Reprodução/Gemini

Adeus, torres? Starlink ganha aval para levar 5G do espaço ao celular

Cristino Melo
7 min de leitura

A Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos (FCC) aprovou nesta terça-feira (6) o pedido da SpaceX para lançar e operar 15 mil satélites de nova geração dedicados ao Starlink Mobile, serviço que leva conexão via satélite diretamente ao celular. A solicitação havia sido apresentada pela empresa de Elon Musk em setembro de 2025 e a decisão abre caminho para que a companhia dispute clientes com as maiores operadoras móveis do país.

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Junto com a liberação da constelação, a agência concedeu uma dispensa que permite à SpaceX oferecer serviços móveis por satélite sem firmar acordo de arrendamento com uma operadora terrestre. Na prática, a empresa poderá usar as frequências que está comprando da EchoStar, controladora da Boost Mobile, e deixar de depender do espectro de parceiras para atender os usuários.

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DA VERSÃO 1 AO 5G VIA SATÉLITE

Hoje, a primeira versão do Starlink Mobile é vendida com exclusividade pela T-Mobile sob o nome T-Satellite. Com a nova constelação, a SpaceX promete velocidades de 5G e planeja combinar os satélites com femtocélulas, pequenas estações em solo de custo mais baixo, para oferecer cobertura celular inclusive em áreas suburbanas e nas cidades. Parte do setor, incluindo o diretor financeiro da T-Mobile, recebeu a proposta com ceticismo.

Starlink Mobile atualNova geração
SatélitesCerca de 65015 mil
VelocidadeCerca de 4 MbpsAté 150 Mbps por usuário
EspectroFrequências da T-MobileFrequências da EchoStar e da T-Mobile
AlcanceSó nos EUA, via T-MobileAutorização também fora dos EUA

ÓRBITA MAIS BAIXA E NOVAS FREQUÊNCIAS

A autorização permite que os satélites operem em órbitas entre 335 km e 326 km de altitude, o que parece ser um novo recorde de proximidade em relação à primeira geração de satélites da Starlink voltados ao celular. A órbita mais baixa deve ajudar a reduzir a latência. A FCC também liberou o uso da constelação para operações celulares fora dos Estados Unidos.

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Pela ordem da agência, porém, a SpaceX só poderá fazer testes com as frequências da EchoStar até a conclusão da segunda etapa da compra, prevista para 30 de novembro de 2027. Até lá, a empresa projeta ter iniciado o lançamento dos primeiros satélites da segunda versão. A FCC ainda autorizou o uso do bloco G de PCS da T-Mobile, já explorado no serviço atual, embora a operadora venha minimizando o T-Satellite e cogite outros parceiros.

FCC DEFENDE MAIS CONCORRÊNCIA

Em sua decisão, a FCC fez questão de defender o projeto. “Com esta ação, as implantações planejadas pela SpaceX vão remodelar a conectividade baseada em espectro, melhorando a concorrência e permitindo que mais consumidores tenham mais opções em mais lugares”, afirmou o órgão. A agência também destacou que a constelação deve atender usuários em zonas sem sinal e ampliar a competição no varejo de serviços sem fio.

A aprovação ocorreu apesar da oposição de concorrentes do setor de comunicação por satélite e de grupos ambientais, preocupados com interferência de rádio e poluição luminosa. Ainda assim, a FCC adiou a análise de outros pontos do pedido, como o uso da faixa de 2020 MHz a 2025 MHz nos Estados Unidos e da faixa de 1429 MHz a 2690 MHz em outros países.

Imagem: Minha Operadora

AGÊNCIA PREPARA MAIS ESPECTRO PARA D2D

A agência já prepara novos estímulos ao segmento de conexão direta ao dispositivo, conhecido como D2D. O presidente do órgão, Brendan Carr, é um dos principais defensores das comunicações espaciais e tem apostado na modernização do licenciamento e em mais espectro para empresas como a SpaceX. Na semana passada, a FCC já havia aprovado a abertura de 1.000 MHz para satélites. Veja o que entra na pauta da reunião de 29 de outubro:

  • Leilão de espectro: 25 MHz nas faixas de 1675 MHz a 1695 MHz e de 2020 MHz a 2025 MHz
  • Cobertura complementar a partir do espaço: proposta para disponibilizar mais 482 MHz
  • Modelos híbridos: mudanças regulatórias para facilitar acordos entre redes terrestres e satélites
  • Drones: regras finais para liberar 50 MHz na faixa celular de 800 MHz, licenciada principalmente para AT&T e Verizon

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E COMO FICA O BRASIL?

Para o mercado brasileiro, a decisão é acompanhada de perto, já que a FCC também autorizou a SpaceX a usar a nova constelação em operações celulares fora dos Estados Unidos. Por aqui, a Vivo poderá testar a internet direto no celular da Starlink até 2029, o que deve mudar o uso da Starlink no celular no Brasil. Com a nova geração, a promessa é sair dos atuais 4 Mbps para até 150 Mbps por usuário.

O avanço no país, porém, enfrenta obstáculos. Uma recomendação do Ministério da Fazenda pode atrasar o D2D da Starlink, enquanto operadoras e entidades também podem atrasar a chegada do serviço ao país. O cenário contrasta com o americano, onde a FCC dispensou a SpaceX de firmar acordo com uma operadora terrestre e já discute liberar mais espectro para a conexão direta ao dispositivo.

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