13/06/2024

Nubank vai oferecer serviços de telefonia móvel; veja expectativas do mercado

Banco digital Nubank está pronto para ofecerer serviço de rede móvel no Brasil usando infraestrutura de outra grande operadora.

O Nubank, que tem ações identificadas pelo código ROXO34, recebeu aprovação da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) para se transformar em uma operadora móvel virtual (MVNO). Isso significa que o Nubank poderá oferecer serviços de telefonia móvel, mas sem possuir uma infraestrutura própria para isso. Em vez disso, ele utilizará a infraestrutura existente da Claro, uma das grandes operadoras de telecomunicações no Brasil.

A previsão é que o lançamento dos serviços de telefonia móvel pelo Nubank ocorra no terceiro trimestre de 2024. Segundo a XP Investimentos, essa entrada do Nubank no mercado de telecomunicações pode representar uma mudança significativa para o setor, potencialmente alterando as dinâmicas de concorrência e oferta de serviços, devido à influência e ao modelo de negócios inovador do Nubank.

Apesar de não haver muitos casos de sucesso entre novos entrantes no mercado financeiro brasileiro, a XP acredita que atualmente existem alguns fatores que poderiam favorecer um novo competidor com a capacidade de execução semelhante à do Nubank.

A XP argumenta que a estratégia do Nubank de entrar em novos mercados faz sentido porque o banco já demonstrou sua capacidade de replicar suas competências com sucesso. Essa abordagem visa aumentar a monetização de sua ampla base de clientes, ou seja, obter mais lucro a partir dos milhões de usuários que já utilizam seus serviços. Em resumo, a XP vê potencial para que o Nubank, aplicando sua experiência e habilidades, consiga se destacar e prosperar em novos segmentos do mercado financeiro brasileiro.

Com uma participação de cerca de 22% no mercado de recarga pré-paga no Brasil, o Nubank desafia a lógica convencional e, segundo a XP, possui elementos-chave para o sucesso. A XP acredita que o tamanho da operação do Nubank, aliado à sua obsessão por manter baixos os custos dos serviços, permitirá ao banco oferecer propostas atraentes. Dessa forma, a XP estima que, em três anos, o Nubank poderia alcançar aproximadamente 11 milhões de usuários pré-pagos e 7,5 milhões de usuários pós-pagos, obtendo uma participação de mercado de cerca de 7% e gerando um valor presente líquido (VPL) de US$ 655 milhões.

O Nubank adotou um modelo de contratação diferente, provavelmente baseado em um acordo de partilha de receitas com seu parceiro de telecomunicações, em vez de depender apenas da capacidade da rede. Esse modelo elimina a barreira enfrentada por outras MVNOs, que compravam dados no atacado e tinham dificuldade em competir com as grandes empresas do setor.

De acordo com a XP, a entrada do Nubank pode impactar significativamente a TIM e a Vivo, potencialmente reduzindo sua participação de mercado e a receita média por cliente (ARPU) devido à concorrência com preços agressivos.

No entanto, a XP ressalta que ainda é cedo para estimar o impacto total tanto na perda de mercado para a TIM e a Vivo quanto na redução das receitas do setor com a entrada de um competidor mais agressivo.

A corretora acredita que é provável que as empresas atuais sofram algum impacto, com a TIM sendo ligeiramente mais afetada devido à forte presença no segmento pré-pago e sua grande base de clientes no segmento controle. Por outro lado, a Vivo pode estar mais protegida no segmento pós-pago, graças aos seus pacotes de serviços que diminuem a chance de migração dos clientes.

Além disso, a XP avalia que o sucesso potencial do Nubank em novos mercados, além de seu negócio principal, poderia aumentar a disposição dos investidores em valorizar mais seus ativos intangíveis e confirmar sua capacidade de inovar e gerar receitas significativas em novos setores.

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