20/05/2024

Pesquisa aponta dado alarmante sobre a checagem de informações na internet

Segundo levantamento do Comitê Gestor da Internet no Brasil, 62% dos usuários da internet no país só acessam a rede pelo aparelho celular.

Nesta terça-feira (16), o Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), divulgou uma pesquisa sobre o uso de tecnologias da informação e comunicação nos domicílios brasileiros – TIC Domicílios 2022, onde apontou um dado preocupante referente às checagens de informações disseminadas pelos smartphones.

Segundo a pesquisa, somente 37% das pessoas que acessam a internet pelo celular checam as informações recebidas. Esse número é ainda mais alarmante, aumentando para 51%, na média geral e para 74% entre os usuários que se conectam por mais de um dispositivo, como celular e computador.

Um outro dado mostra um aspecto social muito importante e também preocupante na sociedade. A pesquisa aponta que o uso da internet apenas pelo smartphone predomina entre as mulheres (64%), entre pretos (63%) e pardos (67%), e entre aqueles pertencentes às classes D e E (84%). Podemos observar que as classes com menor poder aquisitivo acabam ficando mais expostas a conteúdos mentirosos (fake news), que historicamente é composta, em sua maioria, por pretos e pardos.

Segundo a pesquisa, 62% dos usuários da internet no Brasil só acessam a rede pelo aparelho celular, o que compreende, em número absoluto, 92 milhões de pessoas. No total, o país conta com 149 milhões de usuários de internet, sendo que 142 milhões acessam a rede todos os dias ou quase todos os dias. Outros 7 milhões têm frequências menores de uso. Além disso, ainda há uma estimativa de que 36 milhões de pessoas não possuem acesso à internet.

Essa é a primeira vez que o levantamento analisa as habilidades digitais dos usuários, independente do dispositivo, antes eram apenas as habilidades do uso no computador.

“De maneira geral, em todas as habilidades digitais investigadas pela pesquisa TIC Domicílios foram verificados melhores resultados entre usuários de internet que acessam a rede por múltiplos dispositivos do que entre aqueles que acessam exclusivamente pelo telefone celular”, avalia o coordenador da pesquisa Fabio Storino, analista de informações do Cetic.br e NIC.br, em resposta à Agência Brasil.

Fake News

A pesquisa sai exatamente em um momento em que ocorrem as negociações para a votação do PL das Fake News (Projeto de Lei 2630), que foi retirado da pauta da Câmara dos Deputados há duas semanas após dificuldades na costura de acordos políticos pela sua aprovação, além de forte oposição das grandes empresas de tecnologia, as Big Techs.

De acordo com Storino, o cenário atual traz implicações importantes para o desenvolvimento do país, tanto no que diz respeito à nova transformação digital em curso quanto em aspectos de aprofundamento da desinformação. “No caso específico da verificação de informações online por telefone celular, há limitações ligadas tanto ao dispositivo em si quanto ao plano de dados associado a ele”.

“Devido às limitações do smartphone, muitos usuários ficam limitados a pedaços de informações, como título, subtítulo e foto. Segundo a TIC Domicílios, 64% dos indivíduos que possuem um telefone celular possuem um plano pré-pago; São dados limitados e suficientes para o usuário abrir uma matéria completa. “[…] Isso certamente tem impactos para esses usuários e para a sociedade como um todo, como vimos observando nos últimos anos”, acrescenta.

O coordenador da pesquisa explica que o telefone celular foi um dispositivo fundamental para o aumento do acesso à internet no Brasil e no mundo. Atualmente, o celular é utilizado por 99% dos usuários de internet no país.

“Até 2014, o computador era o dispositivo mais usado para acessar a internet, por 80% dos usuários. De lá para cá, muitos dos novos usuários acessavam exclusivamente pelo telefone celular. Hoje, o computador é o dispositivo de acesso de 38% dos usuários, perdendo terreno até para a televisão, citada por 55% dos usuários”, observa.

Conectividade nas residências

Segundo a pesquisa, a presença de internet nos domicílios brasileiros ficou estável entre 2021 e 2022, alcançando 60 milhões de lares, o que corresponde a 80% do total de domicílios no país. Foi verificada uma situação de estabilidade na presença de conexão nas residências das áreas urbanas (82%) e rurais (68%) e em todos os estratos sociais analisados: classe A (100% dos domicílios conectados), B (97%), C (87%) e D e E (60%).

Presente em 38 milhões de casas, a internet via cabo ou fibra são dominantes no país, com maior presença na Região Sul (72% dos lares). Já a região Norte tem a maior proporção de domicílios cuja principal conexão é pela rede móvel 3G ou 4G (27%).

A TIC Domicílios é uma pesquisa presencial por amostragem feita com 20.688 indivíduos com 10 anos ou mais e em 23.292 domicílios de todo o país. O período de coleta foi de junho a outubro de 2022. A pesquisa é realizada pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br) do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br).

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