21/02/2024

Consumo de internet aumenta no Brasil graças as classes C e D/E

Após a pandemia, o ano de 2023 trouxe ao Brasil um novo crescimento de uso de internet por causa de diversos aspectos.

Depois de dois anos sem muitas mudanças, o número de casas no Brasil com acesso à internet aumentou novamente em 2023. Isso aconteceu principalmente porque mais lares das classes C e D/E agora estão conectados. Esses dados foram divulgados pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil, através do estudo TIC Domicílios 2023, lançado nesta quinta-feira.

Brasil

A pesquisa mostrou que 84% das casas no país, o que equivale a 64 milhões, estão conectadas à Internet. Isso representa um aumento de quatro pontos percentuais em comparação com 2022, quando era 80%. Esse número estava estável desde 2020.

O estudo, feito pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), revelou que o aumento mais significativo aconteceu nas casas das classes C (de 87% em 2022 para 91% em 2023) e DE (de 60% para 67%).

O número de pessoas que usam a Internet também aumentou. De acordo com a pesquisa, 84% das pessoas (cerca de 156 milhões) acessaram a Internet nos três meses anteriores à pesquisa. Isso é um aumento de três pontos percentuais em relação a 2022, quando era 81%. Houve um crescimento notável entre as mulheres, com a proporção de usuárias passando de 81% em 2022 para 86% em 2023.

A quantidade de pessoas que não usam a Internet diminuiu, passando de 36 milhões em 2022 para 29 milhões em 2023. Dentre os usuários, 24 milhões moram em áreas urbanas, 17 milhões se identificaram como pretos ou pardos, e 17 milhões pertencem às classes DE, indicando que ainda há exclusão digital nas áreas mais pobres do país. O estudo também mostrou que 24 milhões têm até o ensino fundamental, e 16 milhões têm 60 anos ou mais, ultrapassando a soma de não-usuários em outras faixas etárias.

Alexandre Barbosa, gerente do Cetic.br|NIC.br, afirma que o número de pessoas do Brasil que não tem acesso à internet é preocupante.

“Apesar do recuo, o número de brasileiros desconectados ainda é preocupante, na medida em que muitas atividades e serviços são disponibilizados exclusiva ou preferencialmente no ambiente online. Não ter acesso à Internet pode significar estar excluído de inúmeras oportunidades”.

O quesito “Qualidade de acesso” também foi pesquisado

Quase todo mundo que usa a Internet no Brasil (99%) com 10 anos ou mais faz isso pelo celular, que é o aparelho mais usado para esse fim. Em segundo lugar está a televisão (58%), que tem sido mais usada para se conectar nos últimos dez anos. O uso do computador para acessar a Internet ficou estável, com 42%.

De acordo com a pesquisa, 58% das pessoas disseram que se conectam apenas pelo celular, não usando o computador, e 41% afirmaram usar ambos os dispositivos. Nas classes DE, 87% usam exclusivamente o celular para acessar a Internet, e 12% usam tanto o celular quanto o computador. O acesso exclusivo pelo celular também é mais comum entre mulheres (64%) do que entre homens (52%), e entre pessoas pretas (64%) e pardas (63%) do que entre brancas (49%).

O tipo de dispositivo usado também está relacionado às habilidades digitais, segundo os indicadores da pesquisa. Por exemplo, entre aqueles que se conectam tanto pelo computador quanto pelo celular, 71% disseram que costumam verificar informações encontradas na Internet. Já entre os que usam exclusivamente o celular, apenas 37% fazem isso.

Dos que têm celular, 60% usam planos pré-pagos e 36% usam planos pós-pagos. Em relação à conexão, 97% dos usuários de Internet pelo celular na classe A acessam a Internet tanto por Wi-Fi quanto pela rede móvel, enquanto nas classes DE, 36% acessam exclusivamente por Wi-Fi e 11% apenas pela rede móvel.

