18/04/2024

Deepfake é popular entre brasileiros e apresenta riscos à cibersegurança

Tecnologias de criação de deepfake estão cada vez mais populares entre os brasileiros, porém os riscos a segurança são grandes.

O deepfake é um tipo de tecnologia que utiliza a inteligência artificial conhecida como deep learning (aprendizado profundo) para criar vídeos, áudios ou imagens falsas com uma incrível verossimilhança, permitindo a manipulação digital de pessoas, fazendo-as parecer dizer ou fazer coisas que nunca realizaram. De acordo com informações fornecidas pela Impressions, uma aplicação de deepfake, à Agência Pública, os brasileiros já constituem o segundo maior grupo de usuários na plataforma, representando 20% do total.

Deepfake

Para Helder Ferrão, o Gerente de Marketing de Indústrias para a América Latina na Akamai Technologies, essa habilidade de manipular conteúdo midiático traz consequências profundas para a segurança digital e exige uma resposta efetiva por parte dos especialistas em cibersegurança.

“O recente caso da imagem do pentágono pegando fogo que viralizou na internet e influenciou a queda das ações na bolsa de valores dos Estados Unidos, ou o comercial da Volkswagen que trouxe vida à Elis Regina cantando com Maria Rita, sua filha, são exemplos notórios do impacto dessa técnica. Nesse sentido, é preciso olhar com atenção para o avanço da inteligência artificial no que tange à cibersegurança.”

A ameça digital que trás a deepfake

O deepfake é uma técnica que usa inteligência artificial e aprendizado de máquina para criar vídeos falsos realistas. A tecnologia analisa e sintetiza milhares de imagens e vídeos da pessoa-alvo, permitindo a criação de vídeos enganosos que podem iludir até especialistas.

Os deepfakes têm implicações preocupantes na segurança digital, aumentando o risco de ataques de phishing e engenharia social. Criminosos podem se passar por pessoas confiáveis, enganando vítimas e obtendo informações confidenciais. A disseminação de deepfakes pode causar danos irreparáveis à imagem de indivíduos e organizações, afetando suas carreiras e relações pessoais. Políticos, celebridades e pessoas comuns podem ser alvos de manipulações maliciosas, prejudicando sua credibilidade e reputação.

“Com vídeos deepfake convincentes, os criminosos podem criar situações em que parecem ser pessoas confiáveis, como CEOs, funcionários de instituições financeiras ou até mesmo amigos e familiares, enganando as vítimas e obtendo acesso a informações confidenciais. Além disso, a reputação e a confiança das pessoas, empresas e instituições também estão em jogo”, disse Ferrão.

IA na cibersegurança

Com o progresso da tecnologia, a tarefa de detectar deepfakes tem se tornado mais complexa, contudo, não é motivo para desespero. À semelhança do deepfake que utiliza inteligência artificial para fabricar vídeos falsos, a cibersegurança pode valer-se dessa mesma tecnologia para enfrentar tal ameaça. A inteligência artificial pode ser empregada para criar sistemas mais sofisticados e efetivos de detecção de deepfakes.

Ferrão explica que é possível treinar algoritmos de aprendizado de máquina para reconhecer discrepâncias nos vídeos, como imperfeições nos movimentos faciais, sutis mudanças no tom de pele ou distorções na voz. Essas abordagens podem ser úteis na distinção entre vídeos autênticos e deepfakes, alertando assim os usuários sobre potenciais riscos.

A tecnologia do deepfake representa um desafio significativo para a segurança digital, mas também abre portas para o desenvolvimento de soluções avançadas.

“A cibersegurança deve se apoiar na inteligência artificial para aprimorar suas defesas contra a disseminação de deepfakes e proteger os indivíduos, as organizações e a sociedade como um todo. É necessário um esforço conjunto para combater essa ameaça em constante evolução, garantindo um ambiente digital mais seguro e confiável para todos”, aponta o gerente da Akamai.

Aberrações ainda são frequentes nas imagens produzidas por Inteligência Artificial, como peculiaridades estranhas nas orelhas, mãos, olhos e cabelos, sobretudo em deepfakes que envolvem pessoas inexistentes. No entanto, para além da detecção, é crucial adotar medidas preventivas para evitar ataques online com o emprego dessa tecnologia.

Ferrão argumenta que para enfrentar a ameaça dos deepfakes, é primordial reforçar a educação e a conscientização sobre eles.

“É importante sempre verificar as fontes das imagens e vídeos antes de compartilhá-los ou tomar decisões baseadas neles, usando ferramentas de pesquisa reversa, por exemplo. Uma boa prática é consultar de sites de notícias confiáveis e organizações de verificação de fatos em casos que envolvam figuras públicas ou políticos para validar a autenticidade do conteúdo”.

Investir em tecnologia de detecção de deepfakes também é vital para identificar conteúdo falso e evitar danos significativos. Fortalecer a segurança cibernética e manter sistemas e dispositivos atualizados com medidas robustas de proteção é outra estratégia importante para prevenir ataques virtuais direcionados à manipulação de informações.

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