Interesse da AT&T na Oi pode ser um alarme falso? Entenda

Inúmeros indícios geram desconfianças em analistas do setor. Verdadeiro interesse da operadora americana pode ser no mercado audiovisual.

Ilustração com logotipo das empresas
Imagem: Pixabay

Na última semana, o encontro de Randall Stephenson, presidente da AT&T, com Jair Bolsonaro gerou inúmeros rumores. O principal deles foi um possível interesse da operadora americana em adquirir a Oi, que se encontra em uma frágil situação financeira.

A reunião com o presidente do Brasil foi motivada, obviamente, pelo interesse mútuo. Enquanto a gigante americana quer aprovar a compra da Time Warner no Brasil, embarreada pela Lei da TV Paga, o governo quer atrair investimentos e manter a relação estratégica com os Estados Unidos.

Com a promessa de investimento em todos os segmentos das telecomunicações, a AT&T teria em troca a tão esperada alteração na Lei, que a fará ser dona da Warner e SKY no Brasil. Uma operação impedida pelo fato de uma distribuidora não poder deter mais de 50% no controle de uma empresa de mídia.

Por fora, há ainda uma pressão pela aprovação da PLC 79, vista como o novo marco legal das telecomunicações e possível salvação da Oi. A compra da tele pela operadora americana dependeria desse projeto.

Especulações garantem também que a aprovação da aquisição da Time Warner no Brasil é um pedido do próprio Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, em prol da relação diplomática e estratégica entre os dois países.

Em todo esse jogo de interesses, pode haver um alarme falso?

A AT&T não parece interessada em adquirir infraestrutura em território brasileiro. A maior operadora do mundo flertou com uma vinda para o Brasil diversas vezes, mas desistiu por conta das regras setoriais como concessão, licitação de frequência, controle de preço, entre outras que julgava pesadas demais.

Ela surgiu no Brasil quando comprou a DirecTV, que tinha a SKY no pacote.

Esse interesse pode até fazer sentido se olharmos pela perspectiva de que Donald Trump quer boicotar a Huawei no mundo inteiro. A Oi é uma forte compradora da chinesa.

Entretanto, mesmo com todo esse cenário, interlocutores do governo e fora dele afirmam que a americana não tem interesse na tele carioca ou em qualquer infraestrutura no Brasil.

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O verdadeiro interesse é no mercado audiovisual brasileiro. O mundo da TV Globo, Netflix, entre outras. A mudança na Lei da TV paga pode facilitar, inclusive, a vinda do serviço HBO Max para o Brasil. Plataforma que reunirá todas as produções dos estúdios Warner.

A AT&T é a maior operadora privada do planeta e presta conta somente aos seus acionistas. Portanto, as motivações são sempre econômicas. Comprar a Oi e entrar na briga pelo mercado de telecomunicações pode não fazer sentido sob essa ótica.

Um outro argumento é que a empresa também está endivida e o Brasil teria pouca sinergia para justificar investimento.

Só com a compra da Timer Warner, o gasto foi de US$ 85 bilhões.

Mas o que necessariamente justificaria o encontro de Randall Stephenson com Jair Bolsonaro? O interesse na Oi não foi confirmado pela operadora, ainda.

É muito improvável uma empresa manifestar interesse de forma tão pública, com o risco de encarecer os ativos.

Após o encontro, as ações da Oi dispararam e a pressão pela aprovação do PLC 79 aumentou. O projeto chegou até a caminhar no Congresso.

Portanto, há quem aposte que essa é apenas uma versão divulgada pelo governo, para começar a tramitação da PLC 79 e agilizar a mudança na Lei da TV paga. Um anúncio de investimento pode ser tudo o que precisavam para acabar com a resistência pelo projeto.

Outra razão apontada é a indicação de Eduardo Bolsonaro, filho do presidente, como embaixador dos Estados Unidos. O senador Ciro Nogueira, dos Progressistas do Piauí, seria importante nessa aprovação.

Portanto, encaminhar todos os projetos de interesse do senador configuraria uma grande estratégia do governo brasileiro.

Mas o futuro de toda essa massiva operação é incerto. Com a compra da Oi, a AT&T se transformaria em uma grande potência no Brasil. Ela teria Oi, SKY e Warner nas suas mãos.

Com as três, incomodaria e muito grandes presenças no mercado de telecomunicações e audiovisual brasileiro como a Rede Globo, Claro (dona da maior fatia de TV paga) e até mesmo a Netflix, que ganharia concorrência.

A Oi destaca apenas que a aprovação da PLC 79 é o fator mais relevante para o cenário de desenvolvimento da empresa. Até o momento, não há propostas de compra em análise.

Com informações do Tele.Síntese

About Anderson Guimarães
Jornalista com cinco anos de experiência em produção de conteúdo digital. Passagens por eventos nacionais, mídias sociais e agências de publicidade. Apaixonado por tecnologia e cultura pop.
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