
A chegada de 2026 pode marcar uma virada preocupante para o mercado de smartphones, especialmente os modelos mais acessíveis.
De acordo com informações publicadas pelo site especializado Android Authority, fabricantes de celulares devem enfrentar os efeitos de uma escassez global de memória RAM, insumo essencial para o desempenho dos dispositivos móveis.
A alta demanda do setor de inteligência artificial por chips de memória está pressionando a cadeia de suprimentos, que não tem conseguido acompanhar o ritmo.
Com mais empresas investindo em servidores e data centers robustos, a RAM se tornou um dos componentes mais disputados no mercado de tecnologia. O resultado? Estoques reduzidos e preços em alta.
Ainda em 2025, as grandes marcas absorveram parte desse custo, evitando repassá-lo ao consumidor final. No entanto, o cenário tende a mudar nos próximos meses.
A expectativa é que os aumentos comecem a ser sentidos em novos lançamentos, e os primeiros a sofrer as consequências devem ser os smartphones de entrada, justamente os mais populares entre os consumidores brasileiros.
Modelos básicos devem ter RAM reduzida
Enquanto dispositivos topo de linha podem manter configurações robustas, os celulares intermediários e de baixo custo devem ser os principais impactados.
Para equilibrar o orçamento e evitar aumentos bruscos nos preços finais, fabricantes podem optar por reduzir a quantidade de memória RAM desses aparelhos.
Há indícios de que celulares que hoje trazem 8GB de RAM passem a ter apenas 6GB, ou até 4GB, nas próximas versões. Isso representa uma perda significativa de performance, especialmente em tempos em que o próprio sistema operacional, os aplicativos e os recursos de inteligência artificial consomem cada vez mais recursos.
Consumidor deve observar especificações com mais atenção
A possível redução de RAM nos novos aparelhos pode não ser imediatamente percebida pelo consumidor médio. É comum que o público foque em câmeras, tela ou preço, deixando de lado detalhes como memória e processador. No entanto, essas mudanças afetam diretamente a experiência de uso, como travamentos, lentidão e menor tempo de vida útil do aparelho.
Em um contexto de inflação de componentes, o mercado pode assistir a uma tendência paradoxal: pagando mais por celulares que entregam menos. Com menos memória RAM, os dispositivos podem ter desempenho inferior, mesmo que os preços permaneçam os mesmos — ou até aumentem.
Impacto pode ser maior no Brasil
O efeito dessa escassez deve ser ainda mais sensível em mercados como o brasileiro, onde boa parte dos celulares é vendida por operadoras ou grandes redes varejistas. Os modelos oferecidos nesta modalidade tendem a ser justamente os mais básicos, com foco em custo-benefício.
Sem incentivos governamentais diretos para a indústria de semicondutores e com forte dependência de importações, o país está vulnerável às oscilações do mercado global. Se a crise na oferta de RAM se intensificar, é provável que o consumidor nacional enfrente reajustes mais agressivos.
Tendência deve seguir até o fim do próximo ano
Analistas indicam que a situação não deve se normalizar rapidamente. O crescimento contínuo do setor de inteligência artificial e a lentidão na expansão da capacidade produtiva dos fabricantes de chips indicam que a pressão sobre os preços da RAM pode persistir por todo o ano de 2026.
Diante desse panorama, especialistas recomendam que os consumidores que pretendem trocar de aparelho em breve fiquem atentos às especificações técnicas e, se possível, antecipem a compra, antes que as novas remessas tragam configurações mais modestas e valores inflacionados.
* Com informações do Android Authority





