Já há algum tempo o governo federal está planejando criar uma rede de celular privada (RCP). O objetivo é montar uma cadeia de comunicação totalmente privativa para órgãos de segurança pública, saúde, dentre outros.
Nesse caso, o governo pretende investir em uma SMVNO, uma espécie de operadora móvel virtual com protocolos de segurança mais rígidos.
Em outras palavras, a União não quer investir em uma estrutura de telefonia própria, mas também não quer depender de terceiros para garantir a segurança desse ecossistema.
Como funciona uma SMVNO?
O funcionamento de uma SMVNO (operadora móvel virtual segura, na sigla em inglês) baseia-se em um modelo híbrido. Na prática, o governo utilizará a infraestrutura física de antenas de uma operadora tradicional de mercado, mas rodará as comunicações dentro de um ecossistema blindado.
Para que isso aconteça, a rede contará com um core (núcleo) de rede próprio e totalmente separado daquele utilizado pelos clientes comuns das teles.
Somado a isso, o projeto prevê uma plataforma de comunicação voltada para serviços de missão crítica, dotada de criptografia adicional de ponta a ponta, além de criptografia nos próprios links de conexão.
A grande novidade técnica, no entanto, deve ficar por conta de uma mudança regulatória que já está em discussão. O objetivo é permitir que a comunicação das forças de segurança tenha prioridade absoluta de tráfego dentro da rede de acesso contratada, evitando que o serviço sofra qualquer tipo de lentidão ou queda em áreas com alta densidade de usuários.
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Entidades beneficiadas pela iniciativa
A implementação dessa nova operadora virtual pretende acabar com os antigos silos de comunicação entre as forças de segurança. A rede integrada no Distrito Federal vai atender aos seguintes órgãos públicos:
- Polícia Militar e Corpo de Bombeiros do DF;
- Samu e Detran do Distrito Federal;
- Polícia Federal (PF) e Polícia Rodoviária Federal (PRF);
- Polícia do Senado e Polícia da Câmara dos Deputados;
- Exército Brasileiro.
O que dizem os coordenadores e operadoras?
A construção dessa rede celular privativa é, na verdade, uma das obrigações previstas no leilão do 5G para as teles vencedoras. Atualmente, a coordenação de todo o projeto está sob o guarda-chuva da EAF (Entidade Administradora da Faixa), enquanto a operação oficial da rede ficará a cargo da Telebras.
Por parte dos executivos que lideram a iniciativa, o tom é de cautela e foco no planejamento de longo prazo. De acordo com Geraldo Segatto, diretor de operações da EAF, o projeto é pioneiro na América Latina e possui uma complexidade alta.
O executivo lembra que países como a França levaram cerca de cinco anos para desenhar e implementar suas respectivas redes privativas de emergência.
As impressões do setor indicam que o momento atual é de definição burocrática e técnica. Antes da abertura das concorrências (RFPs) para a contratação da estrutura, os órgãos envolvidos — que incluem o Ministério da Justiça, o Ministério das Comunicações e a Anatel — precisam bater o martelo sobre o modelo de governança e como será feito o rateio dos custos de manutenção do ecossistema.












