
Poucos dias após o mercado ser sacudido por uma notícia de peso, a proposta de fusão entre Netflix e Warner Bros. Discovery, documentos oficiais revelaram que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, comprou títulos de dívida dessas duas empresas. O valor investido? Algo em torno de US$ 1 milhão.
As aquisições aconteceram nos dias 12 e 16 de dezembro do ano passado, segundo registros divulgados pela própria Casa Branca. Trump aplicou entre US$ 250 mil e US$ 500 mil em papéis da Netflix e quantia semelhante em títulos da Warner, por meio da Discovery Communications.
Os investimentos foram feitos na forma de títulos corporativos, um tipo de aplicação que oferece retorno em juros, bastante comum no ambiente financeiro.
Investimento levanta dúvidas
O que chamou atenção foi o momento da movimentação. Não por ser ilegal, a compra é permitida e declarada, mas pelo fato de vir logo após Trump ter comentado publicamente sobre a fusão.
À época, ele demonstrou preocupação com a concentração de mercado que poderia advir da união das gigantes do entretenimento.
O governo se defende, afirmando que os investimentos presidenciais são gerenciados por terceiros. Ainda assim, o possível cruzamento de interesses, político e financeiro, reacende discussões sobre conflitos éticos.
Netflix e Warner reposicionam o mercado
A proposta de fusão, avaliada em mais de US$ 80 bilhões, ainda depende do aval dos órgãos reguladores. Se aprovada, pode provocar mudanças importantes na estrutura da indústria do streaming, que já vive um cenário de intensa competição global.
Netflix, que busca ampliar sua base de conteúdo, e Warner, dona de uma vasta biblioteca audiovisual, veem a união como estratégica. Juntas, podem enfrentar melhor concorrentes como Amazon Prime e Disney+, que já operam com estruturas consolidadas e presença global.
Olhares atentos
O episódio, embora envolva cifras expressivas, não se resume aos valores. Ele levanta uma questão maior: até que ponto figuras públicas com poder de decisão podem, ou devem, se envolver financeiramente com empresas cujos destinos estão, direta ou indiretamente, sob sua alçada?
A Casa Branca insiste na legalidade da operação. O mercado, por sua vez, observa com cautela. Nos bastidores, a expectativa é sobre o desfecho da fusão e como ele influenciará não só o cenário do streaming, mas também a relação entre política e negócios.




