quarta-feira, 17 de abril de 2013

Vivo lança comercialmente plataforma de M2M na nuvem este mês e avança em gestão de frotas

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A Telefônica|Vivo está preparando sua ofensiva no mercado de conexões máquina a máquina (M2M) no Brasil. Para isso, fará o lançamento operacional de sua plataforma de M2M. Anunciada em novembro como solução global da Telefônica Digital para M2M baseada na nuvem, a Smart Center agora já tem produtos definidos, força de venda, modelo de precificação fechado e será lançada comercialmente ainda neste mês.

“Nós já oferecemos conectividade às empresas e vamos entrar ainda mais na cadeia de valor”, afirma Roberto Piazza, diretor executivo de negócios digitais da Vivo. Em cima da plataforma na nuvem, a operadora espanhola está estruturando um portfólio de soluções para verticais específicas, em que há maior potencial de negócios, de forma a acelerar o crescimento de sua fatia do mercado de M2M no Brasil.

Atualmente, a operadora é a segunda colocada neste mercado, atrás da Claro (do grupo América Móvil), mas superou a TIM (da Telecom Itália) no ano passado. Enquanto a Claro contabilizava 3,19 mil acessos por M2M em 2012, a Vivo registrava 1,24 milhão de acessos e a TIM 1,23 milhões de acessos. A Oi registrava 1 milhão de acessos no final de 2012.

A operadora espanhola, porém, não está satisfeita com a vice-liderança e a disposição da Vivo para disputar terreno tem surtido efeitos. Em 2012, ano em que, de fato, fincou o pé no segmento, o ganho líquido da Vivo com M2M foi 81% maior por conta da captura da conta de cinco grandes operadoras de cartões de crédito. Em fevereiro, a Vivo diz ter aumentado sua participação no mercado M2M em 0,13%, totalizando 19,14% do mercado, com 1,4 milhão de dispositivos conectados. Além disso, a companhia já fechou um acordo com uma grande montadora, o que deve gerar novos acessos no futuro.

O mercado de gerenciamento de frotas é uma das verticais que a Vivo aposta para avanço das conexões máquina à máquina. O motivo para a dedicação da companhia é simples: a estimativa é de que 5 milhões de veículos têm potencial para estarem conectados (3% de penetração). E, para se preparar, a companhia investiu em uma parceria com a Sascar, empresa de monitoramento de veículos e gestão de operações de transporte no mercado nacional, para o desenvolvimento de soluções de gestão de frita de veículo leves no Brasil. 

Além de ganhar um portfólio de soluções de gerenciamento de frota que considera robusto, o que lhe garante entrada ágil no mercado, a parceria ainda rendeu à Vivo uma cartela de clientes de 300 mil empresas e uma rede ampla de instalação e assistência técnica, explica Piazza.

Os termos do acordo preveem que as duas empresas comercializarão soluções sob a marca Vivo, somando tecnologia, abrangência nacional e conhecimentos em gestão de frotas da Sascar com a rede comercial da Vivo. Os principais segmentos-alvo serão frotas utilizadas por equipes de vendas e assistência técnica, prestadores de serviço de concessionárias de água, luz e telefonia, bem como empresas de entregas rápidas, entre outros.

Com a parceria, já aprovada pelo Cade, as duas empresas também se preparam para a implantação do Sistema Nacional de Identificação Automática de Veículos (Siniav) pelo Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) [que prevê a obrigatoriedade de todos os veículos saírem da fábrica com chips de identificação] prevista para junho de 2015. “Essa é uma forma de estarmos presentes e atendermos essa demanda do governo. Neste segmento, estamos apenas nós e um segundo competidor”, afirmou Marcio Tabatchnik Trigueiro, presidente da Sascar.

As demais verticais prioritárias de investimento da Vivo em M2M são smart meetering (medidores inteligentes) e smart grid (redes de energia elétrica inteligentes). De acordo com Piazza, ainda não está definido se o avanço da Vivo na oferta de soluções para as demais verticais se dará por meio de parcerias. Segundo ele, cada caso será avaliado separadamente. “Existem situações em que a parceria se encaixa muito bem: quando há necessidade de reduzir o time-to-market e há uma empresa com expertise, plataforma robusta, rede de serviços bem estruturada e com abrangência nacional. Fazer isso demora”, declarou.

O mercado de M2M brasileiro deverá receber um impulso com a desoneração do serviço. A Lei 12.715/2012 (originária da Medida Provisória 563), que prevê a redução de dois terços da contribuição das conexões M2M para o Fistel, foi aprovada, mas ainda requer regulamentação, ainda sem data para sair.

Apesar da demora da definição, os terminais de dados para conexões máquina à máquina (M2M) continuam crescendo em ritmo mais acelerado do que o volume de modems para banda larga móvel. Balanço da Anatel referente a fevereiro aponta crescimento de 2,4% na base de acessos M2M em relação a janeiro, somando 7,082 milhões, equivalente a 2,69% das conexões móveis. No mesmo período, os terminais de banda larga móvel cresceram apenas 0,19%, para 6,769 milhões. O conjunto dos acessos M2M é quase que integralmente composto por máquinas de cartões de crédito e débito habilitadas nas redes de dados das operadoras.