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Existe vantagem em acabar com a redução da velocidade?

Operadoras de internet alegam querer mudar a percepção de velocidade ruim que as pessoas tem da internet móvel. Órgãos de defesa do consumidor dizem que essa é só mais uma desculpa para tirar mais dinheiro dos clientes.
O que pensam os nossos leitores sobre este assunto?
Descobrimos e contamos para você em mais um comentário do resultado de nossa “enquete da semana”.


As operadoras de telefonia já avisaram: pretendem interromper a conexão à internet do usuário sempre que ele atingir o limite de dados do pacote contratado. Elas alegam que a prática já é muito utilizada em outros países e pode melhorar a navegação móvel por aqui. A Vivo foi a primeira a manifestar uma vontade imensa em aderir a este tipo de cobrança, tanto é que já até agendou para novembro a implantação desse método em dois estados brasileiros, Rio Grande do Sul e Minas Gerais.

Mas cortar o acesso à internet quando a franquia acabar tem mais vantagens ou desvantagens? Perguntamos na enquete da semana passada o que você leitor, acha disso.

Grande parte das pessoas parece não ter gostado nada dessa ideia. 80% dos que participaram de nossa enquete informaram não concordar com o argumento das empresas de telefonia de que a medida vai desafogar a rede de internet móvel brasileira. Outros 20% foram até mais otimistas, e acham que a mudança pode sim trazer benefícios. Que tipo de benefício? Questionamos:

Para os 20% que acham que a novidade deve trazer benefícios, pedimos para que escolhessem, dentro de quatro alternativas, aquelas que eles encaram como um benefício plausível para justificar o fim da velocidade reduzida.

Essa história de que vai desafogar o acesso para quem mais precisa do sinal não convenceu os nossos visitantes, e nenhum deles acha que o benefício principal é esse. O fato de muitos países não reduzirem a velocidade da internet também foi ignorado. Agora, todos (os 20%) que acham que a mudança deve trazer benefício acham que a vantagem está na estabilização da velocidade de conexão, já que o cliente não vai mais ficar irritado quando, mesmo tendo acesso à internet, esperar muito tempo para realizar o que deseja na rede.

A metade dos otimistas (10%), também acreditam que a mudança deve acirrar a concorrência entre as operadoras, afinal, elas vão ter que apresentar pacotes mais robustos para se diferenciar umas das outras e atrair novos clientes. Hoje, nós sabemos que com a velocidade reduzida praticada pelas teles, é praticamente impossível fazer tarefas simples como enviar e ver fotos, ouvir músicas por streaming, que dirá assistir a vídeos.

As operadoras brasileiras praticam planos bastante parecidos, principalmente nas franquias, que são bem limitadas. A Vivo, por exemplo, oferece um pacote com 200 MB por mês (6,5MB por dia) por R$ 11,90 (R$ 0,33/dia). A TIM oferece 300 MB por mês (10MB por dia) por R$ 22,50 (R$ 0,75/dia). A Claro disponibiliza 225 MB por mês (7,5MB por dia) por R$ 11,90 (R$ 0,40/dia) e a Oi tem 100 MB por mês (3MB por dia) por R$ 9,90 (R$ 0,33/dia). A esperança é que, sem a redução da velocidade, as operadoras aumentem o limite das franquias a preços competitivos.

Lógico, existem as pessoas que criticam essa ideia repentina das operadoras, e é a maior quantidade delas. Perguntamos aos 80% dos participantes de nossa enquete porque eles acham que essa atitude das empresas de telefonia não é boa para os consumidores.



Nesse caso, também selecionamos quatro pontos negativos dessa atitude e pedimos para que os votantes escolhessem quais deles representavam melhor suas indignações sobre o tema. Praticamente todas as opções foram selecionadas, com leve vantagem para o caso de o cliente perder algo importante quando estiver sem saldo para contratar um novo pacote e não poder acessar nenhuma página (50%).

A ideia também foi muito criticada por beneficiar claramente os cofres das operadoras, já que elas vão ter uma receita de dados muito maior do que atualmente. 50% apontam que fazer o consumidor gastar mais dinheiro com internet no celular é o que os fazem odiar ainda mais esse plano mirabolante.

Como já dissemos, quando a velocidade da internet móvel é reduzida pelas operadoras, fica difícil acessar a internet, a menos que você tenha muita paciência. É que a velocidade fica tão baixa, a ponto de fazer querer voltar o tempo da internet discada. Quer ver exemplos? A internet discada pode oferecer uma velocidade de até 56 kbps. A Oi, quando reduz a sua internet no celular, manda a velocidade lá pra baixo: aproximadamente 30 kbps. A Claro reduz para 32 kbps. A TIM baixa para 50 kbps. E a Vivo deixa a navegação a 32 kbps (quilobits por segundo). Apesar disso, 40% dos participantes de nossa enquete, obviamente, preferem uma internet lenta, do que não ter nenhuma.

Outro ponto negativo é justamente o limite de dados (franquia) imposto nos pacotes de internet. Os limites já são bastante rigorosos, e quando utilizamos um plano de acesso à internet em um smartphone, muitos aplicativos naturalmente passam a rodar em segundo plano, consumindo dados. Assim, rapidinho a sua franquia se esgota e lá vem a operadora querendo que você pague mais para continuar navegando na web. Aliás, é bom relembrar o seguinte: em pacotes mensais, caso você use toda a sua franquia logo na primeira semana de contratação, terá de esperar chegar o mês que vem para poder voltar a acessar internet. Isso é preocupante, pois a popularização da internet móvel no Brasil é importantíssima para a inclusão digital das pessoas de baixa renda. Quando se obriga o consumidor a pagar mais caro para ter acesso a informação – às vezes além do que ele pode pagar – cai a possibilidade de crescimento dessa popularização e menos pessoas passam a ter acesso à internet e incluir-se no meio digital.

Porém, mesmo sendo algo ruim para o país, a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) já disse que não pode interferir diretamente nas estratégias promocionais das empresas de telecomunicações. Até porque num passado não tão distante a situação era pior: o acesso à internet pelo celular era lento e cobrado por megabyte avulso. Isso quer dizer que a situação já melhorou bastante e que usuários de internet móvel devem se contentar com o que tem – ou com o que podem ter.

Acima, levantamos brevemente a possibilidade de, ao passo que a velocidade reduzida acabe, as operadoras passem a oferecer pacotes mais atrativos, com uma maior franquia. Apesar disso, a Vivo, que anunciou a implantação do novo método em duas regiões, não anunciou em momento algum, mudança na quantidade de dados que vão poder ser trafegados em sua rede de internet móvel 3G/4G. Se continuar assim, realmente 40% dos participantes tem razão ao votar na opção “As franquias oferecidas no Brasil acabam muito rápido”, como um desestímulo a aceitação do novo método pelo público.

Nesta semana…

As empresas de comunicação atuantes no Brasil estão mais do que nunca em constante movimento. Imagine que você seja um poderoso empresário internacional e queira atuar no setor de telecomunicações brasileiro. Qual grupo de telecom você compraria para chegar ao país com grande estilo e por que essa companhia lhe atrai? Deixe suas opiniões e participe mais do Minha Operadora em mais uma “Enquete da Semana“.
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