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Warner recusa proposta de US$ 108 bi da Paramount e mantém acordo com a Netflix

Cristino Melo
5 min de leitura
Warner Bros Paramount Netflix
Reprodução/Gemini

A Warner Bros. Discovery rejeitou nesta quarta-feira (7) a oferta de US$ 108,4 bilhões (cerca de R$ 580 bilhões) apresentada pela Paramount Skydance para a aquisição do estúdio, por considerar a proposta insuficiente e arriscada devido ao alto volume de financiamento por dívida envolvido na operação.

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A decisão do conselho de administração da Warner foi unânime. Segundo a empresa, a proposta revisada em 22 de dezembro não se enquadra como uma “proposta superior” nos termos do acordo de fusão já firmado com a Netflix no início do mês. Com isso, a companhia recomendou formalmente que seus acionistas rejeitem a investida da Paramount.

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A disputa bilionária pelo controle da Warner

A disputa começou após a Netflix anunciar um acordo de US$ 72 bilhões (aproximadamente R$ 382 bilhões) para comprar os estúdios de TV e cinema e a divisão de streaming da Warner. Em resposta, a Paramount Skydance apresentou uma oferta hostil — ou seja, sem o apoio da diretoria da Warner — de US$ 108,4 bilhões para assumir o controle da empresa.

Uma oferta hostil é uma tentativa de aquisição em que uma empresa tenta comprar outra sem negociar com seus executivos. Em vez de buscar aprovação da diretoria, quem faz a oferta se dirige diretamente aos acionistas, geralmente oferecendo um valor atrativo pelas ações para tentar assumir o controle da companhia.

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Em dezembro, o cofundador da Oracle, Larry Ellison, entrou na disputa ao oferecer uma garantia pessoal de US$ 40,4 bilhões em financiamento via ações para sustentar a proposta de compra da Paramount. Esse compromisso formal visava cobrir eventuais lacunas no financiamento da operação e demonstrar solidez financeira à transação.

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Os riscos do alto endividamento

Mesmo com o reforço financeiro de Ellison, o conselho da Warner manteve sua posição. O presidente do conselho, Samuel A. Di Piazza Jr., afirmou em comunicado que a proposta da Paramount oferece valor insuficiente e envolve riscos elevados, principalmente por depender de um grande volume de empréstimos para viabilizar a aquisição.

O financiamento por dívida ocorre quando uma empresa usa empréstimos para bancar uma compra. No caso da Paramount, a aquisição da Warner dependeria de um volume muito alto de dinheiro emprestado, o que elevaria significativamente o endividamento e aumentaria os riscos de o negócio não ser concluído conforme planejado.

Segundo a avaliação do conselho da Warner, a estrutura da proposta aumenta a incerteza quanto à conclusão do negócio e oferece pouca proteção aos acionistas caso a operação não seja finalizada. A empresa alerta que a Paramount deixaria a Warner com uma dívida estimada em US$ 87 bilhões após a conclusão, tornando a operação a maior aquisição já financiada majoritariamente por empréstimos.

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“A oferta da Paramount continua oferecendo valor insuficiente, pois depende de um volume elevado de financiamento por dívida. Isso aumenta os riscos de conclusão do negócio e reduz as garantias aos acionistas caso a transação não se concretize”, declarou Di Piazza Jr., acrescentando que o acordo com a Netflix oferece mais valor e previsibilidade.

Warner mantém acordo com Netflix

A Warner informou que enviou uma carta detalhada aos investidores explicando os motivos da decisão e reforçou que seguirá com o plano de fusão com a Netflix, considerado o caminho que oferece o melhor equilíbrio entre retorno financeiro e segurança para os acionistas.

Enquanto as negociações avançam, a Warner também negocia a venda da CNN e outros canais como parte da reestruturação prevista na fusão com a plataforma de streaming.

A disputa envolve mais do que valores financeiros. Quem assumir o controle da Warner passará a deter um dos catálogos mais valiosos de Hollywood, com franquias de sucesso, produções da HBO e a plataforma HBO Max, em um cenário de forte concorrência no setor de streaming global.

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