CEO da Claro Brasil critica o modelo atual de TV por assinatura

Executivo comenta sobre a redução da base de clientes, empacotamento de canais e provedores que estão infringindo a lei com conteúdo pela internet.


José Felix, CEO do grupo Claro no Brasil, empresa que detém a maior base de assinantes de TV, se mostrou indignado com algumas questões do modelo de TV paga, pontuando alguns aspectos que ele considera extremamente necessários e que deveriam ser alterados, já que ele inclusive levanta a questão de concorrentes não estarem cumprindo a lei.

Em entrevista ao site Teletime, Felix comentou sobre alguns pontos. Os mais interessantes são o declínio da base de assinantes, a forma como alguns provedores estão lidando com a transmissão de conteúdo via internet, infringindo a lei e o famoso empacotamento de canais, que deveria ser revisto, com a aplicação de um novo modelo. 


“Limpando a base de clientes”

Dados recentes, divulgado pela Anatel, revelam que a Claro foi quem mais perdeu clientes entre agosto e setembro, redução de 25,4 mil clientes.

O executivo da Claro diz há uma decisão interna de “limpar” a base de clientes, e que não é possível ficar pagando programador e imposto para assinantes que trazem prejuízo, apenas para dizer sua base é maior que o concorrente. e base que desde o final de 2015 vem drenando o mercado de TV por assinatura no Brasil. “Resolvemos limpar a nossa base de assinantes. Não vamos pagar para ter gente na base. E a cada decisão desta alguém vai perder dinheiro. É um processo que está em curso e que vamos fazer mais, vamos propositadamente acelerar”, declara o executivo.

VIU ISSO?


Provedores que infrigem a lei

Agora vamos para a questão, a forma do conteúdo distribuído pela internet. O CEO do Grupo Claro no Brasil faz duras críticas a certos provedores tradicionais de TV que estão partindo para a oferta de TV na internet. 

“Vejo Fox, Première, NFL, todo mundo indo direto para a Internet. Não está previsto em lei o que eles estão fazendo. Aliás, está previsto em lei: na Lei do SeAC. “Quer fazer? Precisa ser SeAC, com todas as obrigações. Se você está fazendo alguma coisa que está embaixo da legislação, tem que cumprir a lei. Pode gostar ou não (da lei), pode trabalhar para revogá-la, mas é a que existe e está sendo descaradamente infringida e ninguém fala nada”

Mas qual o problema de oferecer conteúdo na internet, isso não seria uma plataforma on demand? Felix destaca que ao contrário do que parece, esses casos não se comparam, por exemplo, ao Netflix e Amazon, serviços que o executivo defende o seu modelo de negócio.

No caso da Fox,Premiere e NFL, citado por Felix, não é uma oferta especial de programação, o que eles fazem é ofertar o mesmo conteúdo dos canais pagos, principalmente as transmissões ao vivo. Para resolver essa questão, o CEO da Claro diz que é preciso mudar a lei, mas enquanto isso não foi feito, não se pode fazer esse tipo de negócio.

A Claro já analisou juridicamente a questão, a conclusão é que se o conteúdo é linear, pela internet, o provedor teria que seguir as leis do SeAC.

Cliente, refém dos canais indesejados



Outro tema que sempre causa polêmica, a questão do empacotamento de canais. “O assinante quer contratar e pagar pelos canais que gosta. Pode inclusive pagar pela cauda longa, porque as pessoas têm gostos variados. Há canais de baixíssima audiência, mas que despertam o interesse de um público e precisam ser oferecidos, valoriza a nossa oferta. Mas do jeito que as coisas são hoje, não dá para fazer, porque somos obrigados pelo programador a levar um monte de canais para todo mundo, mesmo que o cliente queira só canal A ou B”, diz o executivo. “Com isso eu empurro para o cliente um monte de canal que ele não quer, porque não tenho opção”, pontua Felix.

O CEO da Claro ainda disse que certos canais nem deveriam existir, ou então que eles fossem sustentados por propaganda. A realidade vigente hoje, faz com que a TV por assinatura continue nas mãos das classes A e B. 
“São milhões de pessoas. Mas só quem pode pagar pelo modelo atual é a classe A e B. Há gente de classe C que paga porque adora, mas se o modelo fosse mais adequado, se teria muito mais assinantes.”

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