A Telefónica, grupo espanhol que controla a Vivo, obteve o aval da autoridade de concorrência do México para vender sua operação no país ao consórcio Melisa Acquisition, liderado pela OXIO e pela Newfoundland Capital Management. O negócio, anunciado em abril, avalia a Telefónica México em US$ 450 milhões (cerca de R$ 2,3 bilhões) e envolve a Movistar, operadora com mais de 20 milhões de clientes móveis no mercado mexicano.
A Comissão Nacional Antimonopolio aprovou a transação em 24 de setembro e deu aos compradores seis meses para concluí-la, prazo que vai até março de 2027. Pelo acordo, a Telefónica Hispanoamérica transfere 100% das ações das empresas Pegaso PCS e Celular de Telefonía. A venda faz parte da estratégia do grupo de deixar a América Hispânica e concentrar esforços em mercados como o Brasil.
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O QUE O REGULADOR MEXICANO DECIDIU
Segundo a versão pública do processo CNT-106-2026, a comissão concluiu que a operação tem poucas probabilidades de prejudicar a concorrência. A aprovação ocorreu na 38ª sessão ordinária do órgão, com quatro votos favoráveis, após a notificação formal do negócio pelas empresas em 28 de maio. O prazo de seis meses para o fechamento pode ser prorrogado uma única vez, por período semelhante, desde que haja justificativa.
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OS PRÓXIMOS PASSOS DO NEGÓCIO
Com a eventual prorrogação, a data-limite passaria para a última semana de setembro de 2027, segundo cálculo do jornal El Economista. Depois do fechamento, as duas companhias terão 30 dias úteis para comprovar a conclusão à comissão e informar o valor final da transação, já que o preço está sujeito a ajustes previstos no contrato. Se deixarem de entregar esses dados, podem receber multas diárias.
- Fechamento em até seis meses, com prazo previsto para março de 2027
- Possibilidade de uma única prorrogação, até setembro de 2027
- Comprovação do fechamento à CNA em até 30 dias úteis
- Envio do valor final da transação ao regulador
- Aval da CRT, que ainda não foi confirmado publicamente
A resolução da comissão antitruste não antecipa as licenças de outros órgãos. Quando anunciou o acordo, a Telefónica citou a Comissão Reguladora de Telecomunicações (CRT) como outra aprovação necessária, mas nenhuma das empresas informou publicamente se esse aval já foi concedido. O preço final e a data exata de conclusão da venda também seguem sem divulgação pelas companhias envolvidas.
OXIO VAI MANTER A MARCA MOVISTAR
A compradora pretende preservar a marca Movistar e a atual equipe de gestão da operadora. A principal mudança estará na infraestrutura tecnológica, com a adoção gradual da plataforma Telecom-as-a-Service (TaaS) da OXIO, uma arquitetura baseada em nuvem que integra núcleo de rede, conectividade e ferramentas de gestão de dados. A empresa afirma que a transição será feita com a manutenção dos serviços aos assinantes.
Fundada em 2018 e sediada em Nova York, a OXIO tem licenças de telecomunicações nos Estados Unidos e no México, onde atua no atacado e fornece infraestrutura para marcas que querem vender conectividade móvel, como Grupo Coppel, Rappi e Mercado Pago. A companhia também planeja incorporar conexões via satélite e serviços de inteligência artificial e informou em setembro que os dados dos clientes ficarão em data centers da Amazon Web Services em Querétaro.

OPERAÇÃO NÃO TEM REDE PRÓPRIA DE ACESSO
A Movistar México devolveu seu espectro móvel e, desde 2019, funciona como operadora virtual hospedada na infraestrutura da AT&T. Segundo as demonstrações financeiras de 2025 da Telefónica, o acordo de acesso à rede da concorrente foi estendido até 2030 e abrange as tecnologias 3G, 4G e 5G. A operadora mantém componentes próprios de núcleo e transporte de rede, além de sistemas de clientes e centros de atendimento.
Pela Pegaso, o comprador também leva uma participação de tamanho não divulgado na GTAC, dona de uma rede de fibra óptica. Antes da venda, a unidade saiu de um prejuízo antes de impostos de 7 milhões de euros para um lucro de 14 milhões de euros em 2025, segundo o El Economista. No mesmo período, porém, perdeu clientes, receita e participação em um mercado liderado pela América Móvil em usuários, receita e infraestrutura.
TELEFÓNICA ACELERA SAÍDA DA AMÉRICA HISPÂNICA
A venda no México integra a política da Telefónica de deixar os mercados de língua espanhola da América Latina, orientação registrada no comunicado enviado à Comissão Nacional do Mercado de Valores (CNMV) da Espanha em 7 de abril. O grupo já vendeu a operação no Chile e se desfez dos negócios na Colômbia, além das unidades na Argentina, no Peru, no Equador e no Uruguai.
Com a saída, a companhia quer concentrar investimentos em seus mercados principais, entre eles o Brasil, onde opera com a Vivo, além de Espanha, Alemanha e Reino Unido. A retirada do México era considerada complexa por causa de uma disputa tributária de cerca de US$ 250 milhões (aproximadamente R$ 1,3 bilhão) em litígio na Suprema Corte mexicana. O grupo afirma que a transação segue sua política de gestão do portfólio de ativos.
Entre os negócios considerados não estratégicos na região, resta apenas a Venezuela. O CEO Marc Murtra afirmou em janeiro que o roteiro para deixar o país venezuelano seguia inalterado mesmo após a deposição de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos. A série de vendas na América Latina pesou no balanço de 2025, quando a Telefónica registrou prejuízo líquido de 4,3 bilhões de euros.












