Coelba corta cabos e equipamentos de telecom; ISPs relatam prejuízos

Cleane Lima
3 min de leitura

De acordo com dados reportados pelo Neoenergia Coelba, em 2022 foi realizado o corte recorde de 200 toneladas de cabos e equipamentos de telefonia, representando um aumento de 260% em relação ao ano anterior. Esses cortes, segundo a empresa, se trata de cabos de provedores que não são autorizados a usar os postes e recomenda que a população contrate serviços apenas de empresas que possuem contrato de uso de postes, consideradas como “regulares”.

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No total, são apenas 102 provedores que estão na lista da Coelba dos quase 1 mil autorizados para funcionar no estado e que pode ser acessada no site da distribuidora.

Entretanto, os provedores baianos não estão satisfeitos com as ações, considerando-as, no mínimo, ilegais, arbitrárias e invadem a competência da agência reguladora. Por outro lado, reconhecem que não há muito o que se fazer no setor monopolista.

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De acordo com André Costa, presidente do Sindicato dos Provedores de Internet da Bahia, a Neoenergia Coelba leva quase 5 anos para aprovar um projeto de implantação de rede, o que descumpre o prazo legal de 60 dias, além de cobrar até R$ 14 por poste dos pequenos (menos de R$ 1 para a Oi) e diz que empresa regular é a que tem contrato com ela. “Essa é atribuição da Anatel e não de uma distribuidora de energia”, reclama.

Ele também explica que a lista de contratos está desatualizada, além de que não pode ser pública sem a autorização das empresas, uma vez que é uma regra determinada pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

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Segundo André Costa, as ações da Coelba ainda são prejudiciais para os ISPs, pois não leva em consideração aqueles que compartilham redes ou usam outra tecnologia para prestar o serviço, como rádio e 4G. Sua empresa, Use Telecom, que presta serviço na cidade de Porto Seguro por meio da rede da Fibrasil, pode ser considerada irregular, embora pague mensalmente R$ 200 mil para a distribuidora de energia.

Para que uma rede seja regularizada, a Coelba impõe condições rígidas, sem possibilidade de recurso pelos provedores, que têm de pagar à vista 30% da dívida. “São valores proibitivos para muitos provedores”, disse Costa.

O executivo afirma que o sindicato, que congrega cerca de 300 ISPs, está buscando soluções para contornar os problemas e buscando alternativas. Uma delas é a construção de uma rede neutra por meio de cooperativa. “Isso nos daria poder de negociação com a distribuidora”, disse. Outra opção é entrar na justiça contra a Coelba em função dos prejuízos que causam aos provedores com o corte dos cabos. “Com seus métodos, a distribuidora cerceia a livre iniciativa”, avalia.

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