20/01/2026

UE endurece regras e pressiona países a banirem Huawei e ZTE de redes críticas

Bruxelas pressiona por retirada obrigatória de fornecedores considerados de alto risco, mesmo com resistência de alguns países.

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Imagem: Midjourney/Reprodução

A União Europeia voltou a acender o sinal de alerta sobre o uso de equipamentos de empresas chinesas nas redes de telecomunicação do bloco. 

Agora, a Comissão Europeia propõe que a retirada da Huawei e da ZTE, antes apenas recomendada, se torne uma exigência formal entre os 27 países-membros.

A proposta circula entre os bastidores de Bruxelas com um objetivo claro: reforçar a segurança das infraestruturas críticas, especialmente as que envolvem o 5G. Para isso, a Comissão quer que os países se comprometam com prazos definidos para substituir os equipamentos desses fabricantes.

Orientações que ganham força de lei

Desde 2020, os governos da UE recebem orientações por meio de uma espécie de manual técnico conhecido como “5G Toolbox”. 

Ele alerta sobre riscos potenciais no uso de equipamentos de origem considerada sensível. O problema é que, até agora, a adesão tem sido irregular.

Apenas 11 países, segundo a própria Comissão, cumpriram as diretrizes integralmente. Outros permanecem reticentes, seja por questões econômicas, seja por pressões diplomáticas. Alemanha e Itália estão entre os que ainda mantêm fornecedores chineses em operação.

Segurança ou política? Empresas reagem

Huawei e ZTE, as duas gigantes chinesas do setor, rechaçam qualquer alegação de ameaça. Afirmam operar com transparência e cumprir as normas locais. 

A Huawei, em nota, sugeriu que a discussão tem mais a ver com disputas geopolíticas do que com aspectos técnicos.

Pequim também reagiu. O governo chinês classificou a movimentação da Comissão como uma “atitude discriminatória”, insinuando que poderá responder com medidas comerciais.

O impacto vai além das fronteiras da União

Se for adiante, a proposta europeia pode desencadear ondas maiores. O corte de duas grandes fornecedoras do mercado pode favorecer concorrentes de países ocidentais e provocar reações em outras regiões do mundo que adotam modelos semelhantes ao europeu em suas redes.

Para o mercado, o sinal é claro: há uma redefinição de prioridades em curso e os critérios não são mais apenas custo e desempenho, mas também confiança e soberania tecnológica.

Ainda há dúvidas sobre o caminho final

A proposta da Comissão ainda precisa do aval político dos Estados-membros, o que não será simples. O cenário é fragmentado, com diferentes níveis de envolvimento com fornecedores chineses, além de interesses comerciais em jogo.

Enquanto isso, empresas de telecomunicações acompanham a discussão com cautela. Um eventual banimento exigirá investimentos pesados em substituição de infraestrutura e tempo. O consenso, por ora, parece distante.

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