A Oi só tem dinheiro em caixa até o próximo dia 10 de agosto, de acordo com a administração judicial que tem comandado a empresa nos últimos meses. Inclusive, recentemente noticiamos um alerta emitido pela AJ da Oi sobre esse fato.
Devido à situação financeira gravíssima, a tele pediu à Justiça Federal do Rio de Janeiro a permissão para fazer demissões e a possibilidade de adiar o pagamento de verbas rescisórias dos colaboradores que forem demitidos.
Em sua petição, a Oi garante que já identificou trabalhadores que não atuam em serviços essenciais e que justamente eles serão os alvos dessas demissões.
Detalhes do novo pedido da Oi
O cenário apresentado pelos gestores judiciais da Oi é preocupante. A estimativa de dinheiro em caixa para o fim de julho desabou de R$ 88,1 milhões, valor projetado em abril, para apenas R$ 19,6 milhões.
Para colocar em perspectiva, o saldo negativo do grupo já ultrapassava os R$ 22,6 bilhões em março deste ano.
Toda essa atualização foi entregue à 7ª Vara Empresarial da Comarca da Capital do Rio de Janeiro. Para quem não está acompanhando o caso de perto, esse é o tribunal responsável por conduzir o segundo processo de recuperação judicial da Oi e decidir sobre os pedidos de emergência da empresa.
A reviravolta no planejamento financeiro aconteceu por uma soma de problemas:
- A primeira tentativa de vender a UPI Oi Soluções terminou sem nenhuma proposta;
- A empresa Método Telecom venceu a disputa pela UPI Serviços Telefônicos por R$ 60,1 milhões, mas ainda não depositou o valor e pediu revisão do contrato;
- Suspensões judiciais envolvendo a venda da participação da Oi na V.tal impediram a entrada de novos recursos.
Como o caixa atual não cobre o custo das demissões, a Oi quer pagar os direitos trabalhistas apenas quando entrar dinheiro de algum evento futuro, como a venda de novos ativos.
Além dos cortes, a operadora pediu a liberação de R$ 27,4 milhões bloqueados em contas judiciais para pagar contas básicas por mais algumas semanas.
O argumento é forte: a infraestrutura da Oi ainda sustenta serviços essenciais no país, como sistemas do Poder Judiciário, casas lotéricas, prefeituras e a rede de dados das eleições de 2026.
Adicionalmente, para tentar arrecadar dinheiro rápido, a empresa quer autorização para realizar um novo leilão da Oi Soluções, aceitando ofertas pela metade do preço ou qualquer valor à vista.
Uma crise que parece não ter fim
Para quem acompanha o mercado de telecomunicações, o drama da Oi já parece uma novela arrastada. A operadora, que no passado foi desenhada para ser a maior tele do país, vem acumulando anos de dívidas gigantescas e erros de gestão.
Nem mesmo a venda da sua divisão de telefonia móvel para as concorrentes Claro, TIM e Vivo conseguiu salvar a operação. O valor arrecadado ajudou a amortizar dívidas, mas não resolveu o problema estrutural do grupo.
Atualmente, a recuperação judicial segue ativa graças a uma liminar. Essa decisão impede temporariamente que o processo seja convertido em falência enquanto o Tribunal de Justiça do Rio analisa os recursos.
Com o prazo do caixa batendo na porta, a Oi corre contra o tempo. Resta saber se a Justiça vai autorizar o plano de emergência para evitar o colapso total da companhia.












