TikTok pode ser banido: questões políticas podem derrubar rede social

Ana Cláudia
5 min de leitura

A comissão de investigação do Senado encarregada de examinar o funcionamento e a “estratégia de influência” do aplicativo chinês TikTok recomendou, hoje (6), uma melhoria no monitoramento e exige que a plataforma adote uma série de medidas de precaução, sob o risco de ter seus serviços interrompidos na França.

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Tiktok

O prazo estabelecido para a rede social é até 1º de janeiro de 2024 para esclarecer a natureza de suas conexões com as autoridades chinesas e implementar uma moderação de conteúdo efetiva, além de promover um “sistema de verificação de idade eficaz”.

Caso contrário, os senadores instaram o governo francês a interromper o uso do aplicativo no país e até mesmo solicitar a sua “suspensão na União Europeia”.

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A comissão tem a intenção de responsabilizar o TikTok pelos seus conteúdos e pelo papel ativo que desempenha na transmissão de vídeos, ao agir de forma direcionada em relação ao funcionamento do seu algoritmo de recomendações.

Questões políticas na França e o TikTok

As redes sociais estão sob escrutínio na França devido ao seu suposto envolvimento no recente surto de violência urbana desencadeado pela morte de um adolescente por um policial.

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Um relatório da comissão de inquérito do Senado revelou que tais plataformas poderiam ser exploradas pelas autoridades chinesas para minar a imagem da democracia. Durante a invasão da Ucrânia, o TikTok foi acusado de espionar jornalistas, transferir dados de usuários para a China e censurar conteúdo em benefício de Pequim e seus aliados.

A comissão de inquérito levantou dúvidas sobre o modelo econômico do TikTok, sugerindo que a plataforma não é apenas um empreendimento econômico, mas também um empreendimento político voltado para a coleta de dados pessoais.

Em resposta, o governo francês está considerando a possibilidade de suspender certas funcionalidades das redes sociais em casos de distúrbios graves. Os parlamentares recomendam uma moderação mais rigorosa em situações de perturbação da ordem pública e a autoridade para remover ou bloquear o acesso a determinados conteúdos.

Essas medidas refletem a crescente preocupação com o papel das redes sociais na disseminação de informações sensíveis e na manipulação de eventos políticos. O uso indevido dessas plataformas para incitar violência ou interferir em assuntos internacionais levanta questões sobre a responsabilidade das empresas de tecnologia na proteção dos usuários e na preservação da estabilidade social.

Segurança 

A comissão parlamentar francesa está preocupada com a segurança cibernética relacionada ao TikTok e outras redes sociais. O relator da comissão, Claude Malhuret, argumenta que essas redes são “antissociais” e destaca os excessos frequentes observados nelas. Ele enfatiza a dependência do TikTok de sua empresa controladora ByteDance, sediada nas Ilhas Cayman por razões de opacidade, mas de propriedade e controle de acionistas chineses. A lei chinesa exige que as empresas revelem dados armazenados em seus servidores quando solicitados pelo Estado.

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A comissão parlamentar faz várias recomendações, que podem se tornar propostas legislativas no próximo ano letivo, a partir de setembro. Essas novas regras não se aplicam apenas ao TikTok, mas também a seus concorrentes americanos.

O Senado francês está determinado a relatar as várias controvérsias que cercam o aplicativo TikTok, que se tornou extremamente popular entre os adolescentes durante o confinamento da pandemia de Covid-19.

Os senadores estão preocupados com a natureza “viciante” do TikTok e com a exposição de usuários muito jovens a vídeos curtos, que em alguns casos contêm desinformação. Eles recomendam até mesmo o bloqueio do aplicativo após 60 minutos de uso por menores de idade.

O TikTok já está proibido para funcionários do Estado francês devido aos riscos de segurança cibernética. A comissão parlamentar propõe estender essa proibição a todos os operadores públicos ou privados considerados de “vital importância”.

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