
A autoridade reguladora de comunicações do Reino Unido, Ofcom, abriu uma consulta pública para discutir o futuro da faixa superior de 6 GHz no país.
A proposta, apresentada neste mês, prevê o compartilhamento do espectro entre redes móveis e Wi-Fi. O plano é considerado inovador, já que esses serviços costumam operar em faixas separadas para evitar interferências. Interessados poderão enviar suas contribuições até o dia 20 de março.
Um plano que divide opiniões
Na proposta, a Ofcom sugere dividir a faixa: uma parte ficaria com o Wi-Fi, outra com os serviços móveis. A agência afirma que a ideia é atender à crescente demanda por conectividade, tanto em ambientes residenciais quanto em grandes centros urbanos.
Para isso, pretende estabelecer regras técnicas para garantir que os dois serviços possam coexistir sem causar problemas um ao outro.
A proposta também mira o futuro. A Ofcom acredita que o modelo pode ajudar o Reino Unido a se preparar para tecnologias emergentes, como o 6G, que deve exigir espectros amplos e de alta capacidade.
Mas nem todos veem a iniciativa com bons olhos. A GSMA, entidade que representa operadoras móveis globalmente, expressou preocupação. Em nota, a associação disse que o uso compartilhado pode dificultar o avanço das redes móveis nos próximos anos.
A principal crítica recai sobre a falta de alinhamento com decisões internacionais, algo considerado essencial para a interoperabilidade de dispositivos e ganhos de escala.
O Wi-Fi entra primeiro
Segundo a proposta, dispositivos Wi-Fi de baixa potência poderiam começar a operar em parte da faixa até o final de 2026. Já o uso por redes móveis viria depois, em etapas.
A prioridade, nesse caso, seria melhorar o sinal em regiões densamente povoadas, onde a infraestrutura atual já dá sinais de saturação.
Para a Ofcom, essa abordagem representa equilíbrio. Permitir que diferentes serviços compartilhem a faixa de 6 GHz seria, segundo o órgão, uma forma de otimizar recursos e acelerar a expansão digital.
Ainda assim, há riscos no caminho. O próprio documento da consulta menciona possíveis entraves técnicos e questionamentos sobre a viabilidade a longo prazo.
Caminhos distintos
Enquanto o Reino Unido defende um modelo híbrido, outras regiões, como partes da Ásia e América Latina, sinalizam preferência por destinar toda a faixa de 6 GHz ao uso móvel.
A justificativa, nesses casos, é garantir uma base sólida para a futura implantação do 6G, sem restrições técnicas impostas por compartilhamentos.
A decisão final da Ofcom pode, inclusive, influenciar outros países. Com o debate sobre espectro se intensificando globalmente, especialmente após os primeiros testes de 6G, o rumo adotado pelos britânicos tende a repercutir além das fronteiras locais.




