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Lançado: leilão da faixa de 700 MHz mira 800 mil pessoas e 6,5 mil km de rodovias

Segundo a Anatel, o edital foi estruturado com foco em compromissos de cobertura, priorizando regiões onde o serviço ainda não chegou ou opera de forma limitada.

Goodanderson Gomes
4 min de leitura
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O governo federal anunciou na última sexta-feira (13) uma nova etapa do leilão da faixa de 700 MHz com a promessa de ampliar a cobertura móvel em áreas hoje desassistidas. 

A iniciativa, conduzida pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), prevê conectar cerca de 800 mil pessoas que vivem em 864 localidades e levar sinal de celular a 6,5 mil quilômetros de rodovias federais atualmente sem cobertura. A licitação integra a política pública de expansão da conectividade e busca reduzir vazios assistenciais no país.

Segundo a Anatel, o edital foi estruturado com foco em compromissos de cobertura, priorizando regiões onde o serviço ainda não chegou ou opera de forma limitada. 

A proposta é utilizar a faixa de 700 MHz, considerada estratégica por sua capacidade de propagação do sinal em longas distâncias e maior penetração em ambientes fechados, o que permite atender áreas extensas com menor necessidade de infraestrutura.

Por que a faixa de 700 MHz é estratégica?

A faixa de 700 MHz ganhou relevância nos últimos anos por reunir características técnicas que favorecem a expansão do serviço móvel em regiões rurais e em trechos rodoviários afastados dos grandes centros. Por operar em frequência mais baixa, o sinal percorre distâncias maiores e sofre menos interferência de obstáculos físicos.

Na prática, isso significa que as operadoras podem cumprir metas de cobertura com menos estações rádio-base, reduzindo custos e acelerando a implementação. Esse fator foi determinante para que o espectro fosse novamente ofertado em leilão com obrigações direcionadas à conectividade social.

Estrutura da licitação e metas de cobertura

O modelo adotado pela agência reguladora divide a oferta em blocos regionais, com compromissos específicos de atendimento às localidades listadas no edital. A prioridade não está apenas na arrecadação, mas no cumprimento de metas objetivas.

De acordo com informações divulgadas pelo governo, a expectativa é que o processo contribua para ampliar a competição no setor e estimular investimentos em áreas menos atrativas do ponto de vista comercial. O edital também passou por análise dos órgãos de controle antes de ser lançado, dentro do rito regulatório previsto.

Além das localidades urbanas de pequeno porte, o leilão contempla a cobertura de rodovias federais consideradas estratégicas para a mobilidade e a segurança viária. A ausência de sinal nesses trechos é apontada como um problema recorrente, especialmente em situações de emergência.

As consequência para usuários e mercado

A ampliação da cobertura pode representar mudanças concretas para moradores de regiões hoje isoladas digitalmente. O acesso à telefonia móvel impacta serviços públicos, atividades econômicas locais e o próprio acesso à internet em dispositivos móveis.

Para o mercado, o leilão da faixa de 700 MHz abre nova frente de investimento e reorganiza a ocupação do espectro. A iniciativa também se insere em um contexto mais amplo de políticas de universalização e modernização das redes móveis no Brasil.

A Anatel deverá acompanhar o cumprimento das obrigações assumidas pelas empresas vencedoras, com cronogramas e prazos definidos no edital.

Ao lançar a nova licitação, o governo reforça a estratégia de utilizar o espectro como instrumento de política pública. O avanço da conectividade em áreas remotas e em rodovias passa, agora, pela execução efetiva dos compromissos firmados no leilão.

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