não se trata apenas de levar sinal para “mais lugares”. O plano é criar uma base robusta para que serviços digitais funcionem de forma contínua, inclusive onde hoje ainda há gargalos que afetam o dia a dia de escolas, unidades de saúde e órgãos públicos.
Com a nova estrutura, a expectativa é que o tráfego de dados na região ganhe estabilidade, algo que muda o cenário para quem depende de conexão para trabalhar, estudar ou acessar serviços essenciais.
O que os novos cabos de fibra óptica entregam na prática
Os cabos recebidos têm 24 pares de fibra óptica, com capacidade anunciada de transmissão de até 96 terabytes por segundo.
É um volume que chama atenção porque coloca a região em outro patamar de infraestrutura, ao menos do ponto de vista do backbone, que é o “caminho principal” por onde os dados circulam.
O efeito dessa expansão não fica restrito ao usuário final. Quando a rede troncal melhora, abre-se espaço para:
- Aumento de capacidade para provedores locais;
- Mais estabilidade para links corporativos e governamentais;
- Melhora na distribuição de internet em cidades menores;
- Suporte a serviços mais pesados, como telemedicina e ensino remoto com vídeo.
Mesmo sem prometer “internet perfeita”, o avanço é relevante porque ataca a raiz do problema: falta de estrutura de transporte de dados em escala.
Norte Conectado entra em nova fase com participação das operadoras
A expansão das infovias está dentro do guarda-chuva do programa Norte Conectado, que vem sendo tratado pelo governo como uma das principais iniciativas para reduzir o abismo digital na Amazônia.
Um ponto que ajuda a entender o momento atual do projeto é a entrada mais direta das grandes teles. Como já noticiamos antes, Vivo, TIM e Claro foram autorizadas a atuar no programa, movimento que reforça a expectativa de maior capilaridade e de novas frentes de investimento.
E o cabo submarino? Conexão internacional também entra no radar
Embora o foco esteja na Amazônia e nas redes fluviais, há um segundo elemento que ajuda a montar o quebra-cabeça da conectividade no Norte: a expansão de rotas internacionais.
Em um evento realizado em Caiena, na Guiana Francesa, o Ministério das Comunicações participou da cerimônia que marcou a chegada de um cabo submarino voltado a ampliar a ligação entre a região e a Europa. O sistema está ligado à rede EllaLink, que já conecta o Brasil ao continente europeu a partir de Fortaleza (CE).
Esse tipo de obra costuma ser pouco visível para o público, mas tem peso real no funcionamento da internet. Cabos submarinos significam mais capacidade, mais redundância e, em alguns casos, rotas alternativas que ajudam a reduzir gargalos quando há falhas ou congestionamento.
E existe um detalhe importante nessa discussão: o Brasil concentra grande parte da entrada de tráfego internacional em poucos pontos do litoral.
O Minha Operadora já explicou isso ao mostrar que uma praia no Ceará recepciona 90% da internet que chega ao país, um dado que ajuda a dimensionar por que novas rotas são tratadas como estratégicas.
Infraestrutura digital vira peça central para a Amazônia
O recebimento de mais de 3 mil quilômetros de cabos de fibra óptica não é um detalhe técnico, nem um projeto distante. É uma obra que mexe com o funcionamento da região e com a forma como o Norte se integra ao restante do país.
Quando o backbone melhora, o restante do ecossistema tende a acompanhar: provedores conseguem expandir, órgãos públicos passam a operar com menos limitações e, aos poucos, a internet deixa de ser um obstáculo permanente.
Ao mesmo tempo, a movimentação em torno de um novo cabo submarino mostra que o tema da conectividade não está restrito ao mapa interno. A Amazônia pode ganhar rede pelos rios, mas o Brasil continua precisando fortalecer também as rotas que ligam o país ao mundo.
* Com informações do Ministério das Comunicações





