Sindicatos de trabalhadores do setor de telecomunicações anunciaram, na última sexta-feira (24), uma mobilização nacional em defesa dos empregados da Oi diante do acirramento da crise na companhia. A medida foi divulgada em carta conjunta pelas federações Fenattel, Fitratelp e Fitt/Livre, que repudiaram o que classificaram como um vácuo gerencial na operadora e cobraram providências urgentes das autoridades.
O documento foi publicado logo após a Oi pedir à Justiça do Rio de Janeiro, ainda nesta semana, autorização para demitir parte do quadro de colaboradores sem o pagamento imediato das verbas rescisórias devidas. A companhia alega que o caixa disponível deve se esgotar a partir de 10 de agosto, o que motivou a reação imediata das entidades e a organização de atos de protesto em diferentes frentes.
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PEDIDO DE DEMISSÃO SEM PAGAMENTO
Segundo petição enviada à 7ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, a administração da recuperação judicial da Oi afirma que o patrimônio líquido negativo do grupo já supera R$ 22,6 bilhões, com referência a março de 2026 e projeção de novo agravamento nos próximos meses. A previsão de caixa para o fim de julho, que era de R$ 88,1 milhões segundo o fluxo projetado em abril, caiu para apenas R$ 19,6 milhões.
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Diante desse cenário, a gestão judicial pediu a liberação imediata de R$ 27,4 milhões e solicitou que o pagamento das rescisões seja adiado para o momento em que houver um evento de liquidez futuro, como a venda das unidades V.tal ou Oi Soluções. Na petição, a administração judicial classifica a situação financeira das Recuperandas como de extrema gravidade, com sacrifícios extremos no pagamento de fornecedores e da folha de pessoal.
RISCO PARA SERVIÇOS ESSENCIAIS
Em ofício à Justiça, a Oi alertou que a paralisação de suas operações pode comprometer serviços considerados essenciais em todo o país. Entre os setores citados pela companhia estão:
- Eleições 2026, com risco à transmissão de dados entre zonas eleitorais em centenas de municípios
- Poder Judiciário, com possível interrupção de sistemas processuais eletrônicos em diversas comarcas
- Casas lotéricas, usadas no pagamento de benefícios sociais como o Bolsa Família
- Telefonia fixa, ainda operada pela Oi até a conclusão da venda para outra empresa
- Prefeituras que dependem da infraestrutura da operadora para serviços administrativos
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TEMOR COM EX-FUNCIONÁRIOS DA SEREDE
As federações também cobram uma solução definitiva para os cerca de cinco mil ex-funcionários da Serede, subsidiária de serviços de campo da Oi cujo quadro foi demitido no fim de 2025 sem o pagamento de direitos trabalhistas. João de Moura Neto, presidente da Fitratelp, afirma que a Justiça repetiria o mesmo erro cometido com a Serede caso aceite o novo pedido de demissões da operadora.
Os recursos da Oi tinham de ser usados para acertar as dívidas trabalhistas, desabafou o sindicalista. As entidades também reclamam que trabalhadores pertencentes ao mesmo grupo econômico recebem tratamento distinto em processos judiciais fragmentados, o que amplia a sensação de insegurança entre os empregados da companhia e reforça o pedido por uma resposta rápida da Justiça.

PRESSÃO SOBRE GOVERNO E JUSTIÇA
Além da mobilização nacional, as federações organizam um ato em frente ao Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, que supervisiona a recuperação judicial da Oi, somado a uma manifestação virtual que deve reunir sindicatos de trabalhadores de telecom de todo o país. O objetivo é sensibilizar o Judiciário, o Governo Federal e o Congresso Nacional sobre a gravidade da crise enfrentada pela operadora.
As entidades voltaram a defender a criação de uma mesa interministerial de crise, reunindo Casa Civil, Advocacia-Geral da União, Anatel e os ministérios das Comunicações e do Trabalho para discutir o futuro da companhia. As Federações permanecerão mobilizadas até que seja construída uma solução equilibrada, socialmente justa e compatível com a importância estratégica da Oi para o País, conclui a carta.












