24/02/2024

Das 19 mil escolas prometidas, somente 3 estão conectadas pela Starlink

Essas escolas só estão conectadas por causa das três antenas que foram cedidas como uma ‘demonstração de serviço’ pela empresa.

Em maio de 2022, durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, o bilionário Elon Musk visitou o Brasil para anunciar um “acordo” com a Starlink, serviço de internet via satélite da Spacex, para levar conectividade a cerca de 19 mil escolas públicas da região Norte até o fim de 2022.

Entretanto, até o momento, não há nenhum acordo firmado com o governo federal, sendo que na época, três antenas foram cedidas como uma “demonstração de serviço” da Starlink, que estão instaladas em três escolas estaduais no Amazonas. E desde então não houve novas instalações na rede de ensino.

Atualmente, há mais de 5 mil escolas sem conectividade na região, conforme dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Houve um edital em outubro do ano passado para que provedores interessados se apresentassem para levar internet banda larga para quase 7 mil unidades escolares, mas a Starlink não participou.

Entretanto, de acordo com uma reportagem do UOL, o serviço não foi direcionado para as escolas como estava programado para acontecer, mas os equipamentos da empresa têm sido vendidos para garimpeiros, mas em garimpos ilegais na Amazônia.

Os mineradores ilegais usam a internet via satélite para se comunicar há anos, mas o processo exigia o envio de um técnico, geralmente de avião, para instalar uma pesada antena fixa, mas os equipamentos da Starlink podem ser instalados por qualquer pessoa e funciona mesmo em movimento. Além da velocidade ser tão rápida quanto nas grandes cidades e o sinal funciona até mesmo durante as tempestades.

A Starlink tem autorização para vender seu serviço para entes privados, mas acontece que a internet de alta velocidade tem se tornado uma ferramenta valiosa para o garimpo ilegal no Brasil, dificultando a fiscalização ambiental.

Ainda de acordo com a reportagem, há um comércio paralelo das próprias antenas da empresa em grupos de garimpeiros que revendem os equipamentos com preços mais altos. Oficialmente, a antena custa a partir de R$ 1 mil e a mensalidade sai a partir de R$ 184, mas nesses grupos, chega a mais de R$ 8 mil os equipamentos.

Embora a revenda não seja ilegal, a empresa diz e site que “você não poderá revender o acesso aos serviços a terceiros como um serviço independente, integrado ou de valor agregado“.

“Não tenho nenhum envolvimento com a operação e nem conheço os planos da empresa aqui. Não existe ainda uma estrutura e operação local, e não estou autorizado a falar pela empresa.”Vitor Urner, representante legal da Starlink no Brasil.

ViaUOL

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