Na última sexta-feira (14), o Telegram foi denunciado à Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) pela ONG SaferNet, que monitora ataques aos direitos humanos no ambiente digital.
De acordo com a organização, existem pelo menos 1.093 contas no mensageiro, entre perfis individuais, grupos e canais, dedicado à exploração de conteúdo sexual de crianças e adolescentes.
A depender do parecer emitido pela ANPD em resposta à denúncia, o Telegram pode ser até mesmo suspenso no Brasil. Recentemente, o órgão exigiu a suspensão das lives no Discord após incidente envolvendo uma jovem de 13 anos.
Como a Safernet chegou a essas conclusões?
Apesar de a denúncia ter sido feita só agora, a SaferNet vem investigando o Telegram desde 2017, por meio de denúncias feitas por usuários da plataforma. O canal utilizado para receber as denúncias foi o site denuncie.org.br.
Além dos mil links que veiculam conteúdo sobre abuso sexual infantil, a ONG enviou pouco mais de 13 mil outros endereços atrelados a golpes, drogas, armas, mutilação e outros assuntos ilícitos. Tudo isso chegou ao conhecimento da ANPD.
Cerca de 13 mil desses links já estão indisponíveis, segundo a SaferNet. Aqueles relacionados a crimes cometidos contra menores, no entanto, seguem ativos.
Também segundo a organização, o Telegram é um reduto de pessoas que consomem esse tipo de conteúdo, com cerca de um milhão de usuários participando de grupos voltados à prática.
Ainda segundo a SaferNet, entre 2022 e 2026 o número de denúncias envolvendo grupos, bots e contas suspeitas no Telegram dispararam, atingido patamares nunca antes vistos.
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O que diz o Telegram?
Até o momento o Telegram não emitiu nenhum comunicado oficial sobre as denúncias da SaferNet e possíveis sanções por parte da ANPD.
O Minha Operadora tentou contato com o aplicativo para buscar um posicionamento, mas não obtivemos retorno satisfatório.
Na verdade, a plataforma parece não dispor de contato de assessoria de imprensa oficial, limitando-se a páginas de “perguntas frequentes” e sistemas automáticos parar quem deseja tirar dúvidas sobre o funcionamento do app.
Sobre a denúncia, é esperado que, no mínimo, o mensageiro seja instado pela ANPD a inativar links supostamente ligados a conteúdo sexual infantil e outros assuntos sensíveis.












