
A Vivo, marca da Telefónica Brasil, superou pela primeira vez o valor de mercado da sua controladora espanhola, a Telefónica S.A., em um marco histórico que evidencia o contraste entre o desempenho robusto da operação brasileira e as dificuldades enfrentadas pela matriz em Madri. A inversão ocorreu em 22 de janeiro de 2025, quando a subsidiária brasileira atingiu €19 bilhões (aproximadamente R$118 bilhões), enquanto a controladora ficou em €18,8 bilhões.
O feito ganha ainda mais relevância considerando que a Telefónica S.A. detém cerca de 77% da Telefónica Brasil. Nos últimos 12 meses, as ações da operadora brasileira dispararam 40%, enquanto os papéis da matriz espanhola recuaram 13% no mesmo período. Para efeito de comparação, o índice europeu Stoxx 600 Telecom registrou alta de 8,6% no período.
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Desempenho contrastante nas bolsas
| Empresa | Variação em 12 meses | Valor de mercado atual |
|---|---|---|
| Telefónica Brasil (Vivo) | +40% | €19 bilhões |
| Telefónica S.A. | -13% | €18,8 bilhões |
| Índice Stoxx 600 Telecom | +8,6% | – |
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Crise na matriz espanhola
A crise de confiança na Telefónica S.A. se intensificou desde novembro de 2024, quando a empresa promoveu um evento com investidores e anunciou medidas negativas: corte nos dividendos e redução na projeção de fluxo de caixa livre. Desde então, o mercado financeiro demonstra ceticismo em relação à nova gestão da companhia.
Marc Murtra assumiu como CEO da Telefónica S.A. em janeiro de 2025, indicado pelo governo espanhol, que possui 10% de participação na empresa. Sem experiência anterior na liderança de grandes corporações, Murtra enfrenta o desafio de reposicionar o grupo globalmente, mas ainda não conseguiu convencer os investidores sobre a viabilidade de sua estratégia.
As medidas adotadas pelo novo comando incluíram aceleração da saída de mercados latino-americanos com desempenho fraco, substituição da maior parte da alta gestão e anúncio de cortes radicais de empregos. Apesar das mudanças estruturais, as ações da empresa seguem pressionadas, com analistas demonstrando dúvidas quanto à capacidade de execução da nova liderança.
Brasil como principal força
Enquanto isso, a Telefónica Brasil vive seu melhor momento em anos. O Brasil representa hoje o segundo maior mercado da empresa no mundo. Os principais fatores que explicam o sucesso da Vivo no mercado brasileiro incluem:
- Ganho de eficiência operacional
- Ampliação de receita com serviços digitais
- Consolidação da migração de clientes do pré-pago para o pós-pago, com maior margem de lucro
- Benefício da consolidação do setor após aquisição da Oi Móvel
- Política estável de distribuição de dividendos
A operadora brasileira mantém uma política estável de distribuição de dividendos, diferentemente da matriz espanhola, fator que contribuiu para atrair investidores locais em meio ao ciclo de queda dos juros no Brasil. A ultrapassagem em valor de mercado representa não apenas um momento simbólico, mas reflete a solidez da operação da Vivo no mercado brasileiro de telecomunicações.
A empresa consolidou sua posição de liderança no país, enquanto sua controladora busca reestruturação para recuperar a confiança do mercado financeiro internacional.





