Reprodução/YouTube

Capa protege iPhone em queda de 30.607 metros e entra para o Guinness

Cristino Melo
7 min de leitura

Uma capa de celular manteve um iPhone 17 Pro intacto após uma queda livre de 30.607 metros de altitude, em um teste realizado pela fabricante RHINOSHIELD no dia 24 de junho, sobre a região de Kiruna, no norte da Suécia. O resultado rendeu à marca taiwanesa um título oficial do Guinness World Records, anunciado nesta semana, e transformou o vídeo do salto em um dos assuntos mais comentados entre fãs de tecnologia.

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O aparelho subiu até a estratosfera preso a um balão de alta altitude e foi liberado sem paraquedas, sem sistema de aquecimento e sem nenhuma camada extra de proteção, como exigem as regras da premiação. A operação foi tocada em parceria com a empresa aeroespacial britânica Sent Into Space e funcionou como vitrine para o modelo AirX, lançado no ano passado.

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NÚMEROS DA QUEDA RECORDE

A altitude de largada equivale a mais de três vezes o teto de voo de um avião comercial e a mais de três vezes a altura do Monte Everest. Durante os cerca de 25 minutos de descida, o conjunto enfrentou ventos imprevisíveis e temperaturas que chegaram a 60 graus Celsius negativos, sem qualquer sistema de aquecimento acoplado ao aparelho ou à capa. O trajeto foi acompanhado por rastreamento via GPS.

  • Altitude de largada, 30.607 metros (100.418 pés)
  • Data do teste, 24 de junho de 2026
  • Local, Esrange Space Center, perto de Kiruna, na Suécia
  • Tempo de queda, cerca de 25 minutos
  • Temperatura mínima registrada, 60 graus Celsius negativos
  • Tempo de buscas até achar o celular, mais de cinco horas
  • Aparelho usado, iPhone 17 Pro com capa AirX de linha

Confira o vídeo:

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O rastreador embutido no equipamento reduziu a área de buscas para cerca de dois quilômetros, mas a equipe levou mais de cinco horas para localizar o iPhone em meio à vegetação. Depois de recuperado, o aparelho foi ligado, fez chamadas e tirou fotos normalmente, com a carcaça externa sem trincas, segundo a verificação conduzida pela juíza do Guinness, Juliet Dawson.

O QUE FAZ A CAPA AGUENTAR O IMPACTO

A AirX é feita de elastômero termoplástico em construção monomaterial, o que permite a reciclagem integral do produto. A estrutura combina uma câmara de ar que percorre os 360 graus da peça com um sistema de compressão em três pontos batizado de ShockSpread, inspirado em airbags automotivos e no amortecimento de tênis esportivos, segundo a fabricante.

Em testes internos citados pela empresa, a compressão reduziria um impacto de 4.000 gramas para 775 gramas, e a capa teria suportado 24 mil quedas em tambor rotativo sem rachar o aparelho. Antes do lançamento comercial, a linha passou por ensaios de queda, torção, estanqueidade e resistência a danos internos, além de câmara de temperatura e umidade controladas.

Mujou Hsiao, gerente de experiência de marca da RHINOSHIELD, contou que a ideia partiu do fundador Eric Wang logo após o lançamento da linha AirX. Sobre o momento em que a equipe achou o celular sem avarias, ela resumiu que foi “uma mistura de alívio intenso e admiração”. A executiva diz que a meta era derrubar a ideia de que material sustentável significa proteção frágil.

A FÍSICA POR TRÁS DO FEITO

Especialistas ponderam que a altura em si importa menos do que parece. Por ter massa baixa e alta resistência do ar, um celular atinge a velocidade terminal poucos segundos após a soltura e, a partir daí, passa a cair sempre no mesmo ritmo. Na prática, o impacto final acaba parecido com o de uma queda de poucas dezenas de metros em superfície macia.

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Outro fator que ajudou foi o ponto de pouso. O aparelho caiu em solo florestal da região ártica sueca, com vegetação rasteira funcionando como amortecimento adicional. A própria RHINOSHIELD orienta que ninguém tente repetir a façanha em casa, já que o resultado dependeu de preparo técnico e de condições de terreno bastante favoráveis ao desfecho positivo.

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QUANTO CUSTA E O QUE ISSO MUDA

A AirX é vendida no exterior por US$ 62,99, cerca de R$ 327 pela cotação de sexta-feira (28), enquanto o preparo do teste consumiu um ano de trabalho e US$ 500 mil, algo próximo de R$ 2,6 milhões na conversão atual. Seriam necessárias mais de 7,9 mil unidades vendidas apenas para cobrir o custo total da ação de marketing bancada pela fabricante taiwanesa.

Para o consumidor brasileiro, a leitura prática é menos espetacular. O que costuma quebrar a tela do celular no dia a dia é a repetição de tombos curtos, no bolso, no carro ou na calçada, e não uma queda única de grande altura. Reparos de tela em aparelhos de topo de linha passam de R$ 1 mil no país, valor que ajuda a explicar a procura crescente por acessórios de proteção.

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