
O mercado global de data centers está em plena transformação e o Brasil surge como uma das principais apostas para receber parte dos cerca de US$ 3 trilhões (por volta de R$ 16 tri) em investimentos previstos até 2030.
O volume, estimado por relatório recente da agência Moody’s, reflete o avanço acelerado de tecnologias como inteligência artificial, computação em nuvem e digitalização em larga escala.
Nesse cenário, o país ocupa hoje a 12ª posição no ranking mundial de infraestrutura para armazenamento e processamento de dados e já domina metade do setor na América Latina. São cerca de 200 instalações em operação no território nacional, concentradas principalmente nos grandes centros urbanos.
Entre os fatores que elevam o potencial do Brasil estão a ampla oferta de energia renovável, a disponibilidade hídrica e a posição geográfica estratégica no tráfego de dados globais, favorecida pela presença de cabos submarinos intercontinentais.
Mas apesar do cenário promissor, parte do setor ainda observa com cautela. O motivo: a indefinição em torno da regulamentação do ReData, o regime especial de tributação para serviços de data center.
Criado por medida provisória no ano passado, o mecanismo ainda depende de aprovação definitiva, com prazo de conversão da MP se encerrando em 25 de fevereiro.
Incentivos travados, investimentos em espera
O ReData prevê R$ 5,2 bilhões em incentivos fiscais para fomentar novos empreendimentos no setor. A medida é considerada estratégica por representantes da indústria, sobretudo para atrair projetos em regiões menos desenvolvidas do país.
No entanto, enquanto o texto não for convertido em lei, investidores mantêm certa resistência em acelerar planos de expansão.
Paralelamente, o governo federal, por meio do Ministério das Comunicações, avança na elaboração de uma Política Nacional de Data Centers, que fará parte da Nova Indústria Brasil (NIB).
A proposta inclui diretrizes para qualificação de mão de obra, aumento da eficiência energética, estímulo à produção nacional de equipamentos e maior segurança jurídica aos investidores.
Segundo o ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, o objetivo é consolidar o Brasil como hub de soluções digitais e infraestrutura de data centers, ampliando sua competitividade internacional e integrando a economia brasileira ao fluxo global de inovação.
Crescimento global pressiona infraestrutura
A expansão dos data centers não se limita ao território brasileiro. No exterior, gigantes da tecnologia — como Amazon, Microsoft, Google e Meta, já aportaram cerca de US$ 400 bilhões em 2025, com novas rodadas previstas até 2027.
Esse movimento impõe desafios: cresce a demanda por energia elétrica, aumenta o custo de equipamentos e surgem pressões ambientais, sobretudo em regiões com restrições hídricas.
Relatórios apontam ainda para um novo perfil de financiamento no setor, com fundos institucionais ingressando ainda nas fases iniciais dos projetos, o que indica amadurecimento do modelo de negócio. Mas especialistas alertam: sem planejamento regulatório e estabilidade institucional, países como o Brasil podem perder espaço para concorrentes mais ágeis.
Potencial existe, mas depende de ação
Com a infraestrutura necessária, energia limpa e localização privilegiada, o Brasil reúne todos os ingredientes para se destacar ainda mais no mapa global dos data centers.
Contudo, a concretização desse potencial passa por decisões políticas urgentes, como a aprovação do ReData e a implementação eficaz da nova política nacional.
Enquanto isso, o setor observa. E espera.
* Com informações do Ministério das Comunicações





