Milhões de famílias terão que comprar o kit para trocar parabólica

Para liberar o 5G nas cidades, quem ainda usa TV via parabólica deverá realizar a substituição dos receptores de televisão; entenda o caso.

O 5G já é uma realidade no Brasil, depois que a tecnologia foi ativada em Brasília, sendo a primeira capital do país a receber a nova rede de internet móvel. No entanto, assim como já noticiamos diversas vezes, isto só foi possível pela facilidade que foi liberar a faixa de 3,5 GHz para que as operadoras pudessem começar o seu uso, cujo espectro é exclusivo para a versão standalone do 5G.

Enquanto isso, em outras capitais e cidades, o Gaispi, grupo responsável pela limpeza de faixa e implementação do 5G no país, já tem iniciado o processo de limpeza da frequência de 3,5 GHz para ativar a nova rede, como é o caso de São Paulo, onde as famílias cadastradas no CadÚnico já começaram a receber o kit para substituir a transmissão da sua TV das antenas parabólicas.

Para nível de entendimento, esse processo é necessário, pois a parabólica no Brasil tem seus dados na banda C, que atua na frequência entre 3,7 GHz a 6,45 GHz, enquanto que o 5G atua na frequência de 3,5 GHz.

Por essa proximidade, mesmo não causando problemas ao 5G, afeta diretamente o sinal que chega às TV via parabólicas, como ruído de som e imagem. Os receptores das televisões não possuem tecnologia para filtrar essa interferência, o que torna quase obrigatória a substituição do equipamento.

“O 5G não sofre interferência, mas gera esse problema nos receptores de sinal de TV via parabólica”, resume o CEO da EAF (Empresa Administradora da Faixa), Leandro Guerra.

De acordo com a EAF, há uma estimativa de que 20 milhões de domicílios ainda assistem TV aberta através da parabólica e terão que trocar seus aparelhos de receptores de sinal. No entanto, 10 milhões dessas famílias terão que tirar dinheiro do próprio bolso para fazer a substituição.

Isto porque, a troca gratuita que está realizada pelo Siga Antenado contempla apenas os incluídos no CadÚnico, cadastro de pessoas de baixa renda do governo federal, conforme determina o edital do 5G.

Entretanto, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) possui outra estimativa, onde calcula que há 18 milhões de domicílios, mas esse dado está baseado na última pesquisa realizada pelo (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), que foi em 2019, acreditando que o número pode ser ainda menor.

“Esses dados devem ser entendidos como estimativas, porém podem não representar a realidade atual, considerando que temos uma expectativa de declínio no número de parabólicas com o passar do tempo”, prevê a Anatel.

No Distrito Federal, por exemplo, que foi onde o 5G iniciou no Brasil, são 3.300 famílias que dependem das parabólicas. As próximas cidades a receber a nova rede, ainda sem data definida, são Belo Horizonte (2.700 parabólicas), João Pessoa (1.500) e Porto Alegre (1.500).

Para as famílias que não são atendidas pelo programa do governo federal, elas terão que desembolsar um valor médio a partir de R$ 400 para troca dos aparelhos, cujo valor é encontrado em vendas na internet. Popularmente, os equipamentos são chamados de “kit banda Ku” e vem com antena, receptor e fiação.

ViaUOL
Cleane Lima
Cleane Lima
Jornalista, Comunicóloga, Repórter e Redatora há mais de 3 anos, com experiência na produção e revisão de conteúdo para internet. Adora escrever sobre qualquer assunto. "Palavras são, na minha humilde opinião, nossa inesgotável fonte de magia". Alvo Dumbledore. E-mail para contato: [email protected]
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