“Neste ano, voltamos a observar um aumento de conectividade no país, mas a TIC Domicílios também mostra que a qualidade do acesso ainda é desigual entre a população, o que restringe o desenvolvimento de habilidades digitais e a fruição plena dos benefícios que a Internet tem a oferecer”, afirma Barbosa.

O consumo de podcast tem crescido no Brasil

Nos últimos anos, o consumo de podcasts online aumentou bastante no Brasil, especialmente entre as atividades culturais na internet. Um estudo mostrou que 29% dos brasileiros com 10 anos ou mais ouviram podcasts em 2023. Isso representa um aumento de sete pontos percentuais em comparação com 2021 (quando era 22%) e um aumento significativo de 19 pontos percentuais em relação a 2019 (quando era apenas 10%).

Esse crescimento no acesso aos podcasts no Brasil se deve principalmente à produção nacional. Enquanto 29% das pessoas ouviram podcasts brasileiros, apenas 7% escutaram podcasts estrangeiros. Isso é diferente do que acontece com filmes e séries, onde geralmente as produções estrangeiras são mais populares.

“Os órgãos públicos vêm aumentando a oferta de serviços digitais, como mostra a pesquisa TIC Governo Eletrônico. O aumento verificado em 2023 do número de pessoas que acessaram serviços públicos pela Internet é algo positivo, tanto para os cidadãos quanto para os governos”.

O estudo também revelou que mais pessoas estão usando serviços de assinatura para assistir a vídeos. A proporção aumentou de 38% em 2021 para 45% em 2023. Apesar disso, os sites ou aplicativos de compartilhamento de vídeos ainda são as principais plataformas para acessar esse tipo de conteúdo na internet, sendo utilizados por 54% daqueles que assistem a vídeos online.

Os vídeos com música (50%) e notícias (48%) foram os temas mais populares entre os usuários. Além disso, os vídeos de eventos ou programas religiosos tiveram um aumento de 7 pontos percentuais em relação a 2021, chegando a 34%.

Serviços públicos online estão sendo mais utilizados

Em 2023, 73% dos usuários de internet com 16 anos ou mais utilizaram serviços de governo eletrônico, um aumento de oito pontos percentuais em comparação com o ano anterior, 2022. Durante o período de 2021 a 2023, houve um crescimento significativo na realização de serviços relacionados ao pagamento de impostos e taxas de forma totalmente online, eliminando a necessidade de conclusão presencial. Essa tendência é destacada pela pesquisa TIC Governo Eletrônico, evidenciando o esforço dos órgãos públicos em expandir a oferta de serviços digitais.

O coordenador da TIC Domicílios, Fabio Storino, destaca que o aumento observado em 2023 no número de pessoas acessando serviços públicos pela internet é benéfico tanto para os cidadãos quanto para os governos. Isso reflete a crescente adoção e aceitação da população em relação aos serviços governamentais online.

A pesquisa também revelou que metade (50%) dos usuários de internet no Brasil realizou compras online nos últimos doze meses anteriores ao levantamento, totalizando 78 milhões de pessoas. Apesar de ter variado dentro da margem de erro em comparação com 2022, esse indicador permanece em um patamar superior ao período pré-pandemia de COVID-19. Isso indica que o consumo online de produtos ou serviços tornou-se uma prática comum para um contingente significativo de brasileiros, demonstrando uma mudança de hábitos duradoura.

Por fim, Renata Mielli, coordenadora do CGI.br, afirma que a pesquisa identifica temas emergentes e novas tendências, com pautas do desenvolvimento social sustentável.

“A pesquisa TIC Domicílios identifica temas emergentes e novas tendências, sempre em consonância com pautas do desenvolvimento social sustentável. É uma fonte de referência essencial para a elaboração de políticas públicas e para o debate qualificado sobre os impactos socioeconômicos do acesso e uso da Internet na sociedade brasileira”.

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