O Trump Phone, smartphone lançado pelo presidente dos EUA Donald Trump, virou alvo de uma das críticas mais devastadoras já registradas em análise de produto na mídia americana: um editor sênior da CNET comparou a cor dourada do aparelho a uma “amostra de urina“, dependendo da iluminação. A declaração foi feita ao vivo no programa OutFront, da CNN, nesta semana.
Patrick Holland, editor-gerente da CNET, foi um dos poucos jornalistas de tecnologia a receber o aparelho para teste antecipado. A análise ganhou repercussão internacional não apenas pela comparação inusitada à cor do produto, mas também pelas graves lacunas técnicas identificadas, incluindo ausência de informações sobre processador, política de atualizações de segurança e origem real da fabricação.
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ATRASO, COR E PROMESSAS NÃO CUMPRIDAS
O aparelho chegou com nove meses de atraso em relação à previsão original de agosto de 2025. Anunciado em junho do ano passado por US$ 499 (cerca de R$ 2.499), o Trump Phone T1 foi prometido como um dispositivo totalmente fabricado nos EUA, promessa que não se sustentou. A caixa traz agora a expressão “montado nos EUA”, uma substituição discreta que passou longe de despercebida.
Holland descreveu a cor dourada como algo que varia conforme a iluminação. Segundo ele, “às vezes parece com as moedas douradas mergulhadas pelo Tio Patinhas na DuckTales, outras vezes tem um tom amarelo-mostarda e, em certas condições de luz, parece uma amostra de urina.” A análise foi ao ar na segunda-feira à noite durante a apresentação da âncora Brianna Keilar.
FALHAS TÉCNICAS E DÚVIDAS SOBRE SEGURANÇA DIGITAL
A análise da CNET identificou uma série de pontos críticos que impedem qualquer recomendação de compra do Trump Phone. Veja os principais:
- Processador sem identificação: nenhuma informação oficial foi divulgada sobre o chip utilizado no aparelho
- Sem compromisso com atualizações: a empresa não informou por quantos anos garantirá suporte de software e segurança, ao contrário de Samsung e Google, que comprometem-se com sete anos
- Desempenho equivalente ao de um aparelho taiwanês: benchmarks da CNET apontam performance similar ao HTC U24 Pro 5G, fabricado em Taiwan, contradizendo a narrativa de produção americana
- Slogan trocado silenciosamente: o “Made in USA” do marketing original foi substituído no site oficial por expressões como “design com orgulho americano” e “valores americanos em mente”
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BANDEIRA COM ERRO E VAZAMENTO DE DADOS
Os primeiros compradores que receberam o aparelho notaram um erro gráfico na traseira do dispositivo: a bandeira americana impressa no corpo do celular possui apenas 11 listras, quando a oficial tem 13. A Trump Mobile não respondeu às perguntas da NBC News sobre o motivo do equívoco no design.

Para agravar o cenário, a Trump Mobile confirmou ao TechCrunch uma falha de segurança no início das entregas: dados pessoais de compradores, incluindo nomes, e-mails, endereços e telefones, ficaram expostos na internet por um erro em um provedor terceirizado. A empresa negou violação em seus sistemas, mas não revelou o nome do prestador envolvido.
RECOMENDAÇÃO: NÃO COMPRAR
Quando questionado diretamente sobre se recomendaria o Trump Phone, Patrick Holland foi direto: não. “Minha hesitação não tem a ver com a aparência. É porque simplesmente não sabemos certas coisas sobre ele”, disse o editor, referindo-se à ausência de informações sobre processador e suporte técnico. Ele também afirmou não conseguir localizar evidências de que clientes reais, além de alguns membros da imprensa, já tenham recebido seus aparelhos.
O aparelho vem com o aplicativo Truth Social pré-instalado, câmera principal de 50 MP, sistema operacional Android 15 e processador Snapdragon 7. O chip é normalmente produzido pela TSMC, empresa de semicondutores localizada em Taiwan, o que reforça as contradições em torno das alegações de fabricação americana do produto.












