Cerca de um mês atrás, publicamos a notícia de que a SpaceSail, empresa chinesa de internet via satélite, foi autorizada a começar suas atividades no Brasil. Agora, há a expectativa de que esse movimento possa baratear os custos de planos da Starlink por aqui.
No ato da autorização, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), deu um prazo de dois anos para que a SpaceSail comece a atuar no Brasil. No caso, a empresa deve utilizar a rede de satélites de órbita baixa (LEO), assim como a concorrente.
Quanto mais concorrência, melhor para o mercado
Num país de dimensões continentais como o nosso, onde há vários pontos de “desertos digitais”, uma boa oferta de internet que não dependa de operadoras convencionais é sempre um produto atrativo.
E, em qualquer mercado, há uma máxima: os preços baixam ao passo que a concorrência aumenta. No setor de internet via satélite não é diferente.
É estimado que a Starlink detenha algo entre 70% e 80% do mercado de internet via satélite no Brasil, com mais de 1 milhão de assinantes no país. Com a inserção de novos players no mercado, esses números podem encolher, junto com os preços.
Caso a SpaceSail, ou qualquer outra empresa do setor, como a Amazon Leo, estabeleça estrutura e rede de marketing que sejam páreos à empresa de Elon Musk, a relação oferta-demanda tende a se acirrar, trazendo uma competição como a que vemos no mercado de operadoras de telefonia móvel, por exemplo.
Em outras palavras, em poucos anos poderemos presenciar ações promovendo planos e combos para atrair a atenção dos consumidores ao melhor estilo TIM vs Claro vs Vivo.

Já há previsão para queda de preços?
Indo bem direito ao ponto, não devemos ver queda nos preços de pacotes da Starlink tão cedo. Mas sim, é possível estimar o começo dessa “corrida” da qual estamos falando.
Conforme citado no começo dessa matéria, a SpaceSail tem dois anos de prazo para se estabelecer no Brasil. Ou seja, a implantação já deve ter começado.
Igual a empresa chinesa, existem algumas outras com início de operações em andamento. É o caso da Amazon Leo, por exemplo. Por outro lado, já existem empresas menores consolidadas, como a HughesNet e a SES.
Então, no médio-longo prazo de um ou dois anos no futuro, o mercado de internet via satélite já deverá estar bem mais aquecido no Brasil.
De qualquer forma, é correto afirmar que a Starlink deve se manter como líder de mercado no segmento por bastante tempo. Isso por que a constelação da SpaceX que alimenta a rede já ultrapassa as 7 mil unidades, enquanto empresas como a SpaceSail, que teve autorização inicial da Anatel para uso 324 satélites, operam com algumas centenas.
Os benefícios vão além de preços mais baixos
É claro que, ao escolher um serviço, o fator preço é algo preponderante para o cliente no que diz respeito a vantagens observadas em um primeiro momento.
Porém, quando falamos do aumento da concorrência no setor de internet via satélite estamos falando de algo a mais: o alcance de uma “redundância” na conectividade nacional.
Grosso modo, quanto mais cobertura de internet vinda do espaço, menos locais desconectados devem restar. E não estamos falando apenas de comunidades rurais e urbanas remotas, mas de rodovias e até áreas de mata, como a Amazônia e Pantanal.
Starlink, SpaceSail, Amazon Leo e outras empresas podem, portanto, contribuir para a desejável cobertura global de internet no Brasil e no mundo, dentro de alguns anos.












