Divulgação/Apple

iPhone Duo: vendas começam no Brasil, mas sete dúvidas seguem sem resposta

Cristino Melo
8 min de leitura

A Apple abre nesta sexta-feira (16), às 9h, a pré-venda do iPhone Duo no Brasil, e as vendas oficiais do primeiro celular dobrável da marca, com início das entregas, começam em 23 de outubro. Os preços partem de R$ 21.999. Apesar de a fabricante ter detalhado as especificações do aparelho, ainda há sete pontos que só ficarão claros com o uso prolongado do smartphone no dia a dia.

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O modelo chega com chip A20 Pro, modem C2 e conectividade exclusiva por eSIM, sem entrada para chip físico, o que exige que o cliente converta a linha para o formato digital junto à operadora. O Face ID também sai de cena e dá lugar a um leitor de digital na lateral. Dúvidas sobre bateria, tela e conforto podem pesar na escolha entre comprar agora ou esperar uma próxima geração.

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PREÇOS E DATAS DO IPHONE DUO NO BRASIL

O iPhone Duo será vendido em quatro versões de armazenamento, e a diferença entre a mais barata e a mais cara chega a R$ 9 mil. Como o aparelho funciona apenas com eSIM, vale confirmar antes da compra se a operadora já oferece a migração de forma digital, pelo aplicativo ou no site, para evitar a ida a uma loja física. Confira os valores oficiais de cada configuração no mercado brasileiro:

  • 256 GB: R$ 21.999
  • 512 GB: R$ 23.499
  • 1 TB: R$ 26.499
  • 2 TB: R$ 30.999
Iphone 18 Duo
Divulgação/Apple

BATERIA AINDA PRECISA PASSAR POR TESTES

A Apple informa que o iPhone Duo garante até 44 horas de reprodução de vídeo usando a tela externa e 31 horas com a tela dobrável maior aberta. Para comparação, a empresa promete até 36 horas para o iPhone 18 Pro e 45 horas para o iPhone 18 Pro Max. Esses números, porém, refletem condições de laboratório e não dizem muito sobre o comportamento da bateria em um dia comum, com uso de redes móveis e aplicativos variados.

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Uma pista vem dos testes de navegação contínua em 5G do site Tom’s Guide, nos quais o iPhone 18 Pro durou 16 horas e 17 minutos e o Pro Max chegou a 18 horas e 27 minutos. Como o dobrável compartilha boa parte do hardware interno com esses modelos, incluindo o eficiente A20 Pro e o modem C2, a expectativa é de resultados próximos. A confirmação, no entanto, só virá com análises independentes.

TELA FOSCA E VINCO SÃO INCÓGNITAS

Além de dobrar, a tela principal do iPhone Duo aposta em um acabamento fosco chamado nano-texture, diferente do vidro brilhante adotado pela maioria dos celulares premium. A grande questão é como esse painel vai se comportar em ambientes muito iluminados, especialmente diante do revestimento antirreflexo que a Samsung aplicou nos Galaxy Z Fold 8 e Z Fold 8 Ultra. Também não se sabe ainda o impacto dessa camada na fidelidade das cores.

Outro ponto de atenção é o vinco da tela. A Apple destacou que o iPhone Duo não tem marca visível na dobra, mas a experiência com outros dobráveis mostra que esse vinco costuma surgir com o tempo, mesmo quando não aparece no lançamento. Por isso, será importante observar como as telas dos primeiros aparelhos estarão depois de três a seis meses de uso, quando dobras e aberturas repetidas já tiverem cobrado seu preço.

ACESSÓRIOS MAGSAFE E CONTROLES

O iPhone Duo é compatível com MagSafe, mas o formato diferente do aparelho deve deixar muitos acessórios atuais de fora. Já circulam imagens na internet indicando que o celular é curto demais para encaixar de forma alinhada uma carteira MagSafe para cartões. Carregadores tendem a funcionar sem problemas, mas baterias externas e suportes podem ficar desajeitados. Controles de jogos que abraçam o celular pela porta USB-C também devem ter dificuldade para se conectar.

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CÂMERAS SEM LENTE TELEOBJETIVA

A Apple acumula reputação positiva quando o assunto é fotografia, mas o iPhone Duo pode não alcançar o nível dos iPhone 18 Pro e Pro Max. O dobrável não tem lente teleobjetiva e depende de um recurso digital chamado qualidade óptica para simular imagens aproximadas. Ele também fica sem a nova tecnologia de abertura variável. O iPhone Air mostrou que é possível tirar boas fotos com uma única lente, já que o software tem peso enorme no resultado.

Por outro lado, o Galaxy Z Fold 8 provou que a ausência de uma terceira lente pode fazer falta em determinadas situações, principalmente em fotos de objetos distantes. Como o hardware de câmera do iPhone Duo é parecido com o dos modelos Pro no papel, há motivos para algum otimismo. Ainda assim, só será possível avaliar a real qualidade das fotos e vídeos depois que o aparelho chegar às mãos dos consumidores e dos analistas.

RESISTÊNCIA DO DOBRÁVEL EM XEQUE

A durabilidade sempre foi o ponto fraco dos celulares dobráveis, e alguns modelos sequer têm vedação contra poeira. A Apple adotou titânio grau 5, o mesmo material dos iPhone 15 Pro e iPhone 16 Pro, além do Ceramic Shield 2 na tela frontal. Mesmo assim, a empresa enfrentou problemas recentes com arranhões nos iPhone 17 Pro e Pro Max, que trocaram o titânio por alumínio anodizado. A resistência da tela dobrável segue como uma incógnita.

APPS E CONFORTO NO USO DIÁRIO

A experiência de software é um dos trunfos do iPhone Duo, e a Apple trabalhou para adaptar seus aplicativos aos novos tamanhos de tela. Porém, apps de outras empresas dependem do esforço de cada desenvolvedor, e muitos simplesmente ignoram essa tarefa. Basta olhar para os dobráveis Android, em que vários aplicativos são apenas versões esticadas das interfaces de celular. A expectativa é que dezenas ou centenas de apps estejam otimizados já no lançamento.

O peso também chama atenção. Com cerca de 252 gramas, o iPhone Duo é o iPhone mais pesado já fabricado pela Apple, e não está entre os dobráveis mais finos ou leves do mercado. O Galaxy Z Fold 8, por exemplo, pesa quase 57 gramas a menos. Somado a um formato ao qual o público ainda não está acostumado, isso levanta dúvidas sobre o conforto após algumas horas de uso contínuo, algo que só testes prolongados poderão responder.

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