22/02/2024

TV paga: teles buscam estratégias em meio à perda de clientes

Claro, Vivo e Sky se adaptam às transformações da TV e exploram parcerias com serviços de streaming e produção de filmes.

Empresas como Claro, Vivo e Sky estão buscando maneiras de reestruturar seus negócios. Elas estão explorando diferentes estratégias, como estabelecer parcerias com serviços de streaming, vender pacotes de conteúdo transmitidos pela internet e até mesmo coproduzir filmes.

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Essas mudanças ocorrem enquanto as empresas de tecnologia estão se aproximando cada vez mais do modelo das antigas empresas de telecomunicações.

Esse cenário é resultado não apenas do surgimento do streaming de vídeo sob demanda, mas também da venda de pacotes a preços elevados e de uma longa crise financeira enfrentada pelas empresas de telecomunicações. Nem mesmo o auge da pandemia, quando as pessoas estavam em casa, foi capaz de alterar essa tendência.

No auge desse mercado, em 2015, havia 19,8 milhões de assinantes de TV por assinatura. No entanto, no levantamento mais recente realizado em março, esse número caiu para 13,4 milhões, representando uma redução de 32,38%.

A Claro, que é a líder do setor, foi a empresa mais afetada, perdendo 42,46% de sua base de assinantes nesse período.

De acordo com o Kantar Ibope Media, apenas no último ano houve uma redução de 20% no número de assinantes de TV por assinatura. Isso significa que aproximadamente um em cada dez televisores deixou de sintonizar os canais pagos.

A discussão em torno da TV a cabo não se concentra mais em até onde esse modelo pode chegar, mas sim em quanto tempo ele permanecerá viável em sua forma atual. Pela primeira vez, há uma abordagem pragmática em relação ao futuro desse setor.

Fernando Magalhães, diretor de Programação e Conteúdo da Claro, empresa que detém 43,8% do market share do setor, minimiza a importância da TV por assinatura como o principal negócio da empresa. Ele afirma que o foco principal está na banda larga e nos serviços móveis.

A Sky ocupa a segunda posição, com 28,7% do mercado, seguida pela Oi, que está enfrentando uma nova recuperação judicial, com 17,7% de participação.

Em vez de adotar uma mentalidade pessimista, as empresas estão se adaptando à nova realidade. A estratégia agora não é considerar o fim da TV por assinatura, mas sim encontrar maneiras de se ajustar às mudanças do mercado.

“Nosso negócio principal não é TV por assinatura. O nosso principal é banda larga, móvel. A gente não está mais na estratégia do ‘ah, acabou o mundo, a TV por assinatura acabou’. O que estamos fazendo é nos adaptar”, disse o representante da Claro ao Uol.

Outras possibilidades

Dentro dessa nova realidade, surgem diversas abordagens, como a disponibilização de TV via internet, conhecida como IPTV. Nesse contexto, a Vrio (empresa proprietária da Sky) lançou o DGO, uma plataforma semelhante à TV por assinatura convencional, porém com transmissão e assinatura semelhantes à Netflix. O custo mensal é a partir de R$ 69,90.

De forma discreta, a Vivo oferece uma alternativa semelhante chamada Vivo Play, disponível no pacote básico por R$ 40 mensais.

A Claro também possui sua própria opção, denominada Claro TV+. Esse serviço pode ser acessado diretamente pelo navegador do computador, por meio de um aplicativo ou por uma caixa que conecta a televisão à internet. O preço inicial é de R$ 69,90 por mês.

Esse mercado não é regulamentado da mesma forma que a televisão por assinatura tradicional, e não há divulgação regular de seus números pela Anatel. Portanto, não temos informações sobre seu crescimento em ritmo suficiente para conter a migração do modelo tradicional.

Central de conteúdos

Transformando-se em um hub de conteúdo, as empresas de telecomunicações adotaram a abordagem de se unir aos serviços de streaming em vez de competir com eles. Agora é possível assinar plataformas como Netflix, Globoplay, HBO Max e Paramount+ por meio dessas empresas.

Embora não seja necessário ter uma operadora para acessar uma plataforma de streaming, elas afirmam que oferecem algumas conveniências. Além de possíveis descontos, todos os serviços são incluídos em uma única fatura.

No entanto, esses benefícios podem ser insuficientes para atrair os consumidores, que podem buscar preços mais baixos e pacotes em outros lugares. É por isso que Fernando Magalhães destaca outro atrativo da Claro.

Ele se refere à “integração de metadados”, em que todas as informações sobre o conteúdo dos serviços de streaming são centralizadas na plataforma da empresa. Isso facilita a busca por um filme, independentemente de estar disponível no Telecine, TNT, Netflix ou Amazon Prime Video.

A coluna do Uol especializada em entretenimento finaliza a reportagem com um questionamento: “A mudança de foco não veio tarde?”

Grandes empresas como Roku, Apple, Amazon e Google oferecem opções semelhantes. Elas desejam se tornar a porta de entrada para todos os serviços de streaming, facilitando a vida do usuário em um cenário fragmentado.

Em vez de navegar individualmente em cada plataforma em busca de algo para assistir, é oferecida uma interface inicial que reúne todos os serviços, com possibilidade de curadoria humana ou algorítmica. Em alguns casos, é possível assinar tudo em um só lugar ou criar pacotes com descontos.

Essas plataformas funcionam como canais, desempenhando o mesmo papel das antigas operadoras de TV. A diferença é que antes havia apenas três ou quatro concorrentes, enquanto hoje as empresas de tecnologia do Vale do Silício disputam o espaço com as empresas de telecomunicações.

“É evidente que, se voltarmos dez ou quinze anos no passado, a TV por assinatura monopolizava a entrega de conteúdo. Isso não ocorre mais, pois agora temos essas plataformas”, reconhece Magalhães.

Até o momento, a estratégia tem sido bem-sucedida para a Claro: a empresa saiu de um prejuízo bilionário em 2015 e agora possui lucro operacional. Parte desse dinheiro tem sido reinvestida em coproduções de filmes no Brasil, assim como a Netflix faz.

Atualmente, a Claro está envolvida em 33 filmes de cinema, com um investimento total de R$ 100 milhões. A lista inclui diversos gêneros, mas há um foco em cinebiografias, como as de Rita Lee, Mamonas Assassinas, Silvio Santos e Ayrton Senna, que estão em produção ou pré-produção.

Curiosamente, as operadoras de TV por assinatura não podem financiar conteúdo exclusivo para suas próprias plataformas, devido às restrições impostas pela Lei do Serviço de Acesso Condicionado, de 2011.

A Netflix certamente atrairá assinantes com sua próxima série sobre Senna, estrelada por Gabriel Leone. Enquanto isso, a Claro, embora coproduza um filme sobre o tricampeão de Fórmula 1, não poderá alcançar o mesmo resultado.

ViaUol

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