Teles apostam no Wi-Fi para aliviar congestionamento da rede 3G

As redes Wi-Fi ganham importância na estratégia das operadoras móveis e começam a se espalhar pelo Brasil. Os serviços estão sendo ampliados com os objetivos de complementar a cobertura da internet sem fio no País e, principalmente desafogar o tráfego de 3G, que vem crescendo a uma média de quase 100% ao ano. 

Com o aumento da demanda pela internet móvel, as prestadoras de serviços estão investindo para estender a oferta de serviços Wi-Fi. Oi, TIM, Claro e Vivo estão expandido essa oferta para outras áreas, além de aeroportos, shoppings, hotéis e escolas.

Essas redes também estão sendo usadas para inclusão social, chegando até nas favelas, como é o caso da Rocinha no Rio, e de Paraisópolis, em São Paulo. Ambas já contam esse tipo de infraestrutura para acesso banda larga.

“O Wi-Fi é uma alternativa para dar acesso com mais velocidade para as pessoas, sem comprometer o espectro das redes 3G”, informa Maurício Giusti, sócio da empresa de consultoria PricewaterhouseCoopers (PwC). 

O consultor observa que atualmente os usuários da telefonia móvel estão baixando mais aplicações pelos smartphones, impactando as redes 3G. “O Wi-Fi alivia as redes de celular e pode ser oferecido a um custo mais baixo”, diz o consultor.

Até agosto o Brasil contava com 62 milhões de usuários de 3G, somando os que acessam os serviços via smartphones e modem. Com as medidas de incentivos, que o governo federal está prometendo para desoneração dos impostos de PIS/Cofins para celulares inteligentes montados no País, esse número deverá subir. 

O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, diz que até o Natal será possível comprar modelos básicos de smartphones com acesso internet entre 200 e 400 reais, o que deverá trazer mais usuários para as redes 3G. As operadoras deverão incentivar os assinantes a acessar mais as redes Wi-Fi, para deixar a infraestrutura de celular mais aliviada para os serviços de voz e estender sua cobertura de banda larga.

“Queremos que nossos assinantes usem mais as redes Wi-Fi e estamos desenvolvendo um software para mostrá-los onde há hotspots mais próximos, conta Rafael Marques, diretor de marketing da TIM. Ele informa que hoje 35% da sua base de clientes já usam smartphones compatíveis com esse serviço. Esse índice tende a aumentar, já que 80% das novas vendas de terminais da empresa são celulares inteligentes preparados para acessar essas redes. 

Para estimar o uso desses serviços, a TIM fechou uma parceria com a Linktel para compartilhar sua infraestrutura de rede wireless em todo o País. Hoje a operadora conta com cerca de 2 mil hotspots e seu plano e aumentar esse número em cinco vezes, chegando no começo do próximo ano com 10 mil pontos de acessos Wi-Fi, espalhados pelo Brasil. 

O acesso à rede TIM Wi-Fi está disponível sem custos adicionais para todos os clientes de planos de dados Infinity Web e Liberty Web. Para Marques, os clientes levam vantagem ao utilizar esse serviço, que oferece conexões mais rápidas. Assim, ele avalia que ganham os assinantes e a operadora por conseguir desafogar 3G.

A Oi é outra operadora que vem investindo pesado para aumentar a cobertura de Wi-Fi no Brasil. Depois da aquisição da Vex no ano passado, a companhia ampliou esse serviço e conta atualmente com cerca de 12 mil hotspots espalhados por todo o Brasil. O plano da empresa é fechar 2012 com cerca de 30 mil pontos de acesso wireless.

Pedro Ripper, diretor de inovação da Oi, afirma que a operadora tem instalado uma média de 1,5 mil hotspots por semana e que a meta é ter cerca de 150 pontos de acessos Wi-Fi até 2013. Ele informa que a companhia está levando esse serviço para diversos locais abertos e fechados.

Atualmente, o maior projeto da operadora é entregar Wi-Fi para pequenos estabelecimentos do varejo, que são locais fechados e pulverizados. Como esse serviço sempre chega sempre por meio dos cabos que levam pela banda larga fixa, a estratégia da companhia é oferecer aos pequenos negócios um hotspot fixo privado.

Ripper explica que num restaurante, por exemplo, é possível oferecer uma rede Wi-Fi privada para uso do estabelecimento e outra separada para os clientes da Oi que passsarem pelo local. “Ambas as redes são distintas”, informa o executivo. 

Segundo o diretor de inovação da Oi, o plano de expansão da rede Wi-Fi da operadora é para complementar a sua oferta de banda larga. Em casa, os clientes podem usar o acesso fixo e em trânsito esse serviço ou 3G, dependendo da sua necessidade.

O mesmo deverá acontecer quando 4G entrar em operação, devido às características da nova tecnologia, que atende melhor locais abertos, podendo causar interferência em áreas fechadas.

No caso da Oi, o serviço Wi-Fi é entregue no pacote de banda larga, sem custo adicional. Ripper constata que hoje os consumidores querem um único provedor de internet que possa lhe atender em qualquer lugar, seja em casa ou em trânsito, inclusive quando está fora do País.

Para os que estão em viagem no exterior, a companhia fechou uma parceria com a espanhola Fon, que se encarrega de fazer o roaming desse serviço em cerca de 120 países. “Achamos que as pessoas daqui para frente vão comprar um pacote de banda larga, que possa atendê-los em qualquer lugar com Wi-Fi”, acredita Ripper.

As redes Wi-Fi são mais velozes que as de 3G em razão de elas chegarem aos assinantes sempre por meio da fibra óptica usada pela banda larga fixa. Elas funcionam como as Lans (redes locais), com acesso compartilhado por um número menor de assinantes.

Segundo Ripper, as redes Wi-Fi têm a capacidade de 4G e podem oferecer velocidades de até 100 Mbps. Por essa razão são ideais para os usuários quando eles precisam de uma conexão mais rápida para download e acesso a aplicações de vídeo.

Com essas caracterísicas, o consumidor gostaria de ter acesso Wi-Fi em todos os locais que frequenta, segundo revelou um estudo conduzido pelo Cisco Internet Business Solutions Group (IBSG) no Brasil com 650 usuários, e divulgado ontem no Futurecom 2012.

De acordo com os entrevistados, o Wi-Fi oferece uma melhor velocidade de acesso a menor custo. Mais da metade, ou 53%, disseram que o serviço é mais confiável e mais fácil de usar.

O estudo também revelou que 83% dos entrevistados consideram extremamente importante que sua operadora de banda larga ofereça Wi-Fi. Entre os entrevistados, 69% disseram que mudariam de 
provedor para ter esse serviço gratuito.

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