A Rússia está intensificando esforços para bloquear a Starlink, rede de internet via satélite de Elon Musk, na tentativa de neutralizar drones ucranianos de médio alcance que atacam suas linhas de abastecimento. Moscou aposta em sistemas de guerra eletrônica e na camuflagem de cargas militares para reverter a vantagem tecnológica conquistada pela Ucrânia nos últimos meses.
A informação foi revelada nesta quarta-feira (8) pela agência Reuters, que ouviu comandantes e pilotos ucranianos, além de um conselheiro do Ministério da Defesa da Ucrânia. Segundo o levantamento, os drones operados via Starlink atingem alvos entre 25 km e 200 km além das linhas de frente no território ucraniano ocupado, driblando defesas russas com precisão e baixo custo em ataques cada vez mais frequentes.
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IMPACTO NA CRIMEIA
O avanço ucraniano já provoca efeitos concretos no território ocupado. A Crimeia, península anexada pela Rússia, enfrenta falta crônica de combustível após uma campanha coordenada de Kiev contra depósitos, instalações de defesa aérea e centros de comando. Os ataques se concentram nas rodovias que ligam Mariupol, Berdyansk, Melitopol e a Crimeia, principais artérias que abastecem as tropas russas no sul e no leste do país.

SISTEMA RUSSO DE INTERFERÊNCIA
Para reverter o cenário, a Rússia passou a apostar em um sistema de interferência batizado de Volna Kupol Garant, criado especificamente para neutralizar sinais da Starlink perto das linhas de frente. Segundo o Ministério da Defesa da Ucrânia, o equipamento já foi identificado em pontos estratégicos do território russo e mudou a forma como as tropas de Kiev planejam suas rotas de ataque, conforme os principais dados levantados abaixo:
- Nome do sistema: Volna Kupol Garant;
- Alcance da interferência: cerca de 20 km² ao redor de cada unidade;
- Dispositivos identificados: pelo menos dez, segundo Kiev;
- Localização: instalados perto de cidades e instalações militares russas;
- Efeito prático: quebra a imunidade que a rede da Starlink tinha a interferências até então.
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VIRADA A FAVOR DA UCRÂNIA
A virada no conflito começou no início deste ano, quando a SpaceX cortou o acesso não autorizado das forças russas à Starlink, prejudicando comunicações e operações de drones de Moscou. “O bloqueio do Starlink para as forças russas foi um dos desenvolvimentos mais significativos no campo de batalha neste ano”, avaliou Rob Lee, pesquisador do Foreign Policy Research Institute, à Associated Press.
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A eficácia ucraniana saltou de forma expressiva depois dessa mudança. Comandantes relatam que a taxa de sucesso das missões passou de minoritária para até oito em cada dez tentativas nos últimos meses. Para compensar as perdas logísticas, as tropas russas recorrem a um conjunto de táticas de camuflagem para manter as linhas de frente abastecidas sem chamar atenção dos drones ucranianos, entre elas:
TÁTICAS RUSSAS PARA ABASTECER TROPAS
- Esconder combustível e suprimentos em veículos civis, como caminhões de água ou leite;
- Usar carros de passeio, quadriciclos e motocicletas no transporte de cargas menores;
- Armazenar munição em abrigos camuflados, prédios abandonados e estruturas agrícolas;
- Guardar combustível militar em postos de gasolina civis próximos ao front;
- Escoltar comboios de caminhões com picapes armadas com metralhadoras pelas estradas secundárias.
Apesar das novas táticas russas, os próprios sistemas de interferência viraram alvo prioritário dos soldados ucranianos. “Assim que atingimos essa instalação, nossos drones equipados com Starlink voaram sem problemas”, relatou um comandante do 422º Regimento de Sistemas Não Tripulados da Ucrânia, em operação na região de Zaporíjia, sobre um ataque a um desses equipamentos de guerra eletrônica.












