Imagem: Jonas Pereira/Agência Senado/Reprodução

Davi Alcolumbre barra votação do ReData e ‘mata’ PL aprovado na Câmara

De acordo com fontes em Brasília, a manobra do presidente do Senado foi puramente política e tem como objetivo enfraquecer o governo.

Goodanderson Gomes
4 min de leitura

A decisão do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, de não pautar a proposta ligada ao ReData para votação na Casa, provocou reação no governo federal e abriu um novo capítulo de incerteza para o setor de infraestrutura digital.

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Sem votação dentro do prazo, a medida provisória que sustentava o regime especial para data centers perdeu validade, interrompendo a tramitação de um projeto considerado estratégico pela equipe econômica.

O episódio ocorre em um momento em que o governo tenta consolidar uma política industrial voltada à economia digital. O Ministério da Fazenda vinha defendendo o ReData como instrumento para estimular a instalação de data centers no país, com desoneração de investimentos e incentivos à exportação de serviços digitais. 

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A proposta, que propunha uma economia de cerca de 80% na instalação de novos equipaments do tipo no país, também estava associada ao discurso de “soberania digital”, com o argumento de que ampliar o processamento de dados em território nacional reduz dependências externas.

Impasse político e efeito imediato

A ausência de votação no Senado surpreendeu integrantes do Executivo. Interlocutores do governo sustentam que havia expectativa de avanço na matéria. 

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Já no Congresso, a leitura é de que a definição da pauta cabe exclusivamente à presidência da Casa, dentro das prerrogativas regimentais.

Com a caducidade da medida provisória, o regime especial deixa de produzir efeitos. Na prática, isso cria um ambiente de insegurança jurídica para empresas que avaliavam aportes no país com base nas regras previstas. 

Projetos de data centers envolvem investimentos bilionários, contratos de energia de longo prazo e planejamento tributário detalhado. Mudanças ou indefinições regulatórias pesam na decisão final.

Janela tributária e reforma em curso

O timing também é sensível por causa da transição da reforma tributária. Especialistas apontam que havia uma janela específica para consolidação de incentivos dentro do modelo atual. Com o prazo encerrado, eventual retomada do ReData poderá enfrentar obstáculos técnicos e fiscais adicionais.

O governo ainda sinaliza que busca alternativas. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, já declarou que há solução possível, caso o Congresso demonstre disposição para avançar. No entanto, até o momento, não há indicação clara sobre qual caminho legislativo poderá ser adotado.

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Impactos para o setor de telecomunicações

Para o mercado de telecomunicações, o impasse vai além dos data centers. A expansão dessas estruturas está diretamente ligada à oferta de serviços em nuvem, edge computing, aplicações de inteligência artificial e suporte a redes 5G. 

Operadoras e provedores regionais acompanham o tema com atenção, já que a ampliação da infraestrutura digital influencia a demanda por conectividade e transporte de dados.

Sem o ReData em vigor, o Brasil pode perder competitividade na disputa por novos empreendimentos frente a mercados que oferecem condições tributárias mais previsíveis. Ao mesmo tempo, o episódio reforça o peso do fator político nas decisões de investimento em infraestrutura crítica.

O desfecho dependerá da articulação entre Executivo e Legislativo nas próximas semanas. Até lá, o setor permanece em compasso de espera.

* Com informações do G1

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