Imagem: Getty Images/Reprodução

TCU cobra Anatel por regras mais rígidas no pré-pago e no SMS para proteger idosos de golpes

Goodanderson Gomes
4 min de leitura
Imagem: Getty Images/Reprodução

O Tribunal de Contas da União (TCU) quer mudanças urgentes nas regras que envolvem o uso de linhas móveis e mensagens de texto no Brasil. 

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O alvo principal é a Anatel, que recebeu do órgão uma série de recomendações após a conclusão de uma auditoria focada no aumento de golpes digitais, muitos deles praticados contra idosos.

Um dos pontos centrais da cobrança diz respeito ao cadastro de linhas pré-pagas. Segundo o TCU, o modelo atual facilita a ativação de chips com dados falsos ou em nome de terceiros. Isso abre caminho para que golpistas se escondam atrás de números de celular sem qualquer rastreabilidade real. 

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Linhas assim são, muitas vezes, a porta de entrada para golpes por SMS, uma prática que afeta de forma direta pessoas com menor familiaridade com tecnologia.

Cadastro pré-pago deve passar por mudanças

O Tribunal deu prazo de seis meses para que a Anatel apresente ajustes concretos nesse modelo. A ideia é tornar o processo mais seguro, exigindo validações de identidade mais eficazes. 

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Além disso, as operadoras deverão adotar mecanismos que dificultem o uso indevido das linhas, o que também poderá colaborar com investigações, caso algum crime digital ocorra a partir desses números.

A vulnerabilidade no sistema atual, segundo o relatório, é justamente o que tem permitido a proliferação de golpes, especialmente contra o público idoso, visto como mais suscetível a armadilhas por telefone ou mensagens.

SMS sem regras é caminho livre para fraudes

Outro ponto que entrou no radar foi o uso de mensagens de texto. O SMS, ainda hoje bastante utilizado, principalmente por serviços bancários e empresas, não conta com uma regulação específica. 

O TCU vê nisso um fator de risco. A ausência de regras claras abre espaço para mensagens falsas, com links maliciosos ou promessas enganosas, como aquelas que simulam prêmios, cobranças ou atualizações de cadastro.

Por isso, o órgão de controle recomendou que a Anatel desenvolva uma norma voltada exclusivamente para o serviço de mensagens. Essa regulamentação deverá deixar claro o que é permitido e quais práticas devem ser coibidas, principalmente quando o alvo são pessoas idosas, muitas vezes menos familiarizadas com os sinais de um golpe digital.

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Banco Central também foi acionado

Além da Anatel, o TCU direcionou cobranças ao Banco Central. A Corte quer que instituições financeiras criem estratégias mais firmes de proteção ao cliente idoso. 

Isso inclui canais de atendimento adaptados, sistemas de autenticação mais robustos e campanhas de orientação com linguagem acessível.

Outra medida recomendada é a ampla divulgação do chamado Mecanismo Especial de Devolução (MED) do Pix. Apesar de estar em vigor, o recurso ainda é pouco conhecido e pode ser decisivo para reverter prejuízos em casos de golpe. 

O Banco Central deverá, ainda, acompanhar se as normas já estabelecidas sobre segurança digital estão sendo cumpridas.

Sistema precisa conversar melhor

O acórdão com todas essas determinações será enviado também à Febraban. A ideia é mobilizar o setor bancário para que adote medidas mais uniformes no combate a fraudes. 

O recado do TCU é direto: o cenário atual mostra uma combinação preocupante entre a sofisticação de criminosos, a falta de coordenação entre os órgãos públicos e a baixa alfabetização digital de parte da população, especialmente entre os mais velhos.

O entendimento é que, para barrar os golpes, será preciso mais do que ações isoladas. A comunicação entre setores, telecomunicações, bancos e poder público, precisa ser mais integrada, com foco claro na proteção do consumidor, principalmente aquele mais vulnerável.

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