A TIM divulgou, na terça-feira (24), a atualização do seu plano estratégico para 2026. Entre os pontos apresentados pela operadora ao mercado, o que mais chamou a atenção de analistas foi o aumento expressivo na remuneração prevista para os acionistas. A companhia projeta distribuir entre R$ 5,3 bilhões e R$ 5,5 bilhões ao longo do ano, superando as expectativas anteriores.
O novo patamar representa um salto relevante em relação ao guidance anterior, que previa dividendos e JCP médios de aproximadamente R$ 4,6 bilhões ao ano no ciclo 2025–2027. Isso significa um incremento de até 20% em relação à meta anterior — e um dividend yield de cerca de 8%, o que aumenta a atratividade do papel na B3.
🔍 Guidance: previsão oficial da empresa para indicadores financeiros. JCP: Juros sobre Capital Próprio, forma de remuneração ao acionista. Dividend yield: percentual de dividendo em relação ao preço da ação.
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Projeções financeiras para 2026
O guidance da TIM para o ano traz as seguintes metas:
| Indicador | Projeção |
|---|---|
| Receita de serviços | Crescimento de ~5% |
| EBITDA | Expansão de 6% a 8% |
| Capex (investimentos) | R$ 4,4 bi a R$ 4,6 bi |
| Fluxo de caixa operacional | Alta de 11% a 14% |
| Remuneração total ao acionista | R$ 5,3 bi a R$ 5,5 bi |
O patamar de investimentos está em linha com o ano anterior, quando o Capex ficou em R$ 4,5 bilhões. O crescimento da receita de serviços deve superar a inflação, segundo a própria empresa.
🔍 EBITDA: lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações — mede a geração de caixa operacional. Capex: investimentos em infraestrutura e equipamentos.
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O que dizem os analistas
Para a XP Investimentos, as projeções operacionais vieram “em linha com o esperado, sem mudanças relevantes nas principais mensagens”. O destaque positivo fica por conta da remuneração ao acionista, que reflete “a confiança da gestão na capacidade de geração sustentável de fluxo de caixa livre e na disciplina na gestão do balanço”.
O JPMorgan avaliou o guidance de forma ainda mais positiva: na visão do banco, o retorno projetado ao acionista ficou entre 33% e 38% acima do que a própria instituição esperava.
Já o Itaú BBA ressalta que o crescimento do fluxo de caixa será sustentado por:
- Disciplina contínua de controle de custos
- Estratégias de digitalização dos processos internos
- Iniciativas de inteligência artificial
- Alocação de capital mais eficiente
Apesar da avaliação positiva, o BBA mantém visão neutra sobre a ação. O motivo: os papéis da TIM já subiram 30% no acumulado do ano e 65% nos últimos 12 meses, o que indica que boa parte das boas notícias já estava precificada pelo mercado. A avaliação atual é de 15 vezes o Preço/Lucro (P/L) para 2026.
🔍 Precificado: quando o mercado já antecipou uma informação no preço da ação. P/L (Preço/Lucro): indica quantas vezes o investidor paga pelo lucro da empresa — quanto maior, mais “cara” a ação.
Rede móvel e expansão do 5G
No segmento de telefonia móvel, a TIM reiterou o foco na qualidade da cobertura e na evolução da rede. Os destaques do plano para o setor são:
- Troca de 6.500 sites 4G e 5G em 15 capitais e regiões metropolitanas até 2027
- Benefício estimado para cerca de 12 milhões de clientes
- Crescimento de 38% na cobertura 5G
- Aumento de 40% na capacidade de tráfego de dados
Banda larga e mercado corporativo
A TIM também reafirmou planos para diversificar sua base de receita além da telefonia móvel. No segmento de banda larga fixa, a operadora pretende:
- Explorar oportunidades de crescimento em regiões ainda pouco atendidas
- Complementar a oferta com FWA (internet fixa via rede 5G)
- Usar satélites como solução complementar de conectividade
- Aproveitar a aquisição da I-Systems para movimentos de expansão futura
🔍 FWA (Fixed Wireless Access): tecnologia que usa o sinal 5G para entregar internet fixa em residências e empresas, sem necessidade de cabos.
No mercado corporativo (B2B), o foco será em ampliar o portfólio de IoT, avançar no modelo NaaS e monetizar dados. A empresa quer reestruturar operações para ganhar escalabilidade nesse segmento.
🔍 IoT (Internet das Coisas): conexão de dispositivos à internet. NaaS (Network as a Service): modelo em que a rede é oferecida como serviço sob demanda para empresas.
TIM quer virar uma empresa “AI-First”
Um dos pilares mais ambiciosos do plano é a transformação da TIM em uma organização “AI-First” — ou seja, com inteligência artificial integrada a todos os processos. As principais iniciativas previstas para 2026 são:
- Redes: operação com sistema “zero touch”, troubleshooting automático e redução do consumo de energia
- Atendimento: agentes de IA em vendas, contas, cobranças e planos, além de um “companheiro digital” para interações personalizadas com clientes
- Gestão interna: IA como ferramenta de apoio na tomada de decisão estratégica e no backoffice
A meta é encerrar 2026 com processos de backoffice 100% movidos ou assistidos por inteligência artificial, tornando a TIM uma referência de eficiência operacional no setor de telecomunicações no Brasil.












