O presidente da TIM no Brasil, Alberto Griselli, afirma que o setor de telecomunicações opera sob regras injustas e cobra do governo federal uma reforma urgente na regulação e na tributação. A declaração foi dada em entrevista à revista Veja e acende um alerta sobre os riscos de o país perder competitividade global caso não modernize seu marco regulatório.
Leia mais:
- Unifique passa a controlar mais uma provedora local em SC
- Mais um banco digital vira operadora e lança planos móveis
- Venda de ativos da Ligga à Brasil TecPar é aprovada por acionistas
Griselli, que está à frente da TIM desde 2022, defende que as operadoras sejam reconhecidas como serviço essencial, assim como ocorre com energia elétrica. “Carregamos uma carga tributária muito alta sem que os recursos retornem em benefício direto para a infraestrutura”, afirmou o executivo, que comanda uma empresa com 60 milhões de clientes e mais de 13 mil funcionários.

TRIBUTAÇÃO DESPROPORCIONAL
Na avaliação do executivo, o setor é taxado de forma desproporcional. “Apesar de sermos um serviço essencial, nosso setor é tributado quase como se fosse um bem de luxo”, disse Griselli. Ele aponta ainda que fundos setoriais criados para fomentar a digitalização acumularam 268 bilhões de reais em 26 anos, mas apenas cerca de 10% desse valor foi efetivamente utilizado.
O presidente da TIM também critica a assimetria entre operadoras e plataformas digitais. “As plataformas digitais exercem papel fundamental para os consumidores, mas estão sujeitas a regimes fiscais diferentes e não contribuem proporcionalmente para os fundos e investimentos locais”, afirmou. Ele não defende aumento de impostos, mas uma regulação mais equilibrada entre todos os atores do ecossistema digital.
Griselli vai além e defende mudanças práticas na distribuição de responsabilidades. “Nossa posição não é aumentar impostos para os outros, mas sermos reconhecidos como serviço essencial e termos uma regulamentação mais isonômica. Hoje, se o WhatsApp cai, o consumidor acha que o problema é da operadora, mas não é”, explicou o executivo.
Quer acompanhar tudo em primeira mão sobre o mundo das telecomunicações? Siga o Minha Operadora no Canal no WhatsApp, Instagram, Facebook, X e YouTube e não perca nenhuma atualização, alerta, promoção ou polêmica do setor!
EXPANSÃO PARA ALÉM DA TELEFONIA
A TIM tem avançado em parcerias estratégicas que sinalizam uma mudança no posicionamento da companhia. Acordos com a mineradora Vale, o banco digital PicPay e a Axia Energia indicam que a empresa quer ser reconhecida como provedora de soluções digitais completas. “Antes éramos vistos como uma operadora voltada ao consumidor final, mas hoje queremos ser reconhecidos como uma empresa de soluções digitais completas”, disse Griselli.
TIM avança para venda após reunião decisiva
Com a Vale, a TIM leva conectividade a regiões remotas e melhora a segurança em operações de mineração. Com a Axia, atua na digitalização de usinas hidrelétricas. Já a parceria com o PicPay une telecomunicações e fintech em um único pacote ao consumidor. “Queremos contribuir para a transformação digital de setores estratégicos da economia brasileira”, resumiu o presidente.
O FUTURO DAS REDES E O 5G
Griselli destaca que tecnologias como carros autônomos, drones e inteligência artificial vão exigir uma infraestrutura de rede diferente da atual. “Operar um carro autônomo ou um drone exige que o tempo de resposta do sinal de internet seja o menor possível, quase instantâneo”, explicou. Isso tornará necessário o fatiamento da rede, com níveis e valores distintos para cada tipo de aplicação.
Sobre o modelo de 5G adotado no Brasil, o executivo faz uma avaliação positiva. “O leilão do 5G aqui foi não arrecadatório, permitindo que o serviço chegasse a mais gente mais rapidamente. O Brasil, apesar dos altos e baixos, é hoje um terreno fértil para telecomunicações”, afirmou. Os investimentos anuais da TIM no país giram entre 4 bilhões e 5 bilhões de reais, com perspectiva de crescimento.












