Divulgação/Telebras

Telebras tem prejuízo de R$ 89,5 mi no 1º tri

Cristino Melo
6 min de leitura

A Telebras encerrou o primeiro trimestre de 2026 com prejuízo líquido de R$ 89,5 milhões, resultado bem mais negativo do que os R$ 10,9 milhões registrados no mesmo período de 2025. O desempenho preocupou o mercado mesmo diante de um crescimento relevante na receita operacional líquida, que avançou 17,9% na comparação anual, atingindo R$ 134,9 milhões entre janeiro e março deste ano.

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O resultado foi divulgado pela própria estatal em balanço financeiro publicado na noite da última sexta-feira. A deterioração foi causada por dois fatores principais: o aumento dos custos e despesas operacionais acima do crescimento das receitas e a queda drástica nas subvenções orçamentárias repassadas pelo governo federal à companhia ao longo do trimestre.

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RECEITAS AVANÇAM, MAS NÃO SUSTENTAM O RESULTADO

O crescimento da receita foi puxado principalmente por reajustes contratuais e pela entrada de novos clientes na base da Telebras. Veja o desempenho por segmento no trimestre:

  • SCM (Banda Larga): R$ 116,2 milhões em receita bruta, alta de 15,7% sobre o 1º tri de 2025, impulsionado por reajustes no âmbito do Gesac
  • Serviços de Valor Adicionado (SVAs): R$ 11,2 milhões, mais que o dobro dos R$ 5 milhões registrados um ano antes, alta de 124,3%
  • Locação de capacidade satelital: R$ 9,1 milhões, estável na comparação anual, referente à cessão ao Ministério da Defesa
  • Aluguéis e locações: R$ 6,2 milhões, queda de 5,1%, incluindo cabos ópticos, roteadores e infraestrutura ligada ao contrato com a Viasat

O crescimento nas receitas foi real, mas insuficiente para compensar a pressão dos custos que avançaram em ritmo muito superior no mesmo período.

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Telebras
Arte/Minha Operadora

CUSTOS CRESCEM ACIMA DA RECEITA

O principal vilão do trimestre foi o avanço dos custos e despesas operacionais, que somaram R$ 157,7 milhões, alta de 34,1% frente aos R$ 117,7 milhões do primeiro trimestre de 2025. O crescimento foi quase o dobro do avanço da receita. As duas rubricas que mais pesaram foram:

  • Meios de conexão e transmissão: subiram 45,6%, para R$ 52,5 milhões, em função da maior contratação de circuitos EILD para atender à expansão da demanda
  • Serviços de terceiros: cresceram 35,6%, chegando a R$ 51,3 milhões, pelo aumento nos gastos com manutenção e instalação de equipamentos satelitais e diversificação de fornecedores além da Viasat

O descompasso entre receitas e custos foi apontado pela própria empresa como um dos fatores centrais para a deterioração do resultado no período.

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EBITDA NEGATIVO E QUEDA DAS SUBVENÇÕES

O EBITDA ajustado ficou negativo em R$ 13,6 milhões no primeiro trimestre, uma reversão expressiva frente ao resultado positivo de R$ 74,1 milhões registrado um ano antes, queda de 118,3%. A margem EBITDA ajustada acompanhou a retração, encerrando em -10%, contra +64,8% no mesmo trimestre de 2025. A piora reflete diretamente a combinação de custos em alta e subvenções em colapso.

As subvenções orçamentárias recebidas pela Telebras caíram 90,7% na comparação anual, de R$ 77,6 milhões para apenas R$ 7,2 milhões no período. Sem esse repasse governamental, os indicadores seriam ainda mais negativos: o EBITDA ajustado teria chegado a -R$ 20,7 milhões e a margem cairia para -15,4%. A redução dos repasses está diretamente ligada ao contrato de gestão firmado com o Ministério das Comunicações em setembro de 2025.

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CAIXA ROBUSTO E TRANSIÇÃO PARA EMPRESA INDEPENDENTE

Apesar do prejuízo, a situação financeira da Telebras tem um ponto positivo relevante: a companhia encerrou março de 2026 com dívida líquida negativa de R$ 555,1 milhões. Isso significa que o caixa e as aplicações financeiras superam amplamente a dívida bruta, que caiu 84,6% em base anual, para apenas R$ 20 milhões. O caixa e equivalentes encerraram o trimestre em R$ 738,3 milhões, ante R$ 540 milhões em dezembro de 2025.

Os investimentos em bens de capital (Capex) somaram R$ 8,7 milhões no trimestre, alta de 31,3% sobre os R$ 6,6 milhões aplicados um ano antes. No campo estratégico, a Telebras informou que firmou contrato de gestão com o Ministério das Comunicações para implementar um Plano de Sustentabilidade Econômico-Financeira, com o objetivo de regulamentar a transição da estatal para o regime de empresa não dependente do Orçamento Fiscal da União. A empresa permanece classificada como dependente até a conclusão do processo.

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