A Vivo anunciou, nesta segunda-feira (23), planos ambiciosos para expandir sua rede de fibra óptica no Brasil, projetando alcançar até 45 milhões de casas passadas — ante os atuais 31 milhões —, enquanto descartou publicamente qualquer interesse em adquirir a fatia de 27,26% que a Oi detém na V.tal. A declaração foi feita pelo CEO da operadora, Christian Gebara, durante coletiva de imprensa realizada após a divulgação dos resultados anuais de 2025.
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Liderança em fibra e metas de expansão
A Vivo encerrou 2025 como líder em adições de banda larga. Veja um panorama dos principais números da operadora no ano:
| Indicador | Resultado 2025 |
|---|---|
| Casas passadas com fibra (FTTH) | 31 milhões |
| Crescimento anual de casas passadas | +6,4% |
| Assinantes de fibra | 7,8 milhões |
| Novas ativações no ano | 833 mil |
| Participação no mercado de fibra | 19,3% |
Apesar do crescimento, Gebara classificou o percentual de mercado como ainda baixo quando comparado a outras líderes globais. O CEO citou exemplos internacionais para contextualizar a ambição da companhia:
- Espanha: líder detém 34% do mercado
- França: líder detém 39% do mercado
- Japão: líder detém 57% do mercado
- Brasil (Vivo): 19,3% — com potencial declarado de crescimento expressivo
Para ele, o Brasil ainda tem muito espaço para crescer — e a Vivo pretende protagonizar esse avanço.
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Meta de 45 milhões de casas passadas
Gebara afirmou que a operadora tem capacidade técnica de praticamente dobrar sua infraestrutura de FTTH, atingindo 60 milhões de casas passadas. No entanto, o executivo considerou esse cenário pouco provável e indicou que a meta mais realista gira em torno de 45 milhões — o que já representaria um salto expressivo em relação ao estágio atual.
“Vemos um mercado endereçável com 60 milhões, mas não achamos que vamos alcançar 60 milhões. Mas poderíamos alcançar algo próximo de 45 milhões. Poderíamos fazer isso nós mesmos ou consolidando”, destacou o executivo.
Para alcançar esse patamar, a Vivo avalia tanto o crescimento orgânico quanto eventuais movimentos de consolidação. Gebara destacou que o mercado brasileiro de fibra é “muito fragmentado” e que há uma “tendência positiva para consolidação”. A operadora se diz aberta a analisar aquisições, desde que os critérios de qualidade de rede, base de clientes e preço sejam favoráveis.
“Não queremos passar fibra enquanto vemos tantos players, mas estamos abertos a analisar alvos”, afirmou o CEO, reforçando que o objetivo não é simplesmente ganhar tamanho, mas sim qualidade e eficiência na expansão da rede.
Por que a Vivo descarta a V.tal
Apesar da abertura para fusões e aquisições no setor, a Vivo deixou claro que a V.tal não faz parte de seus planos. Gebara descartou o interesse em comprar a participação minoritária de 27,26% detida pela Oi na empresa de infraestrutura neutra. Os principais motivos apontados pelo CEO foram:
- Não faz sentido estratégico ser minoritária em outra empresa de infraestrutura
- A V.tal deixou de operar como infraestrutura estritamente neutra, atuando também no segmento B2C por meio da prestadora Nio
- A estratégia da Vivo prioriza controle total sobre os ativos, como demonstrado na aquisição integral da Fibrasil
“Não vejo sentido algum a gente ser minoritário numa outra empresa, que já nem é de fibra neutra, porque ela também tem clientes B2C”, declarou Gebara. “Neste momento, não é parte da nossa estratégia ser minoritário numa empresa de infraestrutura, muito menos numa empresa de infraestrutura que tem clientes B2C”, frisou.
A posição está alinhada à estratégia recente da Vivo com a Fibrasil, cujo controle total foi adquirido pela operadora. Ao assumir integralmente a Fibrasil, a companhia buscou maior eficiência na penetração da rede, sem depender de estruturas compartilhadas com múltiplos stakeholders.
Monetização de cobre e imóveis
Além dos planos para a fibra, Gebara reforçou o cronograma de monetização dos ativos oriundos da migração do regime de concessão para autorização. A companhia mantém a projeção de arrecadar R$ 4,5 bilhões até 2028, distribuídos da seguinte forma:
| Ativo | Meta de arrecadação | Prazo |
|---|---|---|
| Venda de cobre | R$ 3 bilhões | Até 2028 |
| Venda de imóveis | R$ 1,5 bilhão | Majoritariamente até 2028 |
| Total | R$ 4,5 bilhões | Até 2028 |
As vendas devem se intensificar a partir do segundo trimestre de 2025. No quarto trimestre do ano passado, a Vivo já registrou R$ 95 milhões com alienação de cobre. Gebara garantiu que a meta de R$ 3 bilhões será cumprida, citando a valorização do metal no mercado global como fator favorável. A operadora estima possuir 120 mil toneladas de cobre passíveis de extração, embora o volume efetivo possa variar em função de fatores como degradação e furtos.
A monetização imobiliária também ocorrerá de forma gradual, condicionada à desativação de centrais e à migração de clientes para novas tecnologias — processo que inclui o reajuste de preços anunciado pela Vivo para os serviços móvel e de banda larga. Parte das transações é conduzida com apoio de empresas especializadas, por meio de processos competitivos.












