Retorno financeiro das operadoras está abaixo do custo de capital

O sinal amarelo da rentabilidade das operadoras de telecomunicações está aceso. E a Oi é a primeira a dar essa mensagem abertamente. Seu presidente, Francisco Valim, desabafou para o risco de desequilíbrio financeiro que as operadoras de telecomunicações enfrentam em razão da crescente necessidade de investir na expansão das redes. “Se você trabalhar no conceito de onerar as operações em um retorno que já é abaixo do custo de capital, a conta não fecha e o investimento vai fatalmente acabar sacrificado. Não estou dizendo que é agora, mas é uma tendência que acabará causando um déficit de investimento em algum momento no futuro”. Para Valim, a conta é simples: “pegue o fluxo de caixa da operadora e coloque em projetos como 3G, 4G, ampliar fibra etc. Some-se tudo isso e você verá que o retorno desses novos projetos nas condições de mercado existentes é menor do que custa o capital para fazer isso. O paradoxo é que se você não faz, você morre. E se você faz, emagrece. O problema é quanto tempo você consegue só perder peso”, disse o presidente da Oi.

Ele disse que a forma de reverter esse ciclo é mudar algumas condições atuais do mercado. “Em geral, quando todo o mercado começa a entrar nesse tipo de zona, ou o mercado se auto-regula, ou o regulador entende que tem um problema estrutural no futuro e intercede”. Ele exemplifica essa intervenção regulatória com as ações, por exemplo, para desestimular o excessivo uso dos modelos de chamadas ilimitadas.

Outra ação seria desonerar as operadoras de obrigações que, segundo ele, não fazem mais o menor sentido, como as obrigações de TUPs (orelhões). Segundo Valim, 60% dos TUPs não geram tráfego praticamente nenhum, e 40% geram apenas 1% do tráfego da operadora. “É o típico caso em que o Fust faria todo sentido. É telefone de uso público, não é competitivo. Já foi um negócio para nós, mas hoje não. Seria um alívio fantástico de custo, de atenção, sem falar das multas, que certamente um percentual grande de nossas multas vêm daí, onde sou penalizado pelo vandalismo, onde não somos responsáveis”, disse ele.

Para Valim, seria oportuno discutir uma revisão geral do modelo de telecomunicações agora, “desde que isso não me custe mais ainda”. Segundo ele, o PNBL já obriga a Oi a universalizar a banda larga. “A Anatel deveria buscar a competição e o investimento em novas redes e para isso deveria aliviar os concessionários mais pesados, e não onerar com mais obrigações, como acontece. É sempre mais coisa que se pede, como é o caso do PNBL” , disse ele.

